Encontro Estratégico em Washington Visa Fortalecer a Segurança das Cadeias Globais de Insumos Essenciais e Posicionar o Brasil
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), participa nesta quarta-feira (4) de um encontro de alta relevância em Washington, nos Estados Unidos, focado na exploração e segurança dos minerais críticos. A reunião, que conta com a presença do secretário de Estado americano, Marco Rubio, busca alinhar esforços para a criação de uma aliança global que garanta a estabilidade no fornecimento desses insumos vitais para a economia moderna.
A convite de Rubio, Caiado se junta a representantes de cerca de 20 países para discutir a formação de uma coalizão estratégica. O objetivo central é assegurar a segurança das cadeias globais de suprimentos, propondo medidas como a garantia de preços mínimos e a diversificação de fornecedores no mercado internacional, visando reduzir a dependência de poucas nações produtoras.
A participação do governador goiano ganha destaque devido ao significativo potencial do estado de Goiás no setor de minerais críticos, além de suas próprias ambições políticas. As informações sobre o evento e seus objetivos foram divulgadas por nota do governo estadual e apuração do ICL Notícia.
A Visita Estratégica de Caiado e a Busca por uma Aliança Global de Minerais Críticos
A presença de Ronaldo Caiado em Washington sublinha a importância estratégica que os minerais críticos adquiriram no cenário geopolítico e econômico mundial. O convite direto de Marco Rubio, uma figura influente na política externa dos EUA, demonstra o reconhecimento do papel que o Brasil, e em particular Goiás, pode desempenhar na reorganização das cadeias de suprimentos globais.
O foco do encontro em Washington não é apenas a exploração, mas principalmente a segurança das cadeias de suprimentos. Essa preocupação surge da crescente demanda por esses minerais, essenciais para tecnologias de ponta, transição energética e setores de defesa, e da concentração da produção e processamento em poucos países, gerando vulnerabilidades significativas.
A proposta de uma aliança global visa mitigar esses riscos. Ao discutir a garantia de preços mínimos, os países buscam estimular a produção e o investimento em novas fontes, tornando a exploração economicamente mais viável para nações com grandes reservas. A diversificação de fornecedores, por sua vez, é uma estratégia direta para diminuir a dependência de mercados específicos, promovendo uma distribuição mais equilibrada da oferta global.
O Potencial de Goiás no Cenário Mundial de Minerais Estratégicos
Goiás emerge como um ator fundamental neste tabuleiro global de minerais críticos. O governo estadual enfatiza que a região concentra aproximadamente 25% das reservas conhecidas no Brasil, o que a posiciona como a terceira maior reserva mundial desses minerais, ficando atrás apenas da China e do Vietnã. Essa abundância natural confere ao estado uma vantagem competitiva e um papel potencialmente decisivo na nova arquitetura de suprimentos que se desenha.
Um exemplo concreto da relevância de Goiás é a operação da única mina de terras raras em atividade no Brasil. Localizada em Minaçu, no norte do estado, a mina é administrada pela Serra Verde Pesquisa e Mineração. De lá, são extraídos e processados elementos como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio. Esses elementos são cruciais para a fabricação de ímãs permanentes de alta performance, utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos de consumo e equipamentos militares.
A participação de Caiado no encontro está alinhada à estratégia do governo goiano de expandir suas relações internacionais e atrair investimentos. A meta é fortalecer a atuação de Goiás em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico, com um foco claro na geração de emprego qualificado, inovação e sustentabilidade. A exploração responsável e o beneficiamento local desses minerais podem impulsionar a economia do estado, criando uma cadeia de valor robusta e tecnologicamente avançada.
A Estratégia dos Estados Unidos para Reduzir a Dependência da China em Minerais Críticos
A iniciativa de Washington para formar uma aliança de minerais críticos é parte de uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para diminuir sua dependência da China, que atualmente domina a produção e o processamento de muitos desses materiais. A China detém uma posição de quase monopólio em várias etapas da cadeia de valor, o que gera preocupações sobre a segurança econômica e nacional de outras potências.
Nesta segunda-feira (2), o então governo americano de Donald Trump anunciou o “Projeto Vault”, um plano ambicioso para a criação de uma reserva estratégica de minerais críticos avaliada em US$ 12 bilhões. Essa medida visa proteger a economia e a indústria americanas de interrupções na cadeia de suprimentos e de potenciais manipulações de mercado por parte de concorrentes geopolíticos.
Durante o evento em Washington, espera-se que o governo americano apresente formalmente uma proposta de aliança para o comércio de minerais críticos e terras raras. Segundo o secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, cerca de 30 países já demonstraram interesse em participar da iniciativa. Na terça-feira (3), Burgum confirmou que nações como Japão, Austrália e Coreia do Sul já aderiram à proposta americana, conforme noticiado pela agência de notícias Reuters. Esses países, altamente dependentes de importações para suas indústrias de alta tecnologia, veem na aliança uma oportunidade de garantir o acesso a esses recursos essenciais.
Minerais Críticos: Por Que São Tão Estratégicos Agora?
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