O cenário das investigações envolvendo o Banco Master ganha um novo capítulo com a decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que acatou o pedido da Polícia Federal (PF) para estender o prazo das apurações. A medida, prorrogando por mais 60 dias os trabalhos, reflete a complexidade e a amplitude do caso, que já se desdobra em diversas frentes.
Esta prorrogação é crucial para o aprofundamento das diligências e para a coleta de mais elementos que possam esclarecer as acusações de suposta emissão de R$ 12 bilhões em títulos de crédito falsos. A decisão de Toffoli sinaliza a continuidade de um processo investigativo que tem movimentado o setor financeiro e jurídico do país.
A notícia foi divulgada nesta sexta-feira (16), conforme informações da fonte de conteúdo 1, e chega em um momento de intensificação das ações da PF, que tem realizado diversas etapas da Operação Compliance Zero.
A Racionalidade da Prorrogação e a Agilidade nos Depoimentos
Em sua decisão, o ministro Dias Toffoli justificou a prorrogação, afirmando que as razões apontadas pela autoridade policial para estender o prazo por mais 60 dias “devem ser deferidas”. Essa medida visa garantir que a Polícia Federal tenha tempo suficiente para concluir as investigações de maneira minuciosa e eficaz.
Paralelamente à prorrogação, Toffoli também demonstrou preocupação com a celeridade das apurações. Anteriormente, o ministro havia reduzido o prazo para a tomada de depoimentos dos investigados de cinco para apenas dois dias. Essa mudança, uma das várias em um curto período, ressalta a intenção de acelerar partes cruciais do processo investigativo.
Oscilações nas Decisões do Ministro Toffoli
A condução do caso pelo ministro Dias Toffoli tem sido marcada por algumas alterações em suas decisões. Em um período de cerca de 24 horas, o relator modificou ao menos três vezes as determinações referentes ao destino e ao acesso às provas que foram apreendidas na segunda fase da Operação Compliance Zero. Essas variações demonstram a dinamicidade e a complexidade das análises jurídicas envolvidas no processo.
O Histórico do Banco Master: Da Tentativa de Compra à Liquidação
A trajetória recente do Banco Master é pontuada por eventos significativos que culminaram na atual investigação. Em março de 2025, o Banco BRB anunciou sua intenção de adquirir o Master por um valor de R$ 2 bilhões, uma transação que, no entanto, foi rejeitada pelo Banco Central (BC), impedindo a concretização da negociação.
A situação se agravou em 18 de novembro, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero. O objetivo principal da operação era combater a suposta emissão de R$ 12 bilhões em títulos de crédito falsos por diversas instituições financeiras, incluindo o Banco Master. No mesmo dia, o BC decretou a liquidação extrajudicial do banco, evidenciando a gravidade das acusações.
Desdobramentos da Operação Compliance Zero e os Investigados
Os desdobramentos da Operação Compliance Zero levaram à prisão do empresário e controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, enquanto tentava embarcar para Dubai. Embora tenha sido solto dez dias depois, o episódio marcou um ponto alto na investigação. A operação continua a avançar, com novas fases e alvos.
Nesta quarta-feira (14), a Polícia Federal realizou a segunda fase da operação, que direcionou suas ações para familiares de Vorcaro. Entre os alvos estavam o pai, a irmã e o cunhado do empresário, Fabiano Campos Zettel, indicando que a investigação sobre o Banco Master está se expandindo para abranger um círculo mais amplo de pessoas envolvidas.