Adolpho Veloso destaca o poder do público brasileiro na conquista de prêmios internacionais e na visibilidade de produções nacionais em eventos como o Oscar
O cinema brasileiro está vivendo um momento de grande visibilidade e reconhecimento no cenário internacional, com produções e talentos nacionais brilhando em importantes premiações da indústria cinematográfica. Filmes como ‘Ainda Estou Aqui’ (2024) e ‘O Agente Secreto’ (2025) são exemplos recentes dessa crescente projeção.
Mas o que realmente está por trás desse sucesso do cinema brasileiro lá fora? Não se trata apenas da qualidade artística, que sempre existiu, mas de um fator decisivo que tem mudado o jogo, colocando o Brasil em evidência.
Esse fenômeno de destaque e celebração coletiva é impulsionado, principalmente, pelo poder do engajamento do público brasileiro, conforme revelou o diretor de fotografia Adolpho Veloso em entrevista à CNN.
A ascensão tardia, mas poderosa, do talento nacional
Adolpho Veloso, que nesta temporada de prêmios foi representado pelo seu trabalho no longa-metragem americano ‘Sonhos de Trem’, enfatiza que o reconhecimento internacional não é um acaso. Ele observa que, apesar de parecer recente, é um resultado de um longo processo.
“É um reconhecimento tardio, porque o cinema brasileiro sempre teve talentos, não é de hoje”, ressaltou o diretor. Para ele, a diferença agora está na forma como o Brasil conseguiu ocupar espaço e gerar um impacto significativo além de suas fronteiras.
O país vive uma espécie de “boa fase” cinematográfica, impulsionada por uma mobilização coletiva que transcende as salas de cinema e as telas, alcançando uma dimensão global inédita para o setor.
Engajamento: a nova força do cinema nacional
O diretor Veloso aponta que o engajamento do público brasileiro tem sido o motor dessa transformação. “Existe uma coisa de o cinema brasileiro estar ‘na moda’, de certa maneira, e isso tem muito a ver com o engajamento brasileiro”, explica.
Ele destaca a compreensão da força dos brasileiros nas redes sociais como um diferencial. “As pessoas aqui começaram a entender a força dos brasileiros nas redes sociais. É quase um reconhecimento conquistado pelo Brasil todo. Tem muitos talentos, muitos filmes incríveis sendo feitos o tempo inteiro, no Brasil e fora”, afirmou Veloso.
Essa mobilização tem sido crucial para amplificar a voz e a presença das produções nacionais, gerando um efeito multiplicador que atrai a atenção da crítica e da indústria mundial.
Brasileiros em destaque: Um Oscar com sotaque verde-amarelo
A expansão do cinema brasileiro é visível nos números. Veloso ressalta o número expressivo de brasileiros entre os pré-selecionados do Oscar deste ano, em diversas categorias, como um sinal claro dessa ascensão.
“É só ver a quantidade de brasileiros nos pré-indicados do Oscar esse ano: curta, documentário, filme internacional, possibilidade de melhor ator”, exemplifica. O próprio Adolpho Veloso foi pré-indicado ao Oscar e ao BAFTA, após conquistar o prêmio de Melhor Fotografia no Critics Choice Awards 2026, pelo seu trabalho em ‘Sonhos de Trem’.
Este longa, ‘Sonhos de Trem’, segue Robert Grainier, um trabalhador ferroviário no oeste americano do início do século XX, em uma jornada poética sobre luto e memória. Já ‘O Agente Secreto’, um thriller político ambientado no Recife de 1977, é um dos filmes nacionais que exemplificam a qualidade e a diversidade das produções brasileiras que buscam reconhecimento internacional.
Celebrando juntos: O “Clima de Copa do Mundo”
O sentimento que permeia essa onda de reconhecimento é de celebração coletiva. Para o diretor, o momento vai além das conquistas individuais, transformando-se em uma experiência de torcida nacional, uma verdadeira união em prol do cinema brasileiro.
“É tanta coisa que é difícil não ficar feliz e não entrar num clima de Copa do Mundo”, finaliza Veloso, traduzindo o entusiasmo que toma conta da indústria e do público, consolidando o sucesso do cinema brasileiro lá fora como uma vitória de todos.