Unifique adquire espectro 5G da Ligga e acelera implementação da tecnologia no Paraná

A Unifique, uma das maiores operadoras regionais de telecomunicações do Brasil, anunciou um acordo estratégico para adquirir um bloco de 80 MHz na faixa de 3,5 GHz, dedicado à tecnologia 5G, no estado do Paraná. A transação, avaliada em R$ 20 milhões, foi firmada com a Ligga Telecom, detentora atual do espectro na região por meio do Consórcio 5G Sul. Esta aquisição representa um passo significativo para a Unifique, que busca consolidar sua presença e acelerar a implementação da rede de quinta geração em todo o Sul do país.

O negócio não envolve apenas a compra da faixa de frequência, mas também a assunção, por parte da Unifique, de importantes compromissos regulatórios. Entre eles, destacam-se os investimentos em infraestrutura necessários para cobrir 336 municípios paranaenses com menos de 30 mil habitantes, por meio da instalação de 745 Estações Rádio Base (ERBs). A operação visa resolver impasses regulatórios e otimizar a expansão do 5G, que ainda não havia sido colocada em operação pela Ligga Telecom no estado do Paraná, conforme as obrigações estabelecidas.

Com a concretização da compra, a Unifique amplia sua área de atuação para um total de 1.191 municípios nos três estados da Região Sul — Rio Grande do Sul, Santa Catarina e agora, de forma mais robusta, no Paraná. A movimentação reorganiza o projeto de 5G na região, centralizando a execução nas mãos da Unifique e mitigando riscos associados a eventuais atrasos no cumprimento das metas de cobertura, conforme informações divulgadas pelo Tecnoblog.

Detalhes Financeiros e Prazos da Aquisição do Espectro 5G

A transação entre Unifique e Ligga Telecom para a compra do bloco de 80 MHz na faixa de 3,5 GHz no Paraná foi estruturada com um pagamento total de R$ 20 milhões, desdobrado em parcelas estratégicas. Inicialmente, um montante de R$ 10 milhões foi desembolsado no ato da assinatura do contrato, demonstrando a firmeza do compromisso da Unifique com a aquisição e a expansão de sua infraestrutura 5G.

A segunda parcela, no valor de R$ 5 milhões, está prevista para ser quitada em até 30 dias após a assinatura, reforçando o cronograma de pagamentos. Os R$ 5 milhões restantes serão pagos após a aprovação formal da operação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o cumprimento de todas as condições precedentes estipuladas no acordo. Esta estrutura de pagamento escalonado é comum em grandes negociações do setor, garantindo que todas as etapas regulatórias e contratuais sejam devidamente cumpridas antes da finalização financeira.

Além do valor principal da aquisição, a Unifique também assumirá a responsabilidade pelo valor remanescente da outorga original do espectro, que era de R$ 1,7 milhão em 2021. Este montante será quitado em 20 parcelas anuais, conforme a regulamentação vigente estabelecida pela Anatel. A autorização de uso da radiofrequência, essencial para a operação do 5G, tem um prazo inicial de 20 anos, com a possibilidade de prorrogação, conferindo à Unifique uma base sólida e de longo prazo para seus investimentos e serviços no Paraná.

Compromissos de Cobertura e a Ambição da Unifique no Sul

Um dos pilares fundamentais desta aquisição é a transferência dos compromissos de cobertura originalmente assumidos pela Ligga Telecom para a Unifique. Estes compromissos são mandatórios e fazem parte das condições do leilão do 5G, visando garantir a democratização do acesso à tecnologia em diversas localidades. A Unifique agora se responsabilizará pelo atendimento de 336 municípios paranaenses, especificamente aqueles com menos de 30 mil habitantes, uma estratégia que busca levar o 5G a áreas que tradicionalmente poderiam ser preteridas pelas grandes operadoras.

Para cumprir essa meta ambiciosa, a operadora catarinense terá a tarefa de instalar 745 Estações Rádio Base (ERBs) em todo o território abrangido. As ERBs são elementos cruciais para a infraestrutura de telecomunicações, sendo os equipamentos que permitem a transmissão e recepção de sinais de rádio, formando a base da rede móvel. A instalação de um número tão expressivo de estações demonstra o vulto do investimento e o esforço logístico que a Unifique empreenderá para cumprir suas novas obrigações.

