Movimentação política na Bahia: Angelo Coronel se aproxima do União Brasil para 2026
As conversas para a filiação do senador Angelo Coronel ao União Brasil na Bahia ganharam um novo e significativo impulso, conforme avaliam dirigentes da sigla no estado. Este movimento estratégico se intensificou após o parlamentar anunciar sua desfiliação do Partido Social Democrático (PSD), legenda pela qual foi eleito, ao constatar a ausência de espaço em uma eventual chapa majoritária do Partido dos Trabalhadores (PT) para a disputa do Senado em 2026.
A decisão de Coronel de buscar um novo caminho partidário reflete a reconfiguração do cenário político baiano, especialmente diante da preferência petista por uma chapa “puro-sangue” com nomes de peso como o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, ambos ex-governadores da Bahia. Sem ser incluído nesse arranjo, o senador optou por uma nova casa política, buscando alinhamentos que garantam sua viabilidade eleitoral.
A possível entrada de Angelo Coronel no União Brasil não apenas redesenha as alianças locais, mas também projeta impactos no panorama nacional, podendo fortalecer um palanque oposicionista ao governo federal. A expectativa é que o senador defina seu futuro partidário até março, tendo recebido também convites do PSDB, Agir e Democracia Cristã, conforme informações apuradas.
O divisor de águas: A estratégia do PT e a saída de Coronel do PSD
O pano de fundo para a decisão de Angelo Coronel de buscar uma nova filiação reside na estratégia eleitoral do Partido dos Trabalhadores para as eleições de 2026 na Bahia. A cúpula petista, visando consolidar sua força no estado, tem priorizado a formação de uma chapa “puro-sangue” para as vagas ao Senado. Os nomes de Jaques Wagner, atual senador e ex-governador, e de Rui Costa, ministro da Casa Civil e também ex-governador, despontam como as principais escolhas.
Essa movimentação do PT, embora estratégica para a legenda, criou um impasse para Coronel. Ele, que manteve uma aliança com os petistas nos últimos anos e foi eleito pelo PSD, percebeu que não teria as condições necessárias para disputar a reeleição ao Senado dentro desse arranjo. A falta de espaço em um projeto que prioriza figuras históricas do PT levou o senador a reavaliar seu posicionamento político e a buscar alternativas.
Apesar da saída do PSD, Angelo Coronel fez questão de afirmar que não guarda mágoas do partido nem do PT. Essa declaração sinaliza uma postura pragmática, comum no cenário político brasileiro, onde as alianças são frequentemente moldadas por conveniências eleitorais e estratégias de viabilidade. A busca por um novo partido, portanto, é vista como um passo natural para garantir sua continuidade na vida pública e na disputa por mandatos.
O novo tabuleiro: União Brasil, PL e a potencial chapa de oposição na Bahia
A concretização da filiação de Angelo Coronel ao União Brasil tem o potencial de reconfigurar significativamente o cenário eleitoral baiano para 2026, especialmente no campo da oposição. Caso essa movimentação se confirme, o senador tende a integrar uma chapa que se alinharia em torno da pré-candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao governo do estado.
Nesse desenho, a chapa oposicionista ganharia contornos ainda mais definidos. Além de ACM Neto para o governo e Angelo Coronel para uma das vagas ao Senado, o ex-ministro João Roma, atual presidente estadual do Partido Liberal (PL), seria o nome cotado para disputar a segunda vaga senatorial. Essa aliança entre União Brasil e PL na Bahia representa uma frente robusta, capaz de desafiar a hegemonia do PT no estado.
A união desses nomes e partidos cria uma perspectiva de fortalecimento da oposição ao atual governo estadual e, por extensão, ao governo federal. A experiência de Coronel, a força política de ACM Neto e a ligação de João Roma com o eleitorado conservador e bolsonarista – herança de sua passagem pelo governo de Jair Bolsonaro – formariam um conjunto de forças com grande capacidade de mobilização e discurso, prometendo uma disputa acirrada nas próximas eleições.
Impactos estaduais e a ressonância nacional: O fortalecimento da oposição
A articulação em torno da filiação de Angelo Coronel ao União Brasil, e a consequente formação de uma chapa com ACM Neto e João Roma, transcende as fronteiras estaduais da Bahia, projetando uma ressonância significativa no cenário político nacional. A aproximação entre o União Brasil e o PL no estado pode ser interpretada como um movimento estratégico para consolidar e fortalecer um palanque oposicionista ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026.
