Sete Anos de Brumadinho: Um Grito por Justiça na Avenida Paulista
A Avenida Paulista, em São Paulo, transformou-se em palco de um ato simbólico e emocionante neste domingo (25), marcando os sete anos de uma das maiores tragédias ambientais e humanas do Brasil: o rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho, Minas Gerais. Crianças e adultos se reuniram para relembrar as 272 vidas perdidas e para clamar por justiça e reparação, ainda pendentes após tantos anos.
O evento foi organizado pelo Instituto Camila e Luiz Taliberti, uma entidade criada em memória dos irmãos Camila e Luiz Taliberti, que estavam hospedados na Pousada Nova Estância, completamente engolida pelos rejeitos da barragem. Helena Taliberti, mãe das vítimas, liderou o protesto silencioso e potente, carregando a dor da perda e a força da luta por um futuro mais seguro e justo.
Com argila nas mãos, as crianças modelavam pequenos vasinhos para sementes e plantas, em um gesto que simboliza a esperança e a necessidade de cultivar a consciência ambiental. O ato não apenas recordou o desastre, mas também serviu como um alerta contundente sobre a impunidade e a urgência de responsabilização. As informações foram divulgadas pela Agência Brasil.
A Tragédia Anunciada e a Ausência de Alerta em Brumadinho
A dor de Helena Taliberti é profunda e multifacetada. Além de seus filhos, Camila e Luiz, ela perdeu a nora, Fernanda Damian, que estava grávida de cinco meses do primeiro neto. Na mesma viagem, seu ex-marido, pai de Camila e Luiz, e sua então esposa também foram vítimas fatais do desastre. A dimensão da perda pessoal de Helena é um reflexo da devastação que atingiu centenas de famílias.
Durante o ato na Avenida Paulista, uma sirene foi tocada precisamente às 12h28, o horário exato em que a barragem se rompeu há sete anos. Este som, contudo, teve um significado amargo e simbólico: o de que, em 25 de janeiro de 2019, em Brumadinho, a sirene de alerta que deveria ter avisado a população sobre o iminente desastre não tocou. Essa falha crucial é um dos pontos mais criticados por Helena e por todos os que buscam justiça.
Helena Taliberti enfatiza que a tragédia poderia ter sido evitada.