A violência urbana tem se manifestado de formas brutais e inesperadas em diversas cidades americanas, gerando um clima de insegurança que afeta diretamente a vida dos cidadãos. Casos chocantes de agressões e assassinatos em locais públicos têm dominado o noticiário, evidenciando uma escalada preocupante da criminalidade.

Nesse cenário de crescente desordem, o ex-presidente Donald Trump tem se destacado por uma abordagem singular. Ele rompe com o protocolo presidencial tradicional ao comentar de forma imediata e específica sobre esses atos criminosos, buscando chamar a atenção para a gravidade da situação.

Sua retórica, muitas vezes considerada direta e sem filtros, reacende um debate fundamental sobre o combate ao crime, a responsabilidade das autoridades e a necessidade de políticas mais firmes para restaurar a paz e a segurança. As informações a seguir foram detalhadas em uma análise do Manhattan Institute e City Journal.

Casos Recentes de Violência e a Reação de Trump

Em 22 de agosto de 2025, um incidente brutal em Charlotte chocou a nação, quando um homem com 14 prisões anteriores esfaqueou fatalmente uma jovem mulher ucraniana em um trem. A vítima, sentada desavisada, morreu momentos depois, em um ato de violência que foi filmado.

O presidente Donald Trump reagiu prontamente, afirmando em um vídeo do Salão Oval: “Eu apenas dou meu amor e esperança à família da jovem mulher que foi esfaqueada, em Charlotte por um louco, um lunático. Foi tudo filmado. Não é realmente assistível porque é tão horrível, mas [ela foi] esfaqueada de forma tão cruel. Ela estava apenas sentada ali. Então, são pessoas malignas. Temos que ser capazes de lidar com isso. Se não lidarmos com isso, não temos um país.”

Outro caso de repercussão ocorreu em 3 de agosto, em Washington, D.C., onde um ex-funcionário do governo foi agredido por quase uma dúzia de jovens ao tentar proteger uma companheira durante um sequestro-relâmpago. Trump, em sua plataforma Truth Social, classificou o crime como “totalmente fora de controle”.

Ele enfatizou que “jovens locais e membros de gangues, alguns com apenas 14, 15 e 16 anos, estão atacando aleatoriamente, assaltando, mutilando e atirando em cidadãos inocentes, ao mesmo tempo sabendo que serão quase imediatamente soltos. Eles não têm medo das autoridades porque sabem que nada nunca acontece com eles, mas isso vai mudar agora!” Trump chegou a sugerir que, se D.C. não se organizar, “não teremos escolha a não ser assumir o controle federal da cidade”.

Ainda em novembro, Chicago foi palco de mais atos de barbárie. Em 17 de novembro, um andarilho com um extenso histórico criminal ateou fogo a uma mulher em um trem do metrô, deixando-a em estado grave. Poucos dias depois, dois tiroteios em massa no centro da cidade mataram um adolescente e feriram pelo menos outras oito pessoas.

Trump interrompeu a tradicional cerimônia de perdão do peru de Ação de Graças para comentar as atrocidades de Chicago. Ele declarou: “Isso é uma coisa muito séria. Eles queimaram essa mulher linda que estava em um trem. Um homem foi preso 72 vezes… E vão soltá-lo de novo, os juízes liberais vão soltá-lo de novo.” Ele criticou o governador, que “acha maravilhoso que apenas sete pessoas tenham sido mortas esta semana”.

Essas declarações de Trump são notáveis por sua especificidade e imediatismo, algo incomum para um presidente. Elas rompem com a complacência que, segundo a análise, passou a tratar a violência como um fato inevitável da vida urbana, trazendo o combate ao crime para o centro do debate nacional.

O Legado de “Lei e Ordem”: Nixon e a Evolução do Discurso

Historicamente, o crime dentro das fronteiras americanas raramente atraiu a atenção do governo federal. Contudo, a partir dos anos 1960, os Estados Unidos testemunharam um aumento significativo da criminalidade, com a taxa de crimes violentos graves, incluindo homicídios, mais que dobrando em uma década.

Em resposta, o Congresso aprovou leis em 1965 e 1968, que pela primeira vez destinaram fundos federais para agências policiais estaduais e locais. Foi Richard Nixon, em sua campanha presidencial de 1968, quem introduziu o conceito de “lei e ordem” no discurso presidencial.

