Venezuela critica alerta dos EUA e afirma que país vive em “absoluta calma e estabilidade”
Os Estados Unidos emitiram um novo e severo alerta de segurança, elevando a Venezuela ao nível máximo de recomendação de viagem. A advertência orienta cidadãos americanos a “não viajar” ao país sul-americano e, se já estiverem lá, a deixarem-no “imediatamente”, citando diversos riscos potenciais.
Em uma resposta contundente, o governo venezuelano, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, classificou o alerta como uma distorção da realidade. Caracas alega que a medida se baseia em informações falsas, buscando “fabricar uma percepção de risco que não existe” e desestabilizar a imagem do país.
A troca de acusações ocorre em um momento de complexidade política, marcado por anúncios de liberação de detidos na Venezuela. Esse contexto adiciona camadas de tensão à já fragilizada relação diplomática entre as duas nações, conforme informações divulgadas.
Detalhes do Alerta Americano e Riscos Apontados
O alerta de segurança emitido pelos Estados Unidos mantém a Venezuela no nível 4, o mais alto em sua escala de recomendações de viagem. Entre os perigos citados, estão as detenções arbitrárias, a presença e atuação de grupos armados irregulares, além de interrupções frequentes em serviços essenciais como eletricidade e água.
As autoridades americanas também destacam a impossibilidade de oferecer assistência consular efetiva, uma vez que a presença diplomática foi suspensa em 2019. O Departamento de Estado americano afirma que a situação de segurança na Venezuela é “fluida” e aconselha cautela redobrada a todos os seus cidadãos.
A Versão Venezuelana: Normalidade e Estabilidade
Em contrapartida, o governo venezuelano insiste que o país vive um cenário de total normalidade. O comunicado da chancelaria afirma que a “Venezuela se encontra em absoluta calma, paz e estabilidade”, desmentindo as alegações de perigo iminente para os viajantes.
Segundo Caracas, todos os centros povoados, vias de comunicação, pontos de controle e dispositivos de segurança funcionam com normalidade. O governo venezuelano ratifica seu compromisso com a proteção da paz, a estabilidade institucional e a convivência do povo venezuelano, sem detalhar as acusações específicas dos EUA.
Contexto Político: Detenções e Liberações
O alerta de segurança dos EUA foi divulgado em meio a movimentações significativas no cenário político venezuelano. O governo de Nicolás Maduro anunciou a libertação de um “número significativo” de detidos, apresentando a medida como um gesto em favor da paz e do diálogo.
Entre os indivíduos aguardados por suas famílias, estariam opositores políticos, ativistas, jornalistas e militares. Contudo, o governo venezuelano nega veementemente a existência de presos políticos no país, afirmando que os detidos estavam envolvidos em conspirações contra o Estado.
Impacto na Relação Bilateral e Percepção de Risco
A divergência sobre a situação interna da Venezuela e a emissão do alerta de segurança por parte dos Estados Unidos aprofundam o abismo nas relações bilaterais. Enquanto Washington foca nos riscos percebidos para seus cidadãos, Caracas acusa a Casa Branca de usar a segurança como ferramenta para criar uma imagem distorcida do país.
Essa disputa pela narrativa sobre a percepção de risco na Venezuela é crucial, pois afeta não apenas a circulação de pessoas, mas também as decisões de investimentos e o posicionamento de outros países em relação ao governo venezuelano, mantendo um cenário de contínua tensão internacional.