África busca tecnologia pecuária brasileira para ampliar produção e garantir segurança alimentar

Países africanos intensificam a busca por tecnologia pecuária desenvolvida no Brasil, visando não apenas a aquisição de animais e material genético, mas também a implementação de soluções completas para o aumento da produção de carne e leite em regiões tropicais.

O movimento tem impulsionado as exportações brasileiras de genética zebuína e fortalecido a presença de empresas nacionais no continente, com um volume de negócios que já ultrapassou US$ 392 milhões em 2025 apenas com gado vivo e material genético bovino.

Essa crescente demanda reflete o objetivo africano de alcançar a segurança alimentar e se tornar menos dependente de importações, utilizando o modelo de produção tropical brasileiro como referência, conforme informações divulgadas pela ASBIA e empresas do setor.

Crescimento expressivo nas exportações de genética bovina para a África

O ano de 2025 marcou um período de forte expansão para o setor de genética bovina no Brasil, com um aumento significativo tanto na entrada de doses de sêmen quanto no volume de comercialização. Nesse cenário promissor, a África surge como um mercado estratégico e de grande potencial para a expansão da genética zebuína brasileira.

Empresas como a Zebuembryo já veem o continente africano como uma de suas principais frentes de exportação, respondendo por cerca de 40% da venda de embriões da companhia. A expectativa é que essa participação se amplie consideravelmente nos próximos anos, impulsionada pela demanda crescente por alimentos e pela busca por maior eficiência produtiva.

“A África é a nossa próxima fronteira. Temos um continente ainda completamente inexplorado, com baixa adesão à tecnologia, mas com potencial gigantesco do ponto de vista da demanda por segurança alimentar e produção de alimentos”, destaca Bento Mineiro, sócio-fundador da Zebuembryo.

Modelo de produção tropical brasileiro como referência mundial

O interesse africano pela pecuária brasileira vai além da simples aquisição de genética. Os países do continente buscam replicar e adaptar o modelo de produção tropical desenvolvido no Brasil ao longo das últimas décadas. Essa expertise brasileira é reconhecida mundialmente como uma solução eficaz para regiões com características climáticas semelhantes, oferecendo um pacote tecnológico completo.

Esse pacote abrange desde a genética zebuína, conhecida por sua rusticidade e adaptação a climas quentes, até o desenvolvimento de pastagens adaptadas, sanidade animal rigorosa, sistemas de manejo eficientes e o uso de equipamentos específicos. O objetivo é criar cadeias produtivas robustas e autossuficientes na produção de carne e leite.

“A agropecuária tropical brasileira tem sucesso em todas as frentes e, no caso da pecuária, tem o zebu como protagonista. Eles vêm buscar não apenas o produto final, mas como montar toda uma cadeia de produção”, explica Mineiro. A adequação desse modelo às realidades locais africanas é vista como um diferencial competitivo.

Missões internacionais e o interesse crescente da África pelo know-how brasileiro

O fortalecimento das relações comerciais e a troca de conhecimentos se manifestam através do aumento de missões internacionais ao Brasil. A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) tem recebido delegações africanas com frequência, compostas por ministros da Agricultura, representantes governamentais, pesquisadores e empresários.

Esses visitantes demonstram um forte interesse em conhecer de perto a tecnologia e as práticas que tornaram a pecuária brasileira uma referência global. Eventos como a Expozebu, realizada em Uberaba (MG), têm atraído um número expressivo de estrangeiros, com uma parcela significativa vinda de países africanos, ávidos por aprender e implementar soluções eficientes em seus territórios.

“Eles estão buscando ser mais eficientes e fortalecer sua produção local. Existe uma demanda crescente por segurança alimentar e pela capacidade de produzir mais proteína dentro dos próprios países”, ressalta Mineiro, evidenciando a importância estratégica dessas intercâmbios.

