Defesa de Bolsonaro Pede Perícia da PF para Avaliar Risco de Morte na Prisão e Solicita Prisão Domiciliar

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tomou uma medida significativa no Supremo Tribunal Federal (STF), indicando o cirurgião Cláudio Birolini como assistente técnico. Ele acompanhará a junta médica da Polícia Federal na avaliação do quadro de saúde do político.

O objetivo central é questionar se a permanência de Bolsonaro em uma unidade prisional não implicaria um sofrimento evitável, além de um **risco concreto de “morte súbita”**. Os advogados também argumentam sobre a incompatibilidade do ambiente carcerário comum com as necessidades terapêuticas do ex-presidente.

Essa movimentação ocorre após a transferência de Bolsonaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha. O ministro Alexandre de Moraes determinou a realização de uma perícia oficial antes de decidir sobre o pedido de prisão domiciliar humanitária, com o laudo previsto para 10 dias, conforme informações da defesa.

A Complexa Situação de Saúde de Bolsonaro

Os advogados de Bolsonaro enfatizam que o ex-presidente apresenta uma fragilidade clínica que demanda vigilância constante e uma infraestrutura não disponível no sistema carcerário. Eles listam diversas condições médicas que agravam o **risco de morte de Bolsonaro na prisão**.

Entre as condições citadas estão a apneia obstrutiva do sono grave, hipertensão arterial, doença aterosclerótica, insuficiência renal limítrofe, esofagite erosiva e soluços incoercíveis. Essas condições, segundo a defesa, exigem um ambiente e cuidados específicos.

A defesa destaca o uso contínuo de medicamentos para controlar os soluços, como a clorpromazina e a gabapentina. Esses fármacos podem causar sonolência, alucinações e alterações de consciência, aumentando a preocupação com a segurança do paciente.

A sarcopenia, que é a perda de massa muscular, e um histórico recente de queda com traumatismo cranioencefálico, somam-se aos fatores de risco. Esses elementos elevam o perigo de novos acidentes graves caso Bolsonaro não receba observação contínua e um ambiente adequado.

Os Quesitos da Defesa para a Perícia da PF

Para fundamentar tecnicamente o pedido de prisão domiciliar, os advogados encaminharam 39 perguntas detalhadas. Elas foram divididas em três categorias para orientar o trabalho do perito e esclarecer os fatos para o magistrado.

Os **quesitos técnicos**, totalizando oito perguntas, focam na complexidade do quadro clínico, na necessidade de acompanhamento multidisciplinar e na incompatibilidade das condições de saúde com o ambiente prisional comum. Eles visam demonstrar a inviabilidade da custódia em regime fechado.

Em seguida, 14 **quesitos médicos com ênfase nas comorbidades de Bolsonaro** detalham os riscos de aderências intestinais, pressão intra-abdominal, pneumonia aspirativa em idosos, consequências de soluços incoercíveis, perigos de quedas e eventos cardiovasculares. Estas perguntas buscam um parecer técnico profundo.

Por fim, 17 **quesitos médicos com ênfase em doenças crônicas, estado mental e risco de morte** abordam os perigos específicos da apneia do sono grave, o impacto de transtornos depressivos e episódios de confusão mental. Eles reforçam o pleito pelo regime domiciliar como a única alternativa para preservar a vida do ex-presidente e evitar o **risco de morte na prisão**.

A Argumentação Jurídica e Medidas Preventivas

A defesa invoca o artigo 117 da Lei de Execução Penal e a Constituição Federal para sustentar que o regime domiciliar é a única opção capaz de assegurar os direitos à vida e à dignidade humana de Bolsonaro. O documento é assinado pelos advogados Celso Vilardi, Paulo da Cunha Bueno, Daniel Tesser e Gabriel Domingues.

Em uma das perguntas direcionadas à perícia, a defesa questiona: “À luz da boa prática médica, é possível afirmar que o ambiente prisional comum não oferece estrutura suficiente para garantir: uso contínuo e adequado de CPAP; prevenção efetiva de quedas; dieta fracionada rigorosa; vigilância clínica permanente; atendimento imediato em situações de urgência; prevenção de sarcopenia e hipovitaminoses; administração de medicamentos de forma contínua e regular?”

A questão das grades na cama de Bolsonaro também foi levantada. Os advogados haviam pedido a prisão domiciliar humanitária citando uma queda recente, destacando que o ex-presidente “não consegue se firmar sozinho, encontrando-se em risco elevado de quedas, inclusive durante deslocamentos simples, como no trajeto noturno ao banheiro”.

Moraes concordou com a instalação “de grades de proteção e barras de apoio na cama e em outros locais das acomodações da custódia”. A defesa informou ao ministro que tomará as providências necessárias para adaptar o local onde Bolsonaro cumpre pena, mas reitera que o ambiente domiciliar ou hospitalar seria mais adequado para a prevenção de acidentes e para mitigar o **risco de morte de Bolsonaro na prisão**.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

Bebidas Vegetais Buscam Derrubar Veto de Lula e Equiparação Tributária com Lácteos em Nova Batalha no Congresso

Bebidas Vegetais Pedem Revisão de Veto Presidencial para Equiparação Tributária com Lácteos…

Sem amparo legal, reprodução assistida com gametas doados cria riscos silenciosos para crianças e doadores no Brasil

Reprodução assistida com gametas doados: um “cenário de escuridão” sem leis claras…

Reviravolta Diplomática: Trump ‘Desconvida’ Canadá de Conselho da Paz para Gaza, Intensificando Tensões e Levantando Dúvidas sobre o Acordo Global

A Decisão de Trump e as Tensões no Conselho da Paz para…

Expansão Monetária e Dívida Pública: O Risco de Retorno da Inflação no Brasil e o Alerta de 2025

Alerta de Inflação: Expansão Monetária de 11,6% em 2025 Desperta Preocupações Históricas…