Com essa expansão, a Unifique solidifica sua posição como um player regional de destaque. A empresa, que já possuía uma forte presença em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, agora adiciona significativamente o Paraná ao seu mapa de atuação. O mercado da Unifique passará a abranger um total de 1.191 municípios, sendo 497 no Rio Grande do Sul, 295 em Santa Catarina e 399 no território paranaense. Este movimento não só amplia a base de clientes potenciais, mas também reforça a capacidade da Unifique de competir em um mercado cada vez mais dinâmico e tecnológico.

O Contexto do Leilão 5G e o Consórcio 5G Sul

Para compreender a relevância da transação entre Unifique e Ligga, é fundamental revisitar o cenário do leilão do 5G, realizado pela Anatel, e a formação do Consórcio 5G Sul. Em 2021, o leilão de frequências foi um marco para a expansão da conectividade no Brasil, definindo os novos players e as obrigações para a implementação da rede de quinta geração em todo o país. A faixa de 3,5 GHz, considerada primordial para o 5G, foi um dos blocos mais disputados.

Na ocasião, a faixa de 3,5 GHz destinada à Região Sul foi arrematada pelo Consórcio 5G Sul. Este consórcio era formado pela Unifique, que já tinha uma atuação consolidada na região, e pela então Copel Telecom. A Copel Telecom, uma empresa paranaense de telecomunicações, foi posteriormente adquirida pelo fundo Bordeaux, controlado pelo empresário Nelson Tanure. O grupo arrematou um bloco de 80 MHz, com autorização para prestação de serviços exclusivos nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

No entanto, a execução do projeto pelo consórcio não ocorreu de forma homogênea. Enquanto a Unifique avançava na implementação do 5G em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, a Ligga Telecom (antiga Copel Telecom) enfrentava desafios para colocar a rede em operação no Paraná, apesar das obrigações regulatórias. Esta disparidade gerou um impasse regulatório, pois o consórcio, como um todo, poderia ser impactado por eventuais atrasos no cumprimento das metas de cobertura em qualquer um dos estados. A aquisição pela Unifique, portanto, é uma solução estratégica para centralizar a execução e garantir a conformidade com a Anatel.

A Situação da Ligga Telecom e os Desafios no Paraná

A Ligga Telecom, parte central desta negociação, tem uma trajetória recente marcada por mudanças de controle e desafios operacionais. A empresa, que antes era conhecida como Copel Telecom, foi privatizada em 2020 e adquirida pelo fundo Bordeaux, que pertence ao empresário Nelson Tanure, através de sua holding BP Participações. Desde então, a Ligga tem buscado se posicionar no mercado de telecomunicações, mas enfrentou obstáculos na implementação de sua rede 5G no Paraná.

Um dos pontos cruciais que motivaram a venda do espectro no Paraná foi o fato de a Ligga ainda não ter colocado a rede 5G em operação no estado, apesar de ter assumido as obrigações regulatórias no leilão. Essa inação gerava uma preocupação não apenas para a própria Ligga, mas também para a Unifique, sua parceira no Consórcio 5G Sul, que poderia ser penalizada por atrasos na cobertura. A transferência do espectro para a Unifique, portanto, reorganiza a execução prática do projeto de 5G na região, garantindo que as metas de cobertura sejam atendidas.

Além dos desafios operacionais, rumores de mercado indicam que Nelson Tanure estaria buscando compradores para a Ligga Telecom. A companhia teria sido colocada à venda por um valor estimado em R$ 2,5 bilhões, montante semelhante ao desembolsado na época da privatização da antiga Copel Telecom. Essa possível movimentação sugere uma reavaliação estratégica dos ativos de telecomunicações por parte do grupo de Tanure, e a venda da faixa de 5G no Paraná para a Unifique pode ser vista como parte desse processo de otimização ou desinvestimento.

Implicações Regulatórias e a Estratégia da Unifique

A aquisição do espectro 5G da Ligga pela Unifique possui profundas implicações regulatórias e estratégicas. Primeiramente, ela resolve um potencial impasse junto à Anatel. Como membro do Consórcio 5G Sul, a Unifique compartilhava a responsabilidade pelo cumprimento das obrigações de cobertura em toda a região. Com a Ligga atrasando a implantação no Paraná, havia um risco de que todo o consórcio, incluindo a Unifique, pudesse ser impactado por penalidades ou sanções regulatórias.

