O tapete vermelho do Globo de Ouro, em Los Angeles, foi palco de um momento inusitado e de grande celebração para o Brasil. O ator Wagner Moura, acompanhado por membros da equipe do filme “O Agente Secreto”, desfilou carregando um pequeno panfleto, conhecido como “santinho”, com a imagem da atriz Fernanda Torres.
Apelidado carinhosamente de “Fernanda da Sorte” e distribuído pela equipe da TNT e HBO Max, que transmitiram a cerimônia, o item se tornou um amuleto peculiar. O ator Gabriel Leone, integrante do elenco, revelou que a imagem foi batizada de “Santa Nanda da Sorte”.
A escolha de Fernanda Torres não foi aleatória, pois no ano anterior ela havia conquistado o prêmio de melhor atriz de filme de drama por “Ainda Estou Aqui”. A pergunta que pairava no ar era se a simpatia daria resultado, e a resposta veio em grande estilo, com vitórias históricas para o cinema brasileiro.
O Amuleto da Sorte que Conquistou Hollywood
O “santinho da sorte” com a imagem de Fernanda Torres não passou despercebido no Globo de Ouro. O objeto, uma homenagem bem-humorada à atriz, foi visto nas mãos de Wagner Moura, de Alice Carvalho, outra integrante do elenco, e do próprio diretor Kleber Mendonça Filho, enquanto posavam para as câmeras.
A iniciativa da equipe da TNT e HBO Max de distribuir os “santinhos” adicionou um toque de brasilidade e superstição à premiação. A expectativa em torno de como esse amuleto influenciaria a noite era grande, especialmente considerando o sucesso anterior de Fernanda Torres na mesma cerimônia.
Vitórias Históricas para o Cinema Brasileiro
A aposta no “santinho da sorte” parece ter funcionado. Wagner Moura repetiu o feito de sua colega Fernanda Torres, tornando-se o primeiro brasileiro a vencer na categoria de melhor ator em filme de drama no Globo de Ouro. Uma conquista que ecoa a força e o talento dos artistas nacionais.
A celebração não parou por aí. O filme “O Agente Secreto” também foi agraciado com o prêmio de melhor filme em língua não inglesa, consolidando uma noite memorável. A produção saiu da premiação com dois troféus, estabelecendo um novo recorde para o cinema brasileiro no Globo de Ouro.
A Força do Cinema em Língua Não Inglesa
No tapete vermelho, Wagner Moura refletiu sobre a crescente valorização do cinema em língua não inglesa no cenário internacional. “Tem mudado, mas esse é o mundo deles, é a terra deles, o cinema deles. Mas tem mudado pela força dos filmes feitos fora daqui”, afirmou o ator à GloboNews.
Ele citou exemplos de produções estrangeiras que têm forçado Hollywood a reconhecer sua qualidade. “‘Valor Sentimental’, ‘Sirât’, ‘Foi Apenas Um Acidente’. São extraordinários. Eles têm de se render à força desses filmes”, destacou Moura, enfatizando a importância da diversidade cinematográfica.
Arte, Memória e o Impacto de “O Agente Secreto”
Além das vitórias, Wagner Moura aproveitou para ressaltar o papel social da arte. “Eu dirigi um filme sobre a ditadura, ‘Marighella’. A ditadura ainda é uma ferida aberta, e a gente deve continuar a fazer filmes, cada um vai ser diferente”, disse, conectando a arte à preservação da memória e à educação do espírito.
O diretor Kleber Mendonça Filho, em entrevista à TNT, comentou sobre o impacto das indicações do Globo de Ouro na bilheteria de “O Agente Secreto” mundialmente. “O nosso país tem um problema com a memória. ‘O Agente Secreto’ é um filme sobre amnésia, e tem se tornado universal por falar sobre o poder querendo esmagar alguém”, concluiu, sublinhando a relevância temática do filme.