Taiwan Rejeita Exigência Americana de Realocação de Semicondutores
O desacordo entre Taiwan e os Estados Unidos concerning o futuro da indústria de semicondutores atingiu um novo patamar de tensão. A vice-primeira-ministra e negociadora comercial de Taiwan, Cheng Li-chiun, declarou enfaticamente que é “impossível” realocar uma parcela significativa da produção de chips para solo americano, frustrando as expectativas de Washington.
A posição taiwanesa surge como resposta direta às ambições americanas, expressas em janeiro pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick, de transferir até 40% da cadeia de suprimentos de semicondutores para os Estados Unidos. Lutnick havia alertado para a possibilidade de aumento drástico de tarifas caso a transferência não fosse concretizada, sinalizando a seriedade da demanda.
Cheng Li-chiun explicou detalhadamente às autoridades americanas que a complexidade e a profundidade do ecossistema taiwanês de semicondutores, construído ao longo de décadas, tornam tal realocação inviável. As declarações foram feitas em uma entrevista exibida no domingo pelo canal de televisão taiwanês CTS, conforme informações divulgadas pela emissora.
A Demanda Americana por Segurança e Resiliência na Cadeia de Suprimentos
A iniciativa dos Estados Unidos de buscar a transferência de uma porção substancial da produção de semicondutores de Taiwan reflete uma estratégia mais ampla de fortalecimento da segurança econômica nacional e resiliência da cadeia de suprimentos. Após as disrupções globais causadas pela pandemia de COVID-19, que expuseram a vulnerabilidade das cadeias de valor altamente concentradas, países como os EUA intensificaram seus esforços para trazer a fabricação de bens críticos de volta para casa ou para aliados próximos.
Os semicondutores, considerados o “novo petróleo” da economia digital, são cruciais para praticamente todos os setores da tecnologia moderna, desde smartphones e computadores até veículos autônomos e sistemas de defesa. A dependência global de Taiwan, especialmente da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), para a produção de chips avançados, gerou preocupações em Washington sobre potenciais riscos geopolíticos e interrupções no fornecimento.
O secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, ao articular a meta de transferir até 40% da cadeia de suprimentos taiwanesa, demonstra a urgência com que os EUA encaram a necessidade de diversificar e nacionalizar a produção. A advertência sobre o aumento de tarifas sublinha a seriedade da pressão exercida, utilizando ferramentas comerciais para influenciar decisões estratégicas de parceiros econômicos.