A economia chinesa enfrenta um cenário complexo, com a inflação anual dos preços ao consumidor atingindo o maior nível em 34 meses em dezembro. Este aumento, no entanto, não esconde uma batalha contínua contra a deflação nos preços ao produtor, um sinal preocupante para a demanda interna.
O desequilíbrio entre o aumento dos custos para o consumidor e a queda dos preços para as indústrias agrava as expectativas do mercado. Analistas preveem que o governo chinês terá de intensificar as medidas de estímulo para sustentar um crescimento mais robusto na segunda maior economia do mundo.
Os dados, divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China, reforçam a necessidade de ações urgentes, conforme informações publicadas pela Reuters.
Inflação ao Consumidor: Detalhes da Alta
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de dezembro registrou uma alta de 0,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, ligeiramente acima dos 0,7% de novembro. Este resultado alinhou-se com as projeções de uma pesquisa da Reuters.
A elevação dos preços foi impulsionada principalmente pelos alimentos, com um aumento notável de 18,2% nos vegetais frescos e de 6,9% na carne bovina. As compras de fim de ano e as políticas de apoio contribuíram para essa elevação, segundo Dong Lijuan, estatístico do escritório.
Na comparação mensal, os preços ao consumidor subiram 0,2% em dezembro, revertendo a queda de 0,1% do mês anterior. Apesar disso, o aumento dos preços ao consumidor em todo o ano de 2025 permaneceu estável, bem abaixo da meta oficial de cerca de 2%.
A Persistente Deflação no Setor Produtivo
Enquanto a inflação ao consumidor subia, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) registrou uma queda de 1,9% em dezembro, em comparação com o ano anterior. Isso marca um período de deflação que se estende por mais de três anos no setor produtivo.
Apesar da persistência, a queda foi menos acentuada do que o recuo de 2,2% observado em novembro, e também menor do que a expectativa de 2% de queda na pesquisa da Reuters. Essa moderação é atribuída à alta dos preços globais de commodities, como metais não ferrosos, e às políticas de controle de capacidade.
No acumulado do ano, os preços ao produtor caíram 2,6%, um indicativo claro de que a capacidade produtiva excede a demanda, gerando pressões deflacionárias significativas para as indústrias chinesas.
Demanda Interna Fraca e a Crise Imobiliária
Apesar do crescimento econômico projetado para atingir a meta de Pequim de