A estrutura econômica do Brasil, frequentemente debatida, tem no seu setor primário um pilar fundamental, muitas vezes subestimado em sua complexidade e relevância. Embora haja um consenso sobre a necessidade de avançar na industrialização e nos serviços, a visão de que a dependência primária é meramente um atraso pode obscurecer a dimensão estratégica que a agricultura, pecuária, pesca e extrativismo possuem para o país e para o cenário global.

Essa perspectiva, que por vezes atribui um tom pejorativo ao setor, ignora seu papel insubstituível na geração de riqueza “nova” – um conceito que desafia a lógica tradicional de que o lucro de um implica no prejuízo de outro. O setor primário, ao extrair recursos da natureza, permite um fluxo de criação de valor que sustenta o crescimento econômico e a prosperidade em escala planetária.

A discussão atual, portanto, não se limita a qual setor priorizar, mas como integrar e valorizar a capacidade produtiva primária do Brasil para reter mais valor agregado internamente, sem comprometer sua contribuição vital para o abastecimento global e a balança comercial. As informações são baseadas em uma análise de Pedro Augusto de Almeida Mosqueira, bacharel em Direito pela UFF e especialista em Direito Financeiro e Tributário pela UERJ.

A Visão Convencional vs. a Realidade Estratégica do Setor Primário Brasileiro

Historicamente, a economia de um país é didaticamente dividida em três setores: primário, secundário e terciário. O setor primário brasileiro abrange atividades essenciais como a agricultura, a pecuária, a pesca e o extrativismo, tanto vegetal quanto mineral. É comum, no debate público e acadêmico, encontrar críticas à economia do Brasil por sua forte base nesse setor, com a argumentação de que a dependência primária indica uma falta de desenvolvimento industrial e de serviços.

Essa crítica, embora pertinente ao apontar a importância de se desenvolver atividades com maior valor agregado, muitas vezes confere um tratamento pejorativo ao setor primário. Tal visão desconsidera a importância estratégica do setor primário brasileiro, que vai muito além de sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB). A relevância se estende à geopolítica e à própria sustentação do sistema econômico global, como será detalhado adiante.

O desenvolvimento da indústria e dos serviços é, sem dúvida, um objetivo fundamental para qualquer nação que busca maior sofisticação econômica e retenção de riqueza. Contudo, essa meta não deve ofuscar o reconhecimento do valor intrínseco e da indispensabilidade do setor primário. Ele não é apenas a base para a alimentação e para as matérias-primas, mas também um gerador de riqueza fundamental que permite o funcionamento do capitalismo como o conhecemos.

Ignorar ou desvalorizar o setor primário seria um erro de cálculo estratégico para o Brasil. A verdadeira questão não é abandonar o que nos torna fortes, mas sim construir sobre essa força, integrando-a de forma mais eficaz com os demais setores para maximizar o retorno econômico e social dentro das fronteiras nacionais. O debate precisa evoluir para além da simples dicotomia entre

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