Segurança alimentar como prioridade estratégica em um cenário global instável

A prioridade dada à produção local de alimentos na África ganhou força após eventos globais que expuseram a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento. A pandemia de COVID-19, seguida por conflitos internacionais como a guerra na Ucrânia, evidenciou a fragilidade das relações comerciais globais e a necessidade de os países garantirem seu próprio suprimento de alimentos.

A autossuficiência alimentar, que sempre foi um objetivo para muitas nações, ascendeu a um patamar ainda mais estratégico nos últimos anos. Governos africanos buscam ativamente fortalecer suas capacidades produtivas internas para assegurar o abastecimento de suas populações e reduzir a dependência externa, tornando a segurança alimentar um pilar fundamental de suas políticas.

Essa preocupação crescente se traduz em investimentos em tecnologia e desenvolvimento, onde o modelo pecuário brasileiro se apresenta como uma solução viável e comprovadamente eficaz para enfrentar os desafios climáticos e de produção do continente africano.

Investimentos brasileiros impulsionam expansão da capacidade produtiva

O avanço dos negócios no mercado africano tem sido um catalisador para investimentos significativos na estrutura de empresas brasileiras especializadas em genética bovina. A Zebuembryo, por exemplo, está em processo de ampliação de seu laboratório de produção de embriões e das áreas dedicadas à quarentena e preparação de animais para exportação.

Atualmente, a empresa produz cerca de 22 mil embriões anualmente, com a meta de alcançar aproximadamente 30 mil no próximo ciclo produtivo e, posteriormente, atingir uma capacidade de até 60 mil embriões por ano. Essa expansão, concentrada na unidade de Uberaba (MG), um polo mundial da genética zebuína, visa atender à demanda crescente e consolidar a posição da empresa no mercado internacional.

“Nós estamos ampliando nossas estruturas porque enxergamos uma possibilidade muito grande de crescimento. Nossa expectativa é crescer entre 30% e 40% nos próximos anos”, afirma Bento Mineiro. A empresa também planeja dobrar sua capacidade de doadoras, passando de 300 para 600 matrizes em produção.

Novos mercados e a consolidação da genética zebuína brasileira

Além do foco na África, a Zebuembryo também direciona seus esforços para a prospecção de novos mercados no Sudeste Asiático. Países como Indonésia, Vietnã, Tailândia e Camboja já manifestaram interesse pela genética bovina brasileira, e negociações para os primeiros embarques estão em andamento, demonstrando o alcance global da tecnologia nacional.

Essa estratégia de expansão conta com o apoio de importantes entidades brasileiras, como a ABCZ, a ApexBrasil e o Ministério da Agricultura, além da rede de adidos agrícolas no exterior. O objetivo é disseminar o modelo produtivo brasileiro e fortalecer a imagem da agropecuária nacional em diferentes regiões tropicais do planeta.

“Estamos buscando novos mercados de forma incansável. A genética zebuína é uma tecnologia genuinamente brasileira e pode desempenhar um papel estratégico em diversos países tropicais”, destaca Mineiro. A exportação desse modelo produtivo representa uma oportunidade comercial e um fortalecimento da imagem do Brasil como líder em soluções agropecuárias.

Oportunidade estratégica: exportação de um modelo produtivo

Para Bento Mineiro, o avanço da genética bovina brasileira no exterior transcende a esfera comercial, configurando-se como a exportação de um modelo produtivo consolidado e adaptado às necessidades de países tropicais. Essa tecnologia, desenvolvida no Brasil, torna-se uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento da produção de alimentos em outras nações.

A disseminação desse conhecimento não apenas impulsiona a exportação de genética, mas também eleva a reputação da agropecuária brasileira no cenário internacional. Ao oferecer soluções eficazes para a produção de carne e leite em climas tropicais, o Brasil abre portas para a comercialização de outros produtos e serviços do agronegócio, consolidando sua posição como um parceiro estratégico para o desenvolvimento global.

A colaboração entre Brasil e África na área pecuária exemplifica como a inovação tecnológica e a transferência de conhecimento podem ser fundamentais para enfrentar os desafios da segurança alimentar e promover o desenvolvimento sustentável em escala global.

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