A narrativa de soberania da Venezuela é um equívoco: Entenda por que a intervenção internacional é vista por ativistas como um ato de libertação contra a ditadura de Nicolás Maduro.

Em meio a debates acalorados no Brasil sobre a situação da Venezuela, muitos brasileiros insistem em defender a suposta soberania do país, atribuindo as ações dos Estados Unidos a um mero interesse no petróleo. No entanto, para os próprios venezuelanos que vivem o drama da ditadura, essa visão está completamente equivocada.

Em Curitiba, a ativista venezuelana Rockmillys resumiu o sentimento de muitos de seus compatriotas: “Não se trata de uma questão de direita ou esquerda, se trata de ter cérebro”. Ela enfatizou que a luta é por vidas, não por recursos, afirmando: “Não é sobre petróleo, é sobre gente”.

Este artigo busca desmistificar essa narrativa, apresentando a perspectiva daqueles que foram diretamente afetados pelo regime de Nicolás Maduro e explicando por que a intervenção é vista como uma libertação da Venezuela, conforme relatos de imigrantes venezuelanos.

A Farsa da Soberania e a Ditadura de Maduro

A primeira premissa crucial para entender a crise venezuelana é que não se trata de um governo comum, muito menos de uma democracia. A ideia de soberania é minada em um país onde a lei não prevalece e as instituições são subjugadas por um regime autoritário.

A realidade na Venezuela é marcada por urnas forjadas e fraudes eleitorais sistemáticas. Mais de 80% das atas eleitorais, cuidadosamente preservadas pelos fiscais da oposição, revelam a manipulação dos resultados, um material que está publicamente disponível e que configura, possivelmente, a fraude mais documentada do mundo.

Sem um povo soberano, que possa expressar sua vontade livremente, não há soberania genuína. Consequentemente, a base de uma democracia é inexistente, tornando inviável qualquer argumento de respeito à soberania em um contexto de ditadura.

O Grito de um Povo Exilado e Preso

As consequências das eleições fraudadas e da repressão do regime são devastadoras. Milhares de presos políticos foram detidos, como o caso de Maria Oropeza que, por denunciar o regime nas redes sociais, foi sequestrada de sua própria casa e está há mais de um ano presa no El Helicoide, conhecido como o maior centro de tortura da América Latina.

Maria é apenas uma entre milhares de pessoas que enfrentam um futuro incerto nas prisões venezuelanas. Além dos que estão presos, há os 8 milhões de venezuelanos, cerca de 25% de toda a população, que foram forçados a deixar o país para escapar da perseguição e da miséria.

Hector, um imigrante venezuelano em Curitiba, deixou um recado comovente: “Se virem algum imigrante venezuelano pelo Brasil, saibam que não estamos fazendo turismo. Nós fomos expulsos do nosso país”. Isso reforça a ideia de que a situação não é uma violação de soberania, mas um clamor por socorro e por uma libertação da Venezuela.

O Fracasso das Vias Pacíficas e a Ação Internacional

É importante ressaltar que o regime de Nicolás Maduro não se consolidou da noite para o dia. Houve inúmeras tentativas internas para derrubá-lo de forma pacífica e democrática, todas elas frustradas pela intransigência do governo.

Em 2019, Juan Guaidó, então presidente da Assembleia Nacional, declarou-se presidente interino e foi reconhecido por mais de 50 países. Essa tentativa de saída pacífica resultou em perseguição, perda de direitos políticos e exílio para Guaidó e seus apoiadores, evidenciando o fracasso da via diplomática.

Mais recentemente, em 2024, María Corina Machado liderou a oposição de forma exemplar. Após ser inabilitada pelo regime, ela apoiou Edmundo González, cuja vitória foi comprovada, mas rapidamente anulada por um golpe de Estado do regime. Após um ano e meio de pressão e mobilização, Maduro não cedeu um centímetro.

A pergunta, portanto, não deveria ser por que os Estados Unidos agem, mas “por que o mundo parou de se importar?”. A ação dos EUA, liderada por Donald Trump e Marco Rubio, não foi repentina. Houve avisos claros, como o posicionamento do maior porta-aviões do mundo e o sequestro de petroleiros, dando a Maduro várias chances de recuar. Quando todas as vias políticas e diplomáticas falham, o que resta é consequência, não escolha, culminando na busca pela libertação da Venezuela.

Além do Petróleo: O Resgate Econômico da Venezuela

Apesar de a Venezuela possuir a maior reserva de petróleo do mundo, esse recurso tem sido mal gerido pelo regime chavista, contribuindo com apenas cerca de 1% do comércio global. A produção despencou de um pico de 3,7 milhões para cerca de 1 milhão de barris por dia, um volume irrelevante em um mercado que movimenta mais de 100 milhões diariamente.

O petróleo venezuelano é de baixa qualidade e exige alto refinamento, mas a estatal PDVSA foi sucateada e saqueada pelo regime, afastando investimentos externos após a expropriação de operações de empresas como a ExxonMobil. Isso demonstra que o petróleo foi usado como ferramenta de poder e corrupção, não de desenvolvimento.

A proposta de Donald Trump visa retomar investimentos no refino e infraestrutura, inclusive americanos, para ampliar a capacidade produtiva. O objetivo é diversificar as vendas, hoje 80% destinadas à China, e, sobretudo, devolver essa riqueza ao povo venezuelano, que foi roubado e extorquido por décadas. A intervenção é, assim, também um passo para a libertação econômica da Venezuela.

Embora a captura de Maduro seja um marco, a ditadura ainda não terminou. Figuras como a vice-ditadora Delcy Rodríguez, seu irmão Jorge Rodríguez, e o general Diosdado Cabello permanecem ativos. Os presos políticos continuam detidos e o aparato de repressão ainda existe. O regime, embora ferido, perdura.

Pela primeira vez em décadas, no entanto, há uma luz no fim do túnel. Estamos mais perto do fim do que do começo, um resultado direto da estratégia liderada por Donald Trump e Marco Rubio. É crucial que o mundo escolha o lado certo da história, condenando ditadores e apoiando a libertação da Venezuela, para que o país possa finalmente emergir dos tempos mais sombrios que já viveu.

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