O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causou um novo alvoroço diplomático ao divulgar publicamente uma captura de tela de mensagens que teriam sido enviadas a ele pelo presidente da França, Emmanuel Macron. O conteúdo dessas mensagens revela uma série de propostas e questionamentos, com destaque para a política americana em relação à Groenlândia.
Nas mensagens, Macron não apenas questiona as intenções de Trump na Groenlândia, como também sugere uma reunião ampliada do G7, convidando países como Rússia, Ucrânia, Dinamarca e Síria. A revelação surge em um momento de crescente tensão entre os Estados Unidos e nações europeias, especialmente a França, sobre questões comerciais e geopolíticas.
Uma fonte próxima ao presidente Macron confirmou a autenticidade das mensagens divulgadas. A Casa Branca e o gabinete de Macron não se manifestaram sobre o ocorrido, mas o episódio já repercute no cenário internacional, conforme divulgado nas plataformas online de Trump.
A Mensagem de Macron e o Convite ao G7
Nas mensagens reveladas, o presidente Emmanuel Macron dirigiu-se a Trump como seu “amigo”, demonstrando uma abordagem pessoal na comunicação. Ele expressou claramente sua perplexidade ao afirmar que “não entendia o que o líder americano estava ‘fazendo na Groenlândia’”, uma questão que tem sido um ponto de discórdia.
Além de questionar a política sobre a Groenlândia, Macron aproveitou a oportunidade para fazer propostas diplomáticas ambiciosas. Ele ofereceu-se para sediar uma reunião do G7, sugerindo a inclusão de diversos países. O presidente francês indicou que Trump poderia convidar representantes da Ucrânia, Dinamarca, Síria e Rússia para participarem à margem do encontro do G7.
O convite incluía ainda uma proposta para que o então presidente americano jantasse com ele em Paris, reforçando o tom de cordialidade nas mensagens. Macron também afirmou estar “totalmente alinhado” com Trump em relação à Síria e expressou a crença de que poderiam fazer “grandes coisas em relação ao Irã”, indicando pontos de cooperação.
A Tensão da Groenlândia e Novas Tarifas
A publicação de Trump sobre a Groenlândia e as mensagens de Macron ganha um contexto ainda mais complexo diante dos recentes desenvolvimentos na Europa. Líderes da União Europeia decidiram se reunir em Bruxelas para uma cúpula de emergência, motivada pelas ameaças de Trump de impor novas tarifas sobre produtos europeus.
Essa ameaça de tarifas surgiu justamente após a exigência do então presidente americano de anexar a Groenlândia, uma ideia que foi amplamente rejeitada. Macron, em particular, considerou a ameaça de Trump de impor tarifas sobre a Groenlândia como “inaceitável”, demonstrando a firmeza da posição francesa.
Horas antes de divulgar as mensagens de Macron, Trump já havia anunciado a imposição de uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. Segundo ele, essa medida visava pressionar Macron a aderir à sua iniciativa do “Conselho da Paz”, um plano destinado a resolver conflitos globais.
Cenário Diplomático e o Futuro das Relações
O momento exato em que as mensagens de Macron foram enviadas a Trump não foi imediatamente esclarecido, mas a sua divulgação pública adiciona uma camada de complexidade às relações diplomáticas. A ausência das respostas de Trump na captura de tela publicada em sua conta no Truth Social também levanta questões sobre o diálogo completo.
Apesar da cordialidade aparente nas mensagens, a dinâmica entre os dois líderes não parecia indicar um encontro iminente. Macron tinha chegada prevista para a reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, e seus assessores do Palácio do Eliseu informaram que não havia planos para estender sua estadia e encontrar Trump na cidade suíça.
Este episódio se soma a outras declarações de Macron que evidenciam sua busca por autonomia diplomática. Em dezembro, o presidente francês havia afirmado que a Europa teria que retomar as negociações diretas com o presidente russo, Vladimir Putin, caso os esforços de paz na Ucrânia, liderados pelos Estados Unidos, falhassem. Na semana anterior, Macron também destacou que a França agora fornece grande parte das informações de inteligência à Ucrânia, substituindo em grande parte os Estados Unidos nesse papel.