Em um movimento diplomático que surpreendeu observadores internacionais, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira que a Venezuela, anteriormente um regime criticado, agora é considerada uma “aliada” dos americanos.

A afirmação vem após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro e sinaliza uma possível reorientação na política externa dos EUA em relação ao país sul-americano, com foco em oportunidades econômicas.

Trump indicou que planeja se reunir em breve com representantes venezuelanos, buscando incentivar a atuação de empresas americanas no setor petrolífero, conforme informações divulgadas pela emissora CNN.

A inesperada declaração de aliança e os interesses estratégicos

Durante um encontro com líderes de empresas petrolíferas americanas, Donald Trump expressou claramente sua nova visão sobre a Venezuela. “Neste momento, eles [o regime venezuelano] parecem ser um aliado”, disse Trump, adicionando que acredita que essa aliança continuará.

O ex-presidente enfatizou um objetivo geopolítico maior: “Não queremos a Rússia lá. Não queremos a China lá”. Essa declaração sugere que a aproximação com a Venezuela pode ser uma estratégia para conter a influência de potências rivais na região.

A reviravolta na postura de Trump sinaliza uma potencial mudança significativa na dinâmica política e econômica da América Latina, com os EUA buscando reafirmar sua presença e interesses estratégicos na região.

Encontros diplomáticos e o reconhecimento da oposição

Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de um encontro com a ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, ou outros membros do regime chavista, Trump confirmou que uma reunião pode acontecer em breve.

“Provavelmente me encontrarei em breve com vários representantes da Venezuela. Ainda não marcamos nada”, afirmou o ex-presidente, indicando que o relacionamento com as atuais lideranças venezuelanas é “muito bom”.

Além disso, Trump mencionou a visita de uma figura da oposição: “Também temos uma jovem que recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Ela virá nos visitar e prestará suas homenagens ao nosso país, principalmente a mim”. A referência é à líder opositora María Corina Machado, cuja visita está prevista para a próxima semana.

Desafios e oportunidades para o setor petrolífero americano na Venezuela

A principal motivação econômica por trás dessa aproximação parece ser o setor petrolífero venezuelano. Trump manifestou o desejo de que empresas americanas invistam “pelo menos US$ 100 bilhões de seus próprios recursos, e não do governo”, para revitalizar a infraestrutura do setor.

A infraestrutura petrolífera da Venezuela sofreu uma severa deterioração ao longo das últimas décadas, resultado de incompetência, corrupção e falta de investimento durante o período chavista.

No entanto, a proposta de Trump enfrentou ceticismo. Darren Woods, CEO da ExxonMobil, presente na reunião na Casa Branca, expressou preocupação, afirmando que a Venezuela é atualmente “inviável para investimentos”, destacando os grandes desafios que ainda precisam ser superados para atrair capital estrangeiro de volta ao país.

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