O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tomou uma decisão que promete reverberar nos mercados globais, ao assinar duas ordens executivas focadas em proteger a indústria e reduzir a dependência do país em setores estratégicos. Essa iniciativa marca um novo capítulo na política comercial americana, com implicações significativas para empresas de tecnologia e o fornecimento de matérias-primas.

As medidas anunciadas visam impor tarifas sobre semicondutores específicos e preparar o terreno para taxações futuras em minerais críticos, elementos essenciais para diversas indústrias, da eletrônica à defesa. A movimentação reflete a busca por maior autossuficiência e segurança econômica, um tema recorrente nas agendas políticas internacionais.

Essa ação, divulgada pela Casa Branca, sinaliza uma postura mais agressiva em relação ao comércio exterior, com o objetivo de reequilibrar as cadeias de suprimentos e fortalecer a produção doméstica, conforme informações detalhadas pela própria Casa Branca.

Impacto Imediato nos Semicondutores para Exportação

A primeira das ordens executivas de Trump foca em chips importados para os EUA que não são utilizados domesticamente para fins de inteligência artificial ou em data centers, mas que são, posteriormente, exportados para outros países. Essa categoria de chips será alvo de uma tarifa de 25% a partir de 15 de janeiro, uma data que já está no radar das grandes fabricantes.

Entre os semicondutores afetados, destacam-se os modelos H200 da Nvidia e MI325X da AMD, componentes cruciais para diversas aplicações de alta tecnologia. A medida visa, em tese, desincentivar a reexportação de chips sem valor agregado substancial nos EUA, direcionando o foco para o consumo interno e desenvolvimento tecnológico local.

A ordem também deixa claro que tarifas mais amplas sobre semicondutores poderão ser impostas no futuro, caso seja considerado necessário. Essa flexibilidade mostra que a estratégia de Washington pode se adaptar às dinâmicas do mercado e às necessidades de segurança nacional.

Para gerenciar essa complexa frente de negociações, o Secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, e o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, foram designados como os responsáveis. Eles terão a tarefa de discutir essas tarifas com os países parceiros, um indicativo de futuras e intensas discussões diplomáticas.

Estratégia para Minerais Críticos e Redução da Dependência

Além dos semicondutores, a administração Trump também direcionou sua atenção para os minerais críticos. A Casa Branca afirmou que está em negociações com parceiros comerciais para reduzir a acentuada dependência dos EUA de outros países em relação a terras raras e minerais similares, deixando a porta aberta para futuras tarifas neste setor.

A dependência americana é alarmante em alguns casos: os EUA são 100% dependentes de importação líquida para 12 minerais críticos e mais de 50% dependentes de exportações para 29 minerais críticos, conforme dados divulgados. Essa vulnerabilidade estratégica impulsiona a busca por alternativas e maior segurança no fornecimento.

Diante desse cenário, o presidente americano poderá determinar um preço mínimo para a importação de tais minerais, conferindo aos países um prazo de 180 dias para negociar com os EUA. Essa janela de negociação visa encontrar soluções que garantam o abastecimento americano, ao mesmo tempo em que pressiona por condições comerciais mais favoráveis e justas.

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