O futuro da robótica está se desenrolando em uma velocidade impressionante. Em 2025, o mundo assistiu a um salto significativo nas vendas de robôs humanoides, um segmento que promete revolucionar diversas indústrias e aspectos do cotidiano.
Este avanço, no entanto, não foi distribuído igualmente. A China emergiu como a líder incontestável nesse cenário, com suas empresas dominando grande parte das remessas globais e estabelecendo novos padrões de produção em massa.
Enquanto o mercado ainda é considerado pequeno, seu potencial de expansão é gigantesco, projetando milhões de unidades até 2035, conforme dados recentes da consultoria Omdia.
A Disparada da China na Liderança Global
As remessas globais de robôs humanoides cresceram impressionantes 480% em 2025, atingindo mais de 13 mil unidades entregues. Este número representa quase o quintuplo do volume do ano anterior, marcando um ritmo acelerado de adoção e desenvolvimento.
A China foi o grande motor desse crescimento, respondendo pela esmagadora maioria dos equipamentos enviados. Empresas chinesas ocuparam seis das dez primeiras posições no ranking mundial, evidenciando uma vantagem competitiva inegável.
A startup AgiBot, de Xangai, liderou com 5.168 robôs humanoides, representando cerca de 38% do mercado mundial. Logo em seguida, a Unitree Robotics, de Hangzhou, distribuiu aproximadamente 4.200 unidades, alcançando 32% de participação.
A UBTech Robotics, de Shenzhen, garantiu a terceira colocação com cerca de mil robôs enviados. Outras empresas chinesas, como Leju Robotics, Engine AI e Fourier Intelligence, também se destacaram, reforçando a escala produtiva do país.
Lian Jye Su, analista da Omdia, ressaltou a capacidade chinesa: “Os fornecedores chineses estão estabelecendo novos padrões na produção em larga escala, tendo atingido a marca de milhares de unidades enviadas em um curto período, o que possibilita a implantação de dezenas de milhares de robôs anualmente”.
Por Que os Estados Unidos Ficaram Tão Atrás?
Em contraste com a performance chinesa, empresas americanas tiveram um desempenho modesto. A Tesla, por exemplo, enviou apenas 150 unidades de seus humanoides, o que corresponde a cerca de 1% do mercado global.
Empresas como Figure AI e Agility Robotics também ficaram na casa das 150 unidades cada, mostrando uma participação residual em volume. Analistas apontam que essa diferença se deve a uma série de fatores interligados.
A China tem se beneficiado de políticas públicas favoráveis, investimentos estatais e privados robustos, e uma infraestrutura industrial já preparada para escalar a produção de robôs humanoides.
O governo chinês classificou a “inteligência incorporada”, que é a IA aplicada a corpos físicos, como um setor estratégico. Essa priorização impulsionou significativamente o desenvolvimento local e a capacidade de inovação.
A Vantagem Competitiva dos Preços Chineses
O fator preço também desempenha um papel crucial na dominância chinesa. A Unitree, por exemplo, oferece modelos básicos de robôs humanoides por cerca de US$ 6 mil, aproximadamente R$ 32 mil, em uma conversão direta.
A AgiBot comercializa versões simplificadas por cerca de US$ 14 mil, ou aproximadamente R$ 76 mil. Esses valores são consideravelmente mais acessíveis em comparação com as estimativas de concorrentes americanos.
Elon Musk, da Tesla, já indicou que o Optimus, seu robô humanoide, deverá custar entre US$ 20 mil e US$ 30 mil, o equivalente a R$ 108 mil e R$ 162 mil, respectivamente, e ainda sem produção em larga escala.
Um Mercado Promissor Ainda em Estágio Inicial
Apesar do crescimento espetacular e da liderança chinesa consolidada, o mercado de robôs humanoides ainda está em sua fase inicial. Os volumes atuais, mesmo com o salto de 480%, são considerados pequenos pela Omdia.
Isso, no entanto, apenas reforça o imenso potencial de expansão para as próximas décadas. A projeção é que o volume global de remessas alcance impressionantes 2,6 milhões de unidades até 2035, indicando uma revolução tecnológica iminente.
A corrida para desenvolver e comercializar robôs humanoides está apenas começando, e a China já estabeleceu um ritmo que será difícil de ser alcançado pelos seus concorrentes ocidentais.