Nixon articulou os fundamentos filosóficos da “lei e ordem”, criticando a crescente relutância das autoridades em manter a paz civil. No entanto, ele raramente reagia a crimes específicos, uma prática que também não foi adotada por Ronald Reagan ou outros presidentes republicanos pós-Nixon.

A visão de Nixon sobre o colapso civilizacional em ascensão era surpreendente em sua percepção. Suas ideias sustentariam a compreensão conservadora da política de justiça criminal por décadas. Em uma declaração de 1968, ele escreveu: “O povo americano está trancando as portas e se armando porque está rapidamente perdendo confiança na capacidade e determinação do governo de defendê-los, suas famílias e suas propriedades contra o crime e os criminosos.”

Nixon identificou o surgimento da ideologia da vítima desde cedo, afirmando: “Pobreza, desespero, raiva, injustiças passadas não podem mais ser usadas para desculpar ou justificar violência, crime ou desordem.” Ele também apontou a descriminalização e a desinstitucionalização como facilitadoras do aumento da criminalidade, argumentando que “este país tem estado em um experimento de uma geração de leniência com todos os criminosos, o resultado é uma sociedade cada vez mais insegura para todos os cumpridores da lei.”

Mesmo evitando mencionar crimes específicos, Nixon foi acusado de explorar demagogicamente fantasias racistas. No entanto, ele rejeitava uma leitura racial do crime, escrevendo em 1968 que “uma cruzada nacional militante para proteger a sociedade dos criminosos não exclui uma cruzada nacional contínua para eliminar as condições sociais das quais tantos criminosos de hoje emergiram.” Ele defendia que “são os pobres, negros e brancos igualmente, que suportam o peso do crime e da violência.”

Apesar de suas justificativas, a acusação de “código racista” persiste em qualquer discussão midiática ou acadêmica sobre políticas criminais republicanas. O establishment, segundo a análise, proíbe falar abertamente sobre o combate ao crime, pois isso arrisca revelar as características demográficas do problema.

A Abordagem Direta de Trump e os Desafios Atuais

Donald Trump, por sua vez, ignora as normas presidenciais de moderação retórica, optando por uma relação direta com os eventos e suas próprias reações. Sua indignação com atos específicos de violação da lei foi acompanhada por tentativas de enviar a Guarda Nacional para algumas das cidades mais afetadas pelo crime.

Onde implantada, a Guarda Nacional conseguiu dissuadir o crime pela mera presença física, mas essa é apenas uma solução de curto prazo para a desordem urbana. Após um ataque a dois soldados da Guarda em D.C. em 26 de novembro, Trump ordenou o envio de mais 500 tropas, afirmando: “Vamos tornar a América totalmente segura novamente.”

A prevalência de doentes mentais não tratados é um elemento novo e preocupante no panorama criminal atual. Permitidos a vagar pelas ruas por autoridades locais, eles causam repetidas atrocidades, como o esfaqueamento fatal no trem de Charlotte e a quase fatal imolação no metrô de Chicago. O governo deveria explorar alavancas de financiamento para forçar os estados a internar os doentes mentais sem-teto, tanto pela segurança dos inocentes quanto pela dignidade deles próprios.

Trump tem envergonhado autoridades locais, como o prefeito de Chicago, Brandon Johnson, cuja primeira resposta à imolação no metrô foi descartá-la como um “incidente isolado”. Na realidade, a análise aponta que foi um resultado quase previsível das políticas deliberadas de saúde mental e justiça criminal de Illinois.

O Futuro do Combate ao Crime nos EUA

Até o momento, o segundo governo Trump tem sido mais leve em propostas legislativas ou em comissões criminais, algo que presidentes anteriores costumavam favorecer. Contudo, essa falta de propostas de leis é menos importante do que a inclinação de Trump em estabelecer um marcador filosófico claro: a violência não é normal e não deve ser tolerada.

Seu discurso, por vezes impulsivo, pode gerar controvérsias e ofender a dignidade do cargo presidencial, como em sua postagem no Truth Social sobre o assassinato de Rob Reiner. No entanto, seus surtos mais típicos sobre o crime expressam uma verdade com toda a força e imediatismo que o establishment trabalhou longamente para suprimir, segundo a análise de Heather Mac Donald, pesquisadora do Manhattan Institute e editora do City Journal.

A abordagem de Trump no combate ao crime, embora possa ser vista como rude por alguns, busca confrontar diretamente a complacência e a inação, propondo que a segurança pública seja tratada com a urgência e a seriedade que a escalada da violência exige.

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