Cenário Eleitoral no RJ: Castro na mira da Justiça Eleitoral e a ascensão de Crivella e Pimentel
O cenário político do Rio de Janeiro para a eleição ao Senado Federal em outubro está em ebulição. O atual governador, Cláudio Castro (PL), que tinha sua candidatura dada como certa, vê sua trajetória eleitoral ameaçada por um processo em andamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A possibilidade de inelegibilidade de Castro, caso o julgamento lhe seja desfavorável, abre um vácuo na preferência do eleitorado de direita, com o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e o ex-policial militar Rodrigo Pimentel despontando como potenciais favoritos.
Uma pesquisa eleitoral recente, divulgada em 11 de abril pelo instituto Real Time Big Data, aponta Cláudio Castro na liderança das intenções de voto para senador, com 23%. Em seguida, aparecem Marcelo Crivella, com 15%, e Rodrigo Pimentel, com 12%, empatado com a candidata do PT, Benedita da Silva. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre os dias 9 e 10 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais e índice de confiança de 95%, estando registrada no TSE sob o número BR-04367/2026.
As movimentações políticas e jurídicas em torno dessas figuras prometem moldar a disputa pelas cadeiras do Senado, com implicações significativas para o equilíbrio de forças no estado e no cenário nacional. Acompanhe os detalhes que definem este cenário complexo e as projeções para o futuro.
O Processo que Ameaça a Candidatura de Cláudio Castro no TSE
A principal sombra sobre a ambição de Cláudio Castro de chegar ao Senado paira sobre sua situação jurídica. O governador é réu em um processo que apura abuso de poder político e econômico durante a eleição de 2022, conhecido como o “escândalo do Ceperj”. A investigação policial revelou a existência de uma folha de pagamento secreta com cerca de 20 mil cargos temporários no Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), supostamente utilizados para beneficiar aliados e cabos eleitorais.
Embora Castro tenha sido absolvido em primeira instância pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) em 2024, o Ministério Público Eleitoral recorreu da decisão, levando o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O julgamento no TSE tem sido marcado por reviravoltas. Em 4 de novembro de 2025, a ministra relatora Isabel Gallotti votou pela cassação do mandato e dos direitos políticos do governador, além da convocação de novas eleições. No entanto, o julgamento foi interrompido após o ministro Antonio Carlos Ferreira pedir vista do processo.
O caso foi retomado em 10 de março, quando Ferreira acompanhou o voto da relatora. Em seguida, o ministro Kássio Nunes Marques também pediu vista, adiando novamente a decisão. O regimento do TSE permite até 60 dias para pedidos de vista, mas um acordo prévio estabeleceu que Nunes Marques devolverá o processo no dia 24 de abril, com a sessão de retomada do julgamento agendada para o dia 25. A celeridade inesperada do processo pode impedir que Castro se torne elegível, caso a decisão ocorra antes de sua diplomação como senador.
Rodrigo Pimentel: O “Capitão Nascimento” na Disputa Eleitoral?
Rodrigo Pimentel, ex-policial militar que integrou o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio e serviu de inspiração para o personagem Capitão Nascimento na aclamada franquia “Tropa de Elite”, surge como uma figura de interesse na corrida eleitoral. Embora sua assessoria tenha confirmado que ele foi sondado por partidos como o Novo, Pimentel não é filiado a nenhuma legenda e, segundo informações, não tem intenção de se candidatar.
Apesar da aparente relutância, a menção de Pimentel em pesquisas eleitorais, onde aparece empatado com Benedita da Silva na disputa pelo Senado, demonstra o potencial de sua imagem pública e o apelo que pode ter junto a um segmento do eleitorado. Sua trajetória como membro de uma força de elite e sua associação com um dos filmes mais icônicos do cinema nacional podem conferir-lhe uma visibilidade e um capital político consideráveis, caso decida ingressar formalmente na disputa.
A ausência de filiação partidária e a declaração de não pretensão de candidatura podem ser estratégias de negociação política ou indicativos de uma decisão ainda não finalizada. A entrada de Pimentel na corrida eleitoral representaria uma nova dinâmica, atraindo eleitores que buscam por “novos rostos” na política e que se identificam com uma narrativa de “combate à corrupção” ou “ordem”.
Marcelo Crivella: Aposta do Republicanos e Aliado de Bolsonaro
Marcelo Crivella, ex-prefeito do Rio de Janeiro e filiado ao Republicanos, é outro nome que ganha força no cenário eleitoral, especialmente se Cláudio Castro for impedido de concorrer. Crivella tem estreitado laços com as bandeiras defendidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, inclusive apoiando a anistia ao ex-mandatário. Essa aproximação o posiciona como um forte candidato para o eleitorado conservador e bolsonarista.
A situação de Crivella, no entanto, apresenta uma peculiaridade. Ele foi eleito deputado federal em 2022 com a maior votação de seu partido, totalizando 110.450 votos, o que levou o Republicanos a desejar que ele se candidate novamente a deputado federal, atuando como “puxador de votos”. Contudo, Crivella assegurou que pretende concorrer ao Senado, mesmo que isso signifique disputar eleitores com o próprio Cláudio Castro. Sua decisão de focar na disputa pelo Senado demonstra sua ambição por um cargo de maior projeção nacional.
A estratégia do Republicanos em contar com Crivella como puxador de votos para a Câmara dos Deputados reflete a importância do partido em maximizar sua representação. No entanto, a insistência de Crivella em buscar uma vaga no Senado pode gerar tensões internas ou exigir uma readequação tática por parte da legenda. Caso ele confirme sua candidatura ao Senado, seu desempenho será crucial para o futuro do Republicanos no Rio de Janeiro.
