Uma decisão impactante foi tomada nesta terça-feira, dia 6, por hospitais e clínicas do Rio de Janeiro. Eles optaram por se descredenciar da rede da Unimed Ferj, marcando um novo e grave capítulo na relação entre a operadora de saúde e seus prestadores de serviço.

A medida prevê a suspensão do atendimento para beneficiários da Unimed Ferj em um prazo de 30 dias. Esta interrupção, que pode afetar milhões de pessoas, está condicionada à notificação de órgãos reguladores importantes.

Entre os órgãos a serem notificados estão o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), além das secretarias municipal e estadual de Saúde. A informação foi divulgada pela Associação de Hospitais do Estado do Rio de Janeiro (Aherj), responsável pela decisão.

A Decisão da Aherj e a Dívida Bilionária

A decisão foi formalizada durante uma assembleia da Aherj, entidade que representa 107 hospitais e clínicas no estado. Embora nem todas as unidades sejam credenciadas da Unimed Ferj, a determinação de descredenciamento se estende a todos os estabelecimentos associados.

Este anúncio é mais um desdobramento de uma série de conflitos que têm marcado a relação entre a Unimed Ferj e sua rede credenciada ao longo do último ano. A operadora enfrenta uma crise financeira que tem gerado grande preocupação no setor de saúde suplementar.

Segundo cálculos apresentados pela Aherj, a Unimed Ferj acumula dívidas que superam a impressionante marca de R$ 2 bilhões com os hospitais do Rio de Janeiro. Contudo, a operadora nega veementemente este valor, criando um impasse que agrava ainda mais a situação.

Histórico de Descredenciamentos e Suspensões

A crise entre a Unimed Ferj e seus prestadores de serviço não é recente. Em fevereiro de 2023, a Rede D’Or, uma das maiores do país, já havia deixado de aceitar pacientes da operadora, sinalizando os primeiros sinais de problemas.

Em setembro do mesmo ano, a situação se agravou. Os prontos-socorros de hospitais como Pró-Cardíaco (Botafogo), Vitória (Barra), São Lucas (Copacabana) e Santa Lúcia (Botafogo), todos pertencentes à Rede Américas, suspenderam a cobertura para beneficiários de planos específicos da Unimed Ferj, como Delta, Plus, Safira e Unipart Especial.

Pouco tempo depois, mais 13 hospitais, incluindo unidades da Rede Casa e do Grupo Prontobaby, também anunciaram a suspensão do atendimento para os beneficiários da operadora, ampliando o cenário de incerteza para os usuários da Unimed Ferj.

Intervenção da Unimed do Brasil e Novos Acordos

Diante do cenário crítico, a Unimed do Brasil, que assumiu a carteira de usuários da Ferj, agiu para tentar normalizar os serviços. No início de dezembro, a entidade informou ter firmado acordos com seis redes hospitalares e de laboratórios.

O objetivo desses acordos é “normalizar e expandir o atendimento” aos usuários. A lista de unidades que voltaram a ter cobertura inclui redes importantes como ProntoBaby, Américas (com hospitais como Pró-Cardíaco, Vitória e São Lucas) e Oncoclínicas, que anteriormente haviam suspendido atendimentos por falta de pagamentos da Unimed Ferj.

Ainda que existam novos acordos, a recente decisão dos hospitais do Rio de Janeiro de promover um descredenciamento em massa da Unimed Ferj mostra que a crise está longe de ser resolvida. Milhões de beneficiários aguardam com apreensão os próximos passos e o impacto direto em seus planos de saúde e acesso a serviços médicos.

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