O Supremo Tribunal Federal (STF) veio a público para reafirmar a legalidade da atuação de sua Polícia Judicial do STF. A Corte enfatizou que o trabalho da corporação visa garantir a autonomia e a imparcialidade de seus ministros, um pilar essencial para o bom funcionamento da Justiça no país.

Essa declaração surge em um momento de intensa repercussão, após a imprensa noticiar gastos significativos com diárias de servidores que prestaram apoio de segurança e transporte ao ministro Dias Toffoli. As informações revelam que este apoio ocorreu em uma cidade que abriga um resort com ligações familiares e empresariais ao magistrado.

O esclarecimento do STF busca dissipar dúvidas sobre a legitimidade da ação da Polícia Judicial do STF, contextualizando-a como uma medida indispensável diante dos riscos enfrentados pelos membros da mais alta corte do Brasil, conforme informações divulgadas pela CNN Brasil.

A Justificativa do Supremo Tribunal Federal para a Ação da Polícia Judicial

Em sua nota oficial, o STF ressaltou que seus ministros são alvos frequentes de diversas formas de ameaças. Estas incluem e-mails hostis, publicações virulentas em redes sociais, tentativas de invasão das dependências do Tribunal e outras ações de natureza criminosa, que colocam em risco a integridade dos magistrados e a estabilidade institucional.

O Tribunal citou eventos graves como os atos de 8 de janeiro de 2023 e um atentado a bomba ocorrido em 13 de novembro de 2024, além de investigações da Polícia Federal que apuram planos concretos contra autoridades. Tais exemplos, segundo o STF, evidenciam a necessidade premente de uma estrutura de segurança robusta.

Diante desse cenário de vulnerabilidade, a atuação da Secretaria de Polícia Judicial do STF é apresentada como uma medida que observa rigorosamente os preceitos legais aplicáveis. O objetivo primordial é assegurar condições adequadas para o exercício pleno e independente das funções constitucionais dos ministros, sem interferências ou intimidações.

Diárias e a Polêmica Envolvendo o Ministro Toffoli

A controvérsia ganhou destaque após a imprensa reportar que o Judiciário desembolsou mais de R$ 450 mil em diárias para servidores que apoiaram o ministro Dias Toffoli. Este apoio foi prestado na cidade de Ribeirão Claro, no Paraná, um local que se tornou o centro das atenções devido às suas conexões.

Conforme apurado pela CNN Brasil, as informações sobre o serviço de segurança estão disponíveis no painel de transparência do TRT-2. Os registros indicam que 25 servidores do Judiciário foram mobilizados para prestar esse auxílio em 16 ocasiões distintas, totalizando quase 600 diárias pagas ao longo do período.

O levantamento detalhado revelou que o mês de julho de 2025 foi particularmente intenso, com 28 dias de estadia de servidores dedicados à segurança do ministro. Este volume de diárias e o montante gasto levantaram questionamentos sobre a necessidade e a adequação da ação da Polícia Judicial do STF em tal contexto.

Conexões com o Tayayá Resort e o Banco Master

A cidade de Ribeirão Claro abriga o Tayayá Resort, um empreendimento que já pertenceu aos irmãos e ao primo do ministro Dias Toffoli. Além disso, o resort está envolvido em uma transação financeira que liga o cunhado do dono do Banco Master aos irmãos do ministro, adicionando uma camada complexa à polêmica.

Dados da Receita Federal confirmam que a Maridt Participações S.A., empresa que já teve Igor Luiz Pires Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro, em seu quadro de sócios, esteve ligada ao resort. Um fundo de investimento, o Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, realizou um aporte de R$ 4,3 milhões para adquirir ações do Tayayá Resort.

A Arleen é administrada pela Reag, uma empresa que foi citada na Operação Carbono Oculto por suspeita de ligação com um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). A Reag também teria investido R$ 16,3 milhões na DGEP Empreendimentos, que já teve Mario Umberto Degani, primo de Toffoli, em seu quadro societário.

Procurada pela CNN Brasil, a Reag optou por não comentar o caso. O gabinete do ministro Dias Toffoli, o Tayayá Resort, a DGEP e os demais citados na reportagem não retornaram o contato até a publicação desta matéria, deixando em aberto diversas questões sobre as conexões e a extensão da ação da Polícia Judicial do STF neste contexto específico.

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