Ao assumir integralmente o espectro e os compromissos de cobertura no Paraná, a Unifique centraliza a execução do projeto 5G no estado. Isso permite à operadora ter controle total sobre o cronograma, a qualidade da infraestrutura e o cumprimento das metas estabelecidas pela Anatel. Essa centralização reduz significativamente os riscos regulatórios para a Unifique, que agora pode planejar e executar a expansão da rede de forma mais eficiente e autônoma, sem depender de um parceiro que apresentava dificuldades.

Do ponto de vista estratégico, a Unifique demonstra uma clara intenção de se consolidar como a principal operadora regional de 5G no Sul do Brasil. Ao concentrar o uso da faixa de 3,5 GHz em todos os três estados da região, a empresa ganha escala, otimiza seus investimentos em infraestrutura e pode oferecer um serviço mais homogêneo e competitivo. Essa estratégia não só fortalece sua posição no mercado, mas também a capacita a competir de forma mais eficaz com as grandes operadoras nacionais, oferecendo uma alternativa robusta e local para os consumidores da Região Sul.

A Atuação de Nelson Tanure no Setor de Telecomunicações

A presença de Nelson Tanure no setor de telecomunicações é um fator importante para entender o contexto da venda da faixa de 5G da Ligga para a Unifique. Tanure, um empresário conhecido por suas movimentações estratégicas em diversos setores, controla a Ligga Telecom por meio de sua empresa BP Participações e do fundo Bordeaux. Sua entrada no setor de telecomunicações se deu, de forma proeminente, com a aquisição da antiga Copel Telecom em 2020, que foi rebatizada como Ligga Telecom.

Além da Ligga, o grupo de Tanure também detém o controle da Sercomtel, uma operadora com forte atuação em Londrina, no Paraná. A Sercomtel também arrematou um bloco de 80 MHz na faixa de 3,5 GHz no leilão do 5G, mas com autorização para operar em São Paulo e estados da região Norte. Essa conexão entre Ligga e Sercomtel, ambas sob o controle do fundo Bordeaux, revela uma estratégia mais ampla de Tanure no setor, embora com focos geográficos distintos.

A possível venda da Ligga Telecom por cerca de R$ 2,5 bilhões, conforme noticiado, indica que Tanure pode estar reorganizando seus investimentos no setor. A decisão de vender a faixa de 5G no Paraná para a Unifique pode ser interpretada como parte de uma estratégia maior de desinvestimento ou de otimização de portfólio. Ao se desfazer de um ativo que gerava obrigações regulatórias e desafios de implantação, Tanure pode estar liberando recursos ou focando em outras áreas de maior potencial dentro de seu grupo empresarial.

O Futuro do 5G no Sul do Brasil e a Abrangência da Unifique

Com a aquisição do espectro 5G da Ligga no Paraná, a Unifique não apenas resolve um problema regulatório e expande sua área de atuação, mas também molda significativamente o futuro da conectividade de quinta geração na Região Sul do Brasil. Ao concentrar o uso da faixa de 3,5 GHz em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e agora de forma plena no Paraná, a operadora se posiciona como um provedor regional de 5G robusto e integrado.

A capacidade de centralizar o planejamento e a execução dos projetos de 5G em toda a região permitirá à Unifique maior eficiência na alocação de recursos, padronização de tecnologias e otimização de custos. Isso se traduzirá em uma implantação mais rápida e eficaz da rede, beneficiando os consumidores com acesso a uma internet de alta velocidade e baixa latência, características essenciais do 5G. A expansão para 1.191 municípios demonstra a ambição da empresa em se tornar uma força dominante no mercado regional.

Para os consumidores paranaenses, a chegada da Unifique com a responsabilidade plena pela implantação do 5G representa a garantia de que a tecnologia chegará aos 336 municípios com menos de 30 mil habitantes, conforme os compromissos assumidos. Isso é crucial para a inclusão digital e o desenvolvimento econômico dessas localidades, que de outra forma poderiam ter um acesso mais demorado ou limitado ao 5G. A Unifique, com sua expertise e foco regional, tem o potencial de transformar a paisagem da conectividade no Sul do Brasil, oferecendo uma alternativa competitiva e de qualidade.

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