A Bahia, um dos maiores colégios eleitorais do país e tradicionalmente um bastião petista, se torna um palco crucial para a disputa de forças. Um bloco oposicionista coeso e com nomes de peso pode influenciar a narrativa e a percepção pública sobre a gestão federal. ACM Neto, por exemplo, é reconhecido por sua articulação política e é visto como um aliado próximo do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que recentemente trocou o União Brasil pelo PSD e desponta como um potencial nome no campo adversário ao Planalto.
Essa interconexão de lideranças e partidos demonstra a fluidez e a complexidade das alianças políticas. A formação de um polo de oposição forte na Bahia não apenas visa a disputa local, mas também contribui para a construção de uma frente mais ampla e articulada em nível nacional, com potencial para impactar as próximas eleições presidenciais e legislativas, redefinindo o equilíbrio de poder no país.
A “dança das cadeiras” partidária: Marcos Rocha e Ronaldo Caiado no PSD
O cenário político brasileiro tem sido marcado por uma intensa “dança das cadeiras” partidária, com diversas lideranças optando por trocar de sigla em busca de novos alinhamentos e melhores perspectivas eleitorais. Além da movimentação de Angelo Coronel, a semana foi agitada por outras mudanças significativas que ilustram a dinâmica de rearranjos para o ciclo eleitoral de 2026.
Um dos destaques foi o governador de Rondônia, Marcos Rocha, que anunciou sua filiação ao PSD no último sábado, deixando o União Brasil. A mudança foi formalizada em um vídeo ao lado do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, reforçando o movimento de fortalecimento da sigla. Essa decisão segue a mesma trilha de outro governador de peso, Ronaldo Caiado, de Goiás, que também ingressou no PSD na semana anterior, vindo do União Brasil.
Essas trocas de partido não são meramente burocráticas; elas refletem cálculos políticos complexos, visando a construção de bases mais sólidas para futuras disputas. A chegada de governadores ao PSD, como Marcos Rocha e Ronaldo Caiado, confere à legenda um maior peso institucional e eleitoral, expandindo sua capilaridade e influência em diferentes regiões do país. A migração de figuras políticas de alta visibilidade impacta diretamente o poder de barganha e a capacidade de articulação dos partidos envolvidos.
O fortalecimento do PSD: Kassab e os novos nomes de peso
A filiação de governadores como Marcos Rocha (Rondônia) e Ronaldo Caiado (Goiás) ao PSD representa um marco importante para a legenda, que tem se posicionado como um polo atrativo para lideranças políticas de diferentes espectros. Ao receber os novos filiados, o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, enfatizou que essas decisões fortalecem consideravelmente a sigla, especialmente na região Norte do país, e destacou a relevância política dos governadores.
Kassab tem trabalhado para consolidar o PSD como uma força política relevante, capaz de dialogar com diversas correntes e se projetar em diferentes cenários eleitorais. A estratégia tem se mostrado eficaz, atraindo nomes de peso que buscam uma plataforma mais robusta para seus projetos políticos. O próprio Marcos Rocha, ao justificar sua mudança, citou a presença de outras figuras importantes no partido, como Caiado, o governador do Paraná, Ratinho Jr., e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.
Essa constelação de líderes, segundo Rocha, demonstra que o grupo tem atuado de forma articulada para fortalecer o país. A capacidade do PSD de agregar diferentes perfis e regiões reflete uma visão de crescimento e consolidação, buscando se posicionar como um ator chave nas próximas eleições, tanto em disputas estaduais quanto em um eventual cenário presidencial. A legenda se mostra, assim, um player ativo na redefinição do mapa político brasileiro.
O que esperar até março: A decisão de Angelo Coronel e os próximos passos
O prazo estabelecido por Angelo Coronel para definir seu futuro partidário, até março, adiciona uma camada de expectativa ao cenário político. Essa janela de tempo é crucial para as negociações e para que o senador avalie qual sigla oferece as melhores condições para sua projeção eleitoral e para a concretização de seus projetos políticos. Além do União Brasil, ele confirmou ter recebido convites de outras três siglas: PSDB, Agir e Democracia Cristã.
Cada uma dessas legendas apresenta um contexto e um potencial de alianças distintos. A escolha de Coronel não será apenas uma decisão pessoal, mas um movimento que pode desencadear uma série de rearranjos em outras esferas políticas. A entrada em um partido significa o alinhamento com uma determinada visão ideológica e, mais pragmaticamente, com uma estratégia eleitoral para 2026.
A definição de Angelo Coronel será observada de perto por analistas e políticos, pois ela pode solidificar de vez a chapa oposicionista na Bahia ou, caso ele opte por outra via, abrir novas frentes de negociação e alianças. Independentemente da escolha final, a movimentação do senador já é um dos principais catalisadores da reconfiguração política no estado, com reflexos que se estendem para a dinâmica nacional das eleições vindouras.