Incidente no Instituto do Câncer de São Paulo levanta questões sobre segurança e protocolos de emergência em unidades de saúde de alta complexidade
Um paciente do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), que estava internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) em condição de saúde extremamente crítica, faleceu neste sábado (31) após ser submetido a uma transferência emergencial. A mobilização foi necessária devido a um incêndio ocorrido na sexta-feira (30) em um gerador que fornecia energia ao prédio, resultando em desabastecimento elétrico e fumaça que afetou diversas áreas do instituto.
O óbito ocorreu durante o processo de realocação, momento em que o paciente, já com um quadro clínico muito delicado, apresentou instabilidade. Apesar do atendimento imediato da equipe médica e da reversão inicial do quadro, a evolução posterior foi desfavorável, levando ao falecimento, conforme comunicado oficial do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP).
O incidente desencadeou a transferência de um total de oito pacientes da UTI do Icesp, que dependiam de ventilação mecânica, para outras unidades do complexo do Hospital das Clínicas. O episódio coloca em evidência a complexidade e os riscos inerentes às operações hospitalares de alta complexidade diante de situações de emergência.
Contexto da Tragédia: Incêndio e Evacuação no Icesp
O incêndio que precedeu a morte do paciente teve início na sexta-feira (30) em um dos geradores que abastecem o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. Geradores são equipamentos vitais em hospitais, garantindo a continuidade do fornecimento de energia elétrica, especialmente em caso de falhas na rede pública ou para suprir demandas específicas de equipamentos médicos de suporte à vida.
A ocorrência do fogo não apenas comprometeu o fornecimento de energia elétrica pela concessionária Enel, que precisou desligar o sistema na região para realizar trabalhos emergenciais, mas também gerou uma significativa quantidade de fumaça. Essa fumaça se espalhou por diversas áreas do Icesp, tornando a evacuação de pacientes e a avaliação de profissionais uma medida de segurança imprescindível para mitigar riscos de inalação e outros problemas respiratórios.
A Enel, por sua vez, informou à Agência Brasil que o incêndio se deu em um gerador que pertence ao próprio hospital, e não em sua infraestrutura de distribuição. O fornecimento de energia foi restabelecido posteriormente, mas o impacto inicial foi o suficiente para deflagrar a crise que culminou na necessidade de transferências urgentes.
A Complexidade da Transferência de Pacientes Críticos
A decisão de transferir pacientes internados em UTI, especialmente aqueles com dependência de ventilação mecânica, é sempre um procedimento de alta complexidade e risco. Em condições normais, cada movimento de um paciente crítico é meticulosamente planejado e executado por equipes multidisciplinares, considerando a fragilidade de seu estado de saúde e a necessidade de manter o suporte vital ininterrupto.
No caso do Icesp, a situação de emergência – desabastecimento de energia e presença de fumaça – impôs uma agilidade e um nível de estresse adicionais à equipe. O paciente que faleceu, conforme a nota do HC, estava em um