Em um movimento que reacende as tensões entre Washington e Havana, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um alerta direto a Cuba. Ele sugeriu que a ilha busque um acordo com Washington ‘antes que seja tarde demais’, em uma publicação na rede social Truth Social.
Trump alertou que Cuba não terá mais acesso a petróleo ou investimentos da Venezuela, um de seus principais aliados. A declaração provocou uma resposta imediata e contundente do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez.
Díaz-Canel, por sua vez, defendeu a soberania de Cuba, afirmando que ‘ninguém dita o que fazemos’. Essas informações foram divulgadas neste domingo (11), conforme acompanhado pelas redes sociais.
Presidente dos EUA, Donald Trump, intensifica a pressão sobre Cuba, alertando para o fim do apoio venezuelano e provocando forte reação de Miguel Díaz-Canel.
As declarações de Donald Trump chegam em um momento de crescentes instabilidades regionais, colocando em xeque as relações históricas entre Cuba e Venezuela. O ex-presidente norte-americano enfatizou que a ilha caribenha não poderá mais contar com o suporte econômico e energético vindo do país sul-americano, o que ele considera crucial para a sobrevivência do regime cubano.
A postura firme de Trump sinaliza uma escalada na política de pressão dos EUA sobre Cuba, reiterando a necessidade de um alinhamento com os interesses americanos. Essa imposição, no entanto, é vista por Havana como uma afronta à sua independência e uma tentativa de interferência em assuntos internos, gerando uma resposta categórica do governo cubano.
A troca de farpas entre os líderes expõe a complexidade das relações diplomáticas na região, com Cuba reafirmando sua autonomia e os EUA buscando redefinir o cenário geopolítico. O futuro do acordo Cuba EUA e o papel da Venezuela nesse tabuleiro permanecem incertos, com as tensões prometendo novos desdobramentos, conforme as declarações dos envolvidos.
Fim da Ajuda Venezuelana, Segundo Trump
Donald Trump afirmou que Cuba se beneficiou por muitos anos de grandes quantidades de petróleo e dinheiro da Venezuela. Em troca, a ilha caribenha teria fornecido ‘serviços de segurança’ aos dois últimos ditadores venezuelanos. Contudo, o ex-presidente dos EUA foi enfático ao declarar que essa dinâmica não existe mais.
Segundo Trump, a maioria dos cubanos envolvidos nessas operações está morta, supostamente devido a ataques dos Estados Unidos nas últimas semanas. Ele acrescentou que a Venezuela não precisa mais de proteção contra os ‘bandidos e extorsionários’ que, em sua visão, mantiveram o país refém por tantos anos.
Agora, de acordo com o ex-presidente norte-americano, a Venezuela conta com os Estados Unidos, que ele descreveu como a força militar mais poderosa do mundo, para garantir sua segurança. Trump concluiu sua mensagem com uma advertência clara: ‘Não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba — zero!’, recomendando fortemente um acordo Cuba EUA.
Cuba Reage: ‘Ninguém nos Dita o Que Fazemos’
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, não tardou em rebater as declarações de Donald Trump. Em sua conta na rede social X, Díaz-Canel afirmou que Cuba ‘é uma nação livre, independente e soberana’, e que ‘ninguém dita o que fazemos’, reforçando a postura de não aceitar imposições externas.
De acordo com Bermúdez, Cuba não ataca nem ameaça, mas tem sido atacada pelos EUA durante 66 anos. Ele declarou que o país está ‘pronta para defender a pátria até a última gota de sangue’, sublinhando a determinação cubana em resistir a qualquer tipo de agressão.
O presidente de Cuba também criticou a autoridade moral dos Estados Unidos, afirmando que os EUA ‘não têm autoridade moral para apontar o dedo para Cuba em nada, absolutamente nada, aqueles que transformam tudo em negócio, até mesmo vidas humanas’. Ele atribuiu a ‘raiva histérica’ de hoje à indignação com a decisão soberana do povo cubano de escolher seu modelo político, em resposta às pressões por um acordo Cuba EUA.
Pressão e Cenário Pós-Maduro na Visão de Trump
Trump tem pressionado a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, a aceitar o fim do financiamento ao regime de Cuba. Essa pressão, segundo o ex-presidente norte-americano, intensificou-se após a suposta captura do ex-ditador Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, em Caracas, conforme a narrativa apresentada por Trump.
Desde a prisão de Maduro, o regime comunista de Cuba intensificou ações de vigilância, restrição de circulação e presença policial em espaços públicos. Essas medidas foram reveladas nas redes sociais por organizações de direitos humanos.
As ações cubanas coincidem com o temor do regime comunista de possíveis repercussões internas diante da queda de seu principal aliado regional. A situação aponta para uma vulnerabilidade percebida por Cuba frente às mudanças no cenário político da Venezuela e à pressão por um acordo Cuba EUA.
Marco Rubio no Futuro de Cuba? Uma Ideia de Trump
Em uma declaração que gerou burburinho, Trump disse gostar da ideia de seu secretário de Estado, Marco Rubio, ser presidente de Cuba. ‘Soa bem para mim!’, comentou Trump em sua rede social Truth Social, ao compartilhar uma publicação que abordava a sugestão.
Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, tem sido um dos principais impulsionadores, no governo Trump, das ações dos Estados Unidos contra a Venezuela e Cuba. Sua possível ascensão à liderança cubana, ainda que hipotética, reflete as ambições americanas de reconfigurar a política na ilha.
A menção a Rubio adiciona uma camada de complexidade às discussões sobre o futuro da ilha e a possibilidade de um acordo Cuba EUA. A ideia, embora expressa em tom informal, sublinha a intenção de Washington de influenciar profundamente os rumos políticos de Cuba, caso um novo cenário se apresente.