O boom da Inteligência Artificial está redefinindo o poder no mercado de chips, impactando diretamente a relação histórica entre Apple e TSMC e os custos futuros.

O equilíbrio de forças no mercado de semicondutores está passando por uma transformação significativa, impulsionada pela explosão da demanda por chips de inteligência artificial. Essa mudança estratégica coloca a TSMC, a maior fabricante de chips sob encomenda do mundo, em uma posição de poder ainda maior, enquanto a Apple, um de seus clientes mais antigos e importantes, vê seu poder de barganha diminuir consideravelmente.

A consequência direta dessa nova dinâmica pode ser sentida no bolso do consumidor. Com o aumento dos custos de produção, há uma expectativa de que futuros dispositivos da Apple, como os novos modelos de iPhone, cheguem ao mercado com preços mais elevados, refletindo os reajustes da TSMC.

Essa inflexão na relação entre as duas gigantes da tecnologia foi detalhada em um novo relatório do analista Tim Culpan, e reforçada por informações obtidas pelo Culpium e 95ToMac, indicando uma fase menos previsível e mais competitiva.

A ascensão da IA e a nova hierarquia de clientes na TSMC

A crescente demanda por chips de IA tem fortalecido a posição da TSMC de forma expressiva. Com empresas como Nvidia e AMD buscando cada vez mais capacidade para suas GPUs de alto desempenho, a Apple agora precisa disputar espaço nas linhas de produção. As GPUs para inteligência artificial, por exemplo, ocupam áreas maiores por wafer e exigem processos de ponta, tornando-as prioritárias para a fabricante.

Há indícios de que a Nvidia possa ter superado a Apple como a maior cliente da TSMC em pelo menos um ou dois trimestres recentes, conforme fontes ouvidas por Culpan. Questionado sobre essa possível mudança no ranking, o diretor financeiro da TSMC, Wendell Huang, foi direto e conciso: “Não comentamos isso”, disse ele, mantendo o mistério sobre a nova hierarquia.

Os números refletem essa tendência. A receita da TSMC cresceu 36% no último ano, um ritmo impulsionado pela computação de alto desempenho ligada à IA. Em contraste, as vendas da Nvidia avançam muito mais rapidamente do que as da Apple, que registram patamares de crescimento de um dígito, evidenciando a maturidade do mercado de smartphones.

Apple enfrenta reajustes de preços e disputa por capacidade

Em agosto de 2025, o CEO da TSMC, CC Wei, informou executivos da Apple em Cupertino sobre o que seria o maior aumento de preços em anos. Essa decisão já vinha sendo sinalizada em chamadas de resultados e reflete as margens crescentes da empresa taiwanesa, cada vez mais robustas devido à intensa demanda por chips de inteligência artificial.

Essa nova realidade significa que a Apple, antes uma cliente dominante, agora enfrenta um cenário mais competitivo e com custos de produção mais altos. Relatórios anteriores já apontavam que o chip A20, aguardado para futuros iPhones, deve ter um custo de fabricação mais elevado devido aos reajustes de preços praticados pela TSMC.

A disputa por capacidade produtiva e os preços mais altos marcam uma nova fase na relação entre as duas empresas, onde a Apple terá que negociar em um ambiente menos favorável. Isso pode impactar diretamente o desenvolvimento e o custo final de seus produtos.

O que muda para o consumidor final?

A mudança na dinâmica entre Apple e TSMC pode ter efeitos indiretos para os consumidores. O aumento dos custos de fabricação dos chips, como o esperado para o chip A20 dos próximos iPhones, pode ser repassado ao preço final dos produtos. Isso significa que os consumidores podem ter que pagar mais caro por seus dispositivos da Apple no futuro.

Apesar desses desafios, a Apple continua sendo um cliente estratégico para a TSMC. Seu portfólio de chips é bastante diversificado, abrangendo iPhones, Macs e uma vasta gama de acessórios, e sua produção está distribuída por diversas fábricas da TSMC. Em contrapartida, a demanda por IA, embora intensa, tende a se concentrar em poucos produtos e nós tecnológicos.

Cautela da TSMC em meio ao crescimento explosivo

Mesmo com o cenário favorável impulsionado pela IA, o próprio CC Wei, CEO da TSMC, reconhece os riscos de uma expansão excessiva em um setor que é naturalmente cíclico. Em uma conferência com investidores, o executivo expressou sua preocupação: “Eu também estou muito nervoso. Se não fizermos isso com cuidado, certamente será um grande desastre para a TSMC”, afirmou ele.

No curto prazo, contudo, o avanço da inteligência artificial fortalece inegavelmente o poder da TSMC e reduz a margem de manobra da Apple. A disputa acirrada por capacidade e os preços mais elevados indicam que a relação entre as duas gigantes entrou em uma nova fase, caracterizada por maior competitividade e menos previsibilidade para o futuro dos chips.

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