O Palco Político: Oposição a Eduardo Paes e o Apoio de Lula
O cenário eleitoral no Rio de Janeiro se desenha com fortes contornos de polarização, especialmente com o embate entre os grupos políticos liderados pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O grupo de Paes, que conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), planeja lançar Benedita da Silva para o Senado, além de um candidato a governador ainda a ser definido.
A pesquisa Real Time Big Data testou o deputado Pedro Paulo (PSD) como uma das opções para o Senado dentro do grupo de Eduardo Paes, obtendo 10% das intenções de voto no cenário mais favorável. A definição do candidato a governador pelo grupo de Paes é um ponto crucial, pois impactará a estratégia geral da oposição ao governo estadual e a forma como a chapa para o Senado será composta. A candidatura de Benedita da Silva, uma figura histórica do PT e com forte base eleitoral, representa um contraponto significativo aos candidatos da direita.
A dinâmica entre os grupos de Paes e Bolsonaro é central para entender as alianças e as estratégias que serão adotadas nas próximas eleições. Enquanto Paes e Lula buscam consolidar sua influência no estado, a direita tenta recuperar espaço, utilizando figuras como Crivella e, potencialmente, Rodrigo Pimentel, para mobilizar seus eleitores e garantir representação no Congresso Nacional.
O Impacto da Decisão do TSE na Sucessão Estadual e no PL
A decisão do TSE sobre a elegibilidade de Cláudio Castro tem implicações que vão além de sua própria candidatura ao Senado. Caso ele seja considerado inelegível, o Partido Liberal (PL) e seus aliados enfrentarão um dilema na sucessão estadual. Em fevereiro, Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro haviam definido Douglas Ruas (PL), atual secretário estadual de Cidades e filho do prefeito de São Gonçalo, como candidato ao governo fluminense.
Ruas, com 34 anos e eleito deputado estadual em 2022 com 175 mil votos, teria a oportunidade de se apresentar ao eleitorado em uma eleição para governador. No entanto, a possibilidade de Castro renunciar ao cargo para concorrer ao Senado, e a subsequente eleição indireta para o governo, poderia limitar o tempo de exposição de Ruas. A incerteza jurídica de Castro, contudo, o leva a cogitar permanecer no cargo até a decisão final da Justiça Eleitoral, o que complicaria ainda mais os planos do PL.
A falta de um “plano B” definido pelo PL, conforme afirmam lideranças do partido, demonstra a confiança na permanência de Castro como candidato. Contudo, a fragilidade jurídica do governador expõe o partido a um cenário de incerteza, com a necessidade de rearticular sua estratégia de sucessão estadual e a busca por candidaturas competitivas para o Senado em um momento delicado. A reunião de Castro com cúpulas do PL, PP e União Brasil para discutir sua situação jurídica e política sinaliza a urgência em encontrar soluções.
A Estratégia Nacional da Oposição: Controlar o Senado
Para o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro, o controle do Senado Federal é uma estratégia tão fundamental quanto a retomada do Poder Executivo federal em 2026. Com 54 das 81 vagas em disputa nas eleições de outubro, a oposição busca formar uma maioria sólida na Casa legislativa, o que lhe daria maior poder de barganha e veto sobre as iniciativas do governo federal.
Atualmente, o Rio de Janeiro possui três representantes no Senado, todos do PL: Bruno Bonetti (suplente de Romário), Flávio Bolsonaro e Carlos Portinho. As vagas de Flávio Bolsonaro e Portinho estarão em jogo em outubro, enquanto Bonetti tem seu mandato garantido até 2031. A disputa por essas duas cadeiras é vista como crucial para a consolidação da base de apoio da oposição em nível nacional.
A importância estratégica do Senado reside em seu poder de aprovar ou rejeitar indicações para o Supremo Tribunal Federal (STF) e outros órgãos importantes, além de sua capacidade de fiscalizar e investigar o Poder Executivo. Uma maioria qualificada no Senado pode, por exemplo, bloquear pautas importantes do governo em andamento ou até mesmo iniciar processos de impeachment. Portanto, a eleição de senadores alinhados à oposição é um objetivo prioritário para o grupo de Bolsonaro.
O Futuro Político do Rio: Uma Disputa em Múltiplas Frentes
O cenário eleitoral no Rio de Janeiro se apresenta como um microcosmo das disputas políticas nacionais, com a direita buscando consolidar sua força e a centro-esquerda tentando manter sua influência. A indefinição jurídica de Cláudio Castro adiciona um elemento de imprevisibilidade, abrindo espaço para novas lideranças e reconfigurando alianças.
A possível candidatura de Marcelo Crivella ao Senado, fortalecida pela sua aliança com o bolsonarismo, e a eventual participação de Rodrigo Pimentel, mesmo que sem filiação formal, indicam uma tentativa da direita de ocupar o espaço deixado pela incerteza em torno de Castro. Por outro lado, o grupo de Eduardo Paes e Lula aposta em nomes como Benedita da Silva para reforçar sua presença no Senado e no governo estadual.
As próximas semanas serão decisivas para a definição das candidaturas e das estratégias políticas no Rio de Janeiro. A decisão do TSE sobre Cláudio Castro será um divisor de águas, impactando não apenas a disputa pelo Senado, mas também todo o tabuleiro político estadual e as ambições da direita em nível nacional. Acompanhar esses desdobramentos será fundamental para entender o futuro político do estado e do país.