Crise e Repressão no Irã: ONG Revela Mais de 500 Mortos em Protestos Intensos que Desafiam o Regime dos Aiatolás
A onda de protestos no Irã, que se intensificou nas últimas semanas, atingiu um patamar alarmante de violência e repressão. As manifestações, inicialmente motivadas pela severa crise econômica, evoluíram para um clamor contra a República Islâmica e o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, espalhando-se por centenas de cidades.
A situação no país persa é de crescente tensão, com o regime respondendo de forma brutal aos manifestantes. A comunidade internacional observa com preocupação o desenrolar dos eventos, enquanto a população iraniana enfrenta dificuldades e a falta de liberdade de expressão.
Dados recentes divulgados por uma organização de direitos humanos trazem à luz a dimensão trágica desses confrontos. Conforme informações divulgadas pela ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA) neste domingo (11), a violência nos protestos no Irã já causou a morte de pelo menos 538 pessoas.
Balanço de Mortos e Detidos: Um Cenário de Conflito Generalizado
A HRANA, que opera a partir dos Estados Unidos e se opõe ao regime dos aiatolás, detalhou o triste balanço das vítimas. Do total de 538 mortos confirmados, 490 são manifestantes, entre eles oito menores de idade. Além disso, 48 membros das forças de segurança iranianas também perderam a vida nos confrontos, evidenciando a gravidade da situação.
Skylar Thompson, subdiretora da HRANA, informou à Agência EFE que o número de mortos nos 15 dias de protestos no Irã pode ser ainda maior, chegando a 579, embora este dado esteja em processo de verificação. A organização continua monitorando a situação e atualizando as informações sobre as vítimas e a repressão.
Vidas Interrompidas e Prisões em Massa Marcam os Protestos no Irã
Os números de mortos não são os únicos a chocar. Desde o início da mobilização, um grande número de pessoas foi detido pelas autoridades iranianas. A HRANA contabiliza que 10.675 pessoas foram presas, incluindo 160 menores de idade e 52 estudantes. Essas prisões em massa buscam conter o ímpeto dos manifestantes, mas parecem apenas alimentar a revolta popular.
A repressão se estende além das prisões, afetando a comunicação. Atualmente, não há internet nem cobertura telefônica há mais de 72 horas em centenas de cidades do Irã onde os protestos ocorrem, uma tática para dificultar a organização dos manifestantes e a divulgação de informações para o mundo exterior.
Da Crise Econômica à Revolta Contra o Regime: A Evolução dos Protestos Iranianos
As manifestações tiveram início em 28 de dezembro, impulsionadas pela profunda crise econômica que afeta o país. No entanto, o descontentamento rapidamente transcendeu as questões financeiras, transformando-se em um movimento de oposição mais amplo contra a República Islâmica e seu líder supremo.
Os protestos no Irã se multiplicaram por mais de 100 cidades de todo o país, demonstrando uma insatisfação generalizada com o governo e suas políticas. A população iraniana clama por mudanças, enfrentando a repressão e os riscos à própria vida em busca de um futuro diferente.