A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã atingiu um novo patamar, com o presidente Donald Trump sendo informado sobre uma ampla gama de opções militares e ações secretas para um possível uso contra Teerã. A situação é complexa, envolvendo desde ataques convencionais a operações menos visíveis.
As alternativas apresentadas ao líder americano pelo Departamento de Defesa incluem desde mísseis de longo alcance até sofisticadas operações cibernéticas e campanhas psicológicas, indicando a seriedade e a diversidade das estratégias em análise, caso as opções militares sejam acionadas.
Este desenvolvimento ocorre em um momento de intensa pressão sobre o regime iraniano, que enfrenta protestos massivos e novas sanções econômicas. As informações foram divulgadas por dois funcionários do Pentágono à CBS News, parceira americana da BBC.
Opções Militares e Táticas Secretas na Mesa de Trump
Fontes do Departamento de Defesa revelaram que, apesar dos mísseis serem uma opção, o Pentágono focou em apresentar a Trump um espectro mais amplo de ferramentas. Isso inclui táticas que visam desestabilizar o adversário sem necessariamente recorrer a um confronto direto em grande escala.
A equipe de segurança nacional de Trump deve se reunir na Casa Branca para aprofundar a discussão sobre essas estratégias. Embora a participação do próprio presidente ainda não esteja confirmada, a urgência da situação é evidente.
O presidente americano já havia declarado que os militares estavam avaliando “opções muito fortes” para intervir, especialmente se o número de manifestantes mortos continuasse a crescer, sublinhando a gravidade do posicionamento dos EUA.
Uma eventual operação militar dos EUA no Irã pode envolver o uso de poderio aéreo, mas que os planejadores militares também avaliam medidas para desarticular as estruturas de comando e as comunicações iranianas, visando a eficácia estratégica.
Cenário de Crise: Protestos, Sanções e a Resposta Iraniana
Nesta segunda-feira, Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos de países que mantêm relações comerciais com o Irã, uma medida econômica que visa aumentar a pressão sobre Teerã. Esta decisão foi divulgada na plataforma Truth Social.
O Irã já sofre com duras sanções dos EUA, que resultaram no colapso de sua moeda e em uma inflação severa, com os preços dos alimentos subindo em até 70%. Novas restrições, decorrentes das tarifas, podem agravar a escassez e a crise do custo de vida.
Essas ações econômicas vêm em meio a protestos internos contra o governo iraniano, que, segundo entidades de direitos humanos, já resultaram em mais de 600 manifestantes mortos em três semanas. A frustração com a economia se transformou em uma crise de legitimidade para o aiatolá Ali Khamenei.
Apesar da crescente pressão, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o governo iraniano está aberto a negociações com Washington, mas permanece “preparado para a guerra”, demonstrando uma postura ambivalente.
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, acusou os EUA de “enganar” e de recorrer a “mercenários traiçoeiros”, ao mesmo tempo em que elogiou manifestações pró-governo organizadas pelo Estado iraniano, que ocorreram em várias cidades.
Comunicações Confidenciais e Advertências da Casa Branca
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, revelou que um integrante do governo iraniano entrou em contato com Steve Witkoff, enviado especial de Trump. Isso sugere um canal de comunicação paralelo e discreto entre os dois países.
Leavitt destacou que a posição pública do governo iraniano é “bem diferente das mensagens que o governo [dos EUA] tem recebido de forma reservada”, indicando uma dualidade nas abordagens de Teerã.
Contudo, a secretária de imprensa advertiu que o presidente dos EUA “não tem receio de recorrer a opções militares, se e quando considerar necessário”, reforçando a seriedade das intenções americanas.
Os EUA também orientaram seus cidadãos presentes no Irã a deixar o país ou a ter um plano de saída, sem depender de assistência governamental, um sinal claro da crescente instabilidade e do potencial risco.
O Apelo pela Intervenção e o Alerta Humanitário
Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã e exilado nos EUA, fez um apelo direto a Trump para que intervenha “o quanto antes” e limite o número de mortes entre os manifestantes. Sua declaração foi dada em entrevista à CBS News.
Pahlavi descreveu o atual governo iraniano como “tentando enganar o mundo, fazendo parecer que está pronto para negociar mais uma vez”, e elogiou Trump como um líder que “sabe o que está em jogo”.
A situação humanitária é alarmante: ao menos 648 manifestantes foram mortos no Irã, incluindo nove menores de 18 anos, segundo a organização Iran Human Rights (IHRNGO), sediada na Noruega. Fontes internas sugerem que o número real pode ser ainda maior.
A dificuldade em obter e verificar informações dentro do Irã é agravada por um amplo bloqueio da internet em vigor desde a última quinta-feira, dificultando o trabalho de organizações de notícias internacionais, como a BBC.