Alta da Selic e Fatores Globais Seguram o Dólar no Brasil Apesar da Tensão no Oriente Médio
O recente conflito geopolítico envolvendo Estados Unidos, Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, rota crucial para o petróleo mundial, acendeu um alerta para uma possível forte desvalorização do real frente ao dólar. Contudo, o mercado cambial brasileiro apresentou uma reação surpreendentemente moderada, fugindo das previsões mais pessimistas. A explicação para essa resiliência, segundo análise da Rio Bravo, reside em uma combinação de fatores internos e externos que atuaram como um escudo protetor.
A taxa básica de juros, a Selic, em patamares elevados, a perda de status do dólar como ativo de refúgio seguro sob a gestão do ex-presidente Donald Trump, e a posição comercial brasileira como exportador líquido de petróleo foram apontados como os principais vetores a mitigar o impacto da crise global sobre a moeda nacional. Esses elementos, juntos, criaram um cenário menos adverso do que o esperado, evitando uma fuga de capitais e uma desvalorização acentuada do real.
Enquanto o cenário internacional reage com apreensão a uma crise que ameaça o suprimento de petróleo, o comportamento do dólar no Brasil demonstrou uma notável contenção. A Rio Bravo detalha os três pilares que sustentaram o real, oferecendo um contraponto à volatilidade esperada em momentos de instabilidade global, conforme informações divulgadas pela casa de análise.
A Atratividade da Selic como Âncora para o Real
O primeiro e talvez mais significativo fator que contribuiu para a estabilidade cambial brasileira é a alta taxa de juros (Selic). Atualmente em 14,75% ao ano, a política monetária brasileira torna o país um destino atraente para investidores em busca de retornos expressivos. Essa remuneração elevada compensa, em parte, os riscos percebidos no cenário internacional e doméstico, funcionando como um poderoso ímã de capital.
José Alfaix, economista da Rio Bravo, destaca que o carrego do real, ou seja, o ganho gerado pela aplicação em ativos brasileiros atrelados à Selic, permanece muito atrativo. Em um ambiente de incerteza global, onde a busca por segurança muitas vezes leva à redução dos rendimentos de ativos considerados