Donald Trump esteve em Davos para um evento de grande repercussão, onde formalizou a criação do seu Conselho de Paz. A iniciativa, que inicialmente focava em pôr fim à guerra na Faixa de Gaza, agora ambiciona um papel muito mais amplo na resolução de conflitos ao redor do mundo.
A proposta, no entanto, já gera apreensão na Europa e em outras regiões, com especialistas temendo que o novo conselho possa rivalizar ou, até mesmo, prejudicar a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU). O próprio Trump chegou a sugerir que o grupo ‘poderia’ substituir a ONU, intensificando essas preocupações.
As informações sobre a formalização da Carta Constitutiva e a primeira reunião do grupo nesta quinta-feira (22) foram divulgadas, com detalhes adicionais obtidos pela agência de notícias Reuters e pela correspondente da CNN Brasil, Priscila Yazbek.
O que é o Conselho de Paz de Trump?
O Conselho de Paz de Trump terá como missão primordial promover a paz global e atuar na resolução de conflitos em diversas regiões. De acordo com uma minuta da carta constitutiva, obtida pela agência de notícias Reuters, o escopo de atuação do conselho se expandiu significativamente desde sua concepção.
Anunciado em 2025, o grupo foi inicialmente pensado para mediar o conflito na Faixa de Gaza. Contudo, rapidamente, Donald Trump deixou claro que a ambição do conselho iria além do território palestino, visando intervir em outros pontos de tensão ao redor do globo, conforme apurado.
Membros e a polêmica do assento permanente
A estrutura do Conselho de Paz prevê que os países integrantes terão mandatos limitados a três anos. No entanto, há uma condição peculiar para a permanência, o pagamento de US$ 1 bilhão para assegurar um assento permanente no grupo, segundo a minuta da carta constitutiva.
Um funcionário do governo dos Estados Unidos, que preferiu manter o anonimato, garantiu à correspondente da CNN Brasil, Priscila Yazbek, que esse montante seria especificamente para um assento permanente. O funcionário ressaltou que a entrada inicial no conselho não exige nenhuma compensação financeira.
O papel indefinido de Donald Trump
Outro ponto que chama a atenção na minuta da carta constitutiva, também obtida pela CNN, é o papel de Donald Trump. Ele atuará como presidente indefinido do Conselho de Paz, uma posição que ele poderia ocupar mesmo após um possível segundo mandato presidencial nos Estados Unidos.
Sua substituição só ocorreria em casos de ‘renúncia voluntária ou incapacidade, conforme determinado por voto unânime do Conselho Executivo’. Essa cláusula confere a Trump uma influência duradoura e central sobre as decisões e a direção do conselho.
Preocupações com a ONU e a diplomacia global
A criação e a formalização do Conselho de Paz de Trump intensificam o debate sobre o futuro da governança global. A sugestão de Trump de que o grupo ‘poderia’ substituir a ONU gerou grande preocupação entre especialistas e líderes internacionais.
Afinal, a Organização das Nações Unidas tem sido o principal fórum para a diplomacia e a resolução de conflitos desde sua fundação. A emergência de uma entidade paralela, com ambições tão amplas e uma estrutura de liderança tão centralizada, levanta questões cruciais sobre a fragmentação dos esforços pela paz mundial.