A Venezuela deu um passo significativo ao libertar os primeiros cidadãos americanos desde que o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, anunciou a possível soltura de presos políticos. Este movimento surge em meio a um cenário de grande expectativa e tensão política no país.
A libertação, que inclui ao menos quatro cidadãos dos Estados Unidos, marca um ponto de virada nas relações diplomáticas e na situação dos detidos estrangeiros. No entanto, o processo tem sido acompanhado de controvérsias.
O governo venezuelano afirma ter liberado um número considerável de pessoas, enquanto a oposição e diversas ONGs contestam veementemente esses dados, apontando para uma realidade muito diferente, conforme informações apuradas pela CNN.
Os Primeiros Americanos Libertados e o Anúncio Governamental
Pelo menos quatro cidadãos americanos que estavam detidos na Venezuela foram colocados em liberdade. Esta é a primeira vez que libertações de americanos são relatadas desde que Jorge Rodríguez, irmão da vice-presidente Delcy Rodríguez, havia prometido na última quinta-feira, dia 8, a soltura de “um número significativo” de presos políticos.
Estima-se que, nos últimos meses, ao menos cinco americanos haviam sido detidos no país. Além dos cidadãos dos Estados Unidos, as autoridades venezuelanas também confirmaram a libertação de cidadãos espanhóis e italianos desde o anúncio inicial.
Controvérsia sobre os Números Reais de Presos Políticos Libertados
Apesar dos anúncios, os números de libertações são um ponto de grande discórdia. De acordo com informações do site Efecto Cocuyo, Jorge Rodríguez afirmou nesta terça-feira que mais de 400 pessoas foram libertadas pelo regime chavista desde dezembro. Destas, 116 teriam sido liberadas nos últimos dias.
Contudo, ONGs e a oposição venezuelana contestam esses dados de forma significativa. A líder opositora María Corina Machado e Edmundo González, que foi vencedor da eleição presidencial de 2024 que a oposição considera fraudada, declararam que a prometida “libertação em massa” de presos políticos não está ocorrendo como anunciado.
O Desafio da Oposição e os Dados das ONGs
A oposição e organizações de direitos humanos apresentam números que divergem drasticamente dos divulgados pelo governo. De acordo com a Agência EFE, a ONG Foro Penal confirmou até esta terça-feira apenas 56 libertações.
A Plataforma Unitária Democrática (PUD), um bloco de oposição do qual María Corina e González fazem parte, relatou somente 76 solturas. Antes destas recentes liberações, a Venezuela contava com 806 presos políticos, segundo dados da Foro Penal, evidenciando a grande diferença entre as informações.
O Contexto Político das Libertações na Venezuela
A libertação dos cidadãos americanos e de outros estrangeiros ocorre em um momento delicado para a Venezuela, com pressões internacionais por respeito aos direitos humanos e abertura democrática. A questão dos presos políticos é um ponto central nas negociações e nas críticas ao governo.
As divergências nos números e a contestação da oposição sobre a extensão das libertações sublinham a persistente polarização política no país. O episódio reforça a complexidade do cenário venezuelano, onde a situação dos presos políticos continua sendo um tema de intensa fiscalização e debate global.