A Venezuela vive um momento de grande incerteza após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro por forças norte-americanas. Embora Maduro já esteja encarcerado nos Estados Unidos, onde enfrentará julgamento por envolvimento com o narcotráfico internacional, o sistema que ele ajudou a construir, o chavismo, continua firmemente enraizado no país.
As principais figuras do regime bolivariano mantêm suas posições, e a transição para uma verdadeira democracia parece ser um caminho longo e cheio de obstáculos. A comunidade internacional, especialmente os Estados Unidos, agora observa atentamente os próximos passos, buscando entender se a saída de Maduro significará uma mudança genuína ou apenas uma reorganização do poder chavista.
Este cenário complexo levanta questões cruciais sobre o futuro da Venezuela pós-Maduro e a capacidade das forças democráticas de restaurar a liberdade em um país marcado por anos de autoritarismo e repressão, conforme as informações mais recentes.
A Persistência do Chavismo no Poder
Com a saída de Maduro, a Venezuela está nominalmente sob o comando de Delcy Rodríguez, uma figura radical de esquerda e irmã do atual presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. Segundo o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, os EUA “podem trabalhar” com Rodríguez, apesar de sua ilegitimidade, uma vez que ela estava na chapa derrotada nas eleições de 2024.
Além de Delcy e seu irmão, vários cúmplices de Hugo Chávez e Nicolás Maduro continuam em seus cargos. Ministros como Diosdado Cabello, do Interior, e Vladimir Padrino López, da Defesa, permanecem exercendo forte influência. Cabello, inclusive, é acusado de fazer parte do Cartel de los Soles, envolvido no tráfico internacional de drogas, evidenciando a profundidade da corrupção e do crime organizado dentro da estrutura chavista.
As forças armadas venezuelanas seguem leais ao bolivarianismo, assim como o Judiciário e o Legislativo, ambos cooptados pelo regime. Os chamados coletivos paramilitares permanecem armados, e agentes de países aliados, como Cuba e Irã, ainda estão presentes no território venezuelano, consolidando um ecossistema de opressão que dificulta qualquer mudança imediata.
O Dilema da Transição e a Pressão Americana
Os Estados Unidos, que articularam a captura de Maduro, agora se encontram em um dilema. Embora o resultado ideal seja a entrega do poder à oposição legítima, liderada por María Corina Machado e seu candidato eleito, Edmundo González Urrutia, isso parece inviável no curto prazo devido à força do chavismo.
Donald Trump prometeu uma ação “muito maior que a primeira” se Delcy Rodríguez “não cooperar”. Contudo, a natureza dessa cooperação é incerta. Seria apenas permitir que empresas norte-americanas restaurassem a exploração de petróleo na Venezuela, mantendo o chavismo no poder, ou preparar o terreno para o fim da ditadura e o restabelecimento da democracia?
Marco Rubio afirmou à CBS que os Estados Unidos desejam “uma transição integral para a democracia”. No entanto, a clareza sobre como essa transição ocorrerá, e em que prazo, ainda é escassa. A colaboração temporária com o chavismo só seria tolerável se o objetivo final for o restabelecimento da democracia no médio prazo, evitando que o povo venezuelano continue a sofrer.
O Caminho para a Democracia e a Liberdade
A verdadeira democracia e liberdade na Venezuela dependem de duas condições essenciais. Primeiramente, o chavismo e seus cúmplices devem ser completamente afastados da vida pública, sem qualquer voz no futuro do país, dadas a gravidade de seus crimes. Idealmente, eles deveriam responder por suas ações, interna ou externamente, no Tribunal Penal Internacional.
Em segundo lugar, Edmundo González Urrutia precisa assumir o poder e exercer o mandato para o qual foi eleito pelos venezuelanos. Na pior das hipóteses, ele deveria assumir interinamente com o objetivo de convocar eleições limpas e transparentes, supervisionadas pela comunidade internacional. Somente assim a Venezuela pós-Maduro poderá vislumbrar um futuro de liberdade.
Lições do Passado e o Futuro da Venezuela
Os Estados Unidos precisam estar cientes das consequências de intervenções que deixam um vácuo de poder ou permitem que facções opressoras se imponham pela força. Exemplos como o Iraque, que viu o surgimento do Estado Islâmico, e a desastrosa retirada do Afeganistão, que permitiu o retorno do Talibã, servem como alertas.
É crucial que a estratégia para a Venezuela evite a repetição desses erros. A comunidade internacional deve garantir que a saída de Maduro não resulte em um novo ciclo de instabilidade ou na perpetuação da opressão, mas sim em um caminho claro e irreversível para a democracia e a liberdade do povo venezuelano.