O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está monitorando a situação no Irã com extrema atenção, em meio à crescente repressão do governo iraniano contra manifestações populares. A tensão na região se eleva à medida que a Casa Branca não descarta nenhuma possibilidade de intervenção militar.
A crise interna no Irã, marcada por protestos antigovernamentais violentos, coloca o país sob os holofotes internacionais, e a postura de Washington reflete a gravidade do cenário. A comunidade global observa os desdobramentos com preocupação.
Conforme informações divulgadas pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, nesta quinta-feira (15), Trump “mantém todas as opções na mesa”, sinalizando a seriedade com que a administração americana trata a situação no Irã e os protestos no Irã.
A Tensão Crescente entre Washington e Teerã
A secretária de imprensa Karoline Leavitt confirmou que o presidente Donald Trump monitora a situação no Irã “de perto”, sem descartar o uso de força militar contra o regime. Essa declaração veio em resposta a questionamentos sobre as possíveis ações dos EUA diante da repressão violenta aos protestos.
Segundo apuração da CNN, Trump recebeu recentemente uma série de opções estratégicas, que incluem a possibilidade de ataques aéreos contra instalações de segurança iranianas. Além disso, parte da equipe presidencial avalia a realização de ataques cibernéticos, ampliando o leque de respostas possíveis para a crise no Irã.
Apesar da postura firme, o líder dos EUA pareceu amenizar o discurso na quarta-feira (14). Trump afirmou ter recebido informações de que “a matança” estaria cessando no Irã e que não haveria planos para execuções. “Não há nenhum plano para execuções, nem haverá nenhuma execução. Recebi essa informação de uma fonte confiável. Vamos nos informar. Tenho certeza de que, se isso acontecer, ficarei muito chateado”, pontuou ele.
Contudo, na coletiva de imprensa desta quinta-feira, Leavitt reiterou que o governo Trump já alertou as autoridades iranianas sobre as “graves consequências” que adviriam caso as mortes relacionadas aos protestos não fossem interrompidas, mantendo a pressão sobre o regime iraniano.
A Origem dos Protestos e a Crise Interna no Irã
Os protestos no Irã eclodiram no final de dezembro, transformando-se rapidamente em uma onda de agitação nacional que representa o maior desafio ao regime em anos. Inicialmente, as manifestações começaram nos bazares de Teerã, impulsionadas pela inflação desenfreada e a crise econômica.
A insatisfação popular se espalhou por todo o país, evoluindo para manifestações mais amplas e diretas contra o regime. As preocupações com a inflação atingiram seu pico na semana passada, quando os preços de produtos básicos, como óleo de cozinha e frango, dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns itens desaparecendo das prateleiras.
A situação foi agravada pela decisão do banco central de encerrar um programa que concedia a alguns importadores acesso a dólares americanos mais baratos. Essa medida levou lojistas a aumentarem os preços e, em alguns casos, a fecharem suas portas, desencadeando as primeiras manifestações contra o governo do Irã.
A adesão dos “bazaaris”, comerciantes tradicionalmente alinhados à República Islâmica, é vista como uma medida drástica e um sinal da profundidade da crise. O governo, liderado por reformistas, tentou aliviar a pressão oferecendo transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas essa iniciativa não conseguiu conter a insatisfação generalizada.
Repressão e Isolamento Digital
Em uma tentativa de conter a disseminação dos protestos e o compartilhamento de informações, as autoridades iranianas cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8). Essa ação, que ocorreu na maior noite de manifestações nacionais até então, deixou o Irã praticamente isolado do mundo exterior.
Organizações de direitos humanos têm relatado que centenas de pessoas foram mortas desde o início dos protestos no Irã, evidenciando a brutalidade da repressão. Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou explicitamente o Irã caso as forças de segurança continuassem a responder com violência.
Em resposta às ameaças de Washington, o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, pediu a Trump que “foque em seu próprio país” e acusou os Estados Unidos de incitarem os protestos, em um claro sinal da escalada retórica entre as duas nações e a complexidade da situação no Irã.