Augusto Cury defende forte taxação sobre apostas esportivas e reforma administrativa

Em entrevista à TV Globo, o candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) apresentou um plano econômico abrangente, com foco principal na reestruturação das contas públicas e na modernização da gestão governamental. Entre as propostas mais contundentes, destaca-se a defesa de uma taxação de 52% sobre as empresas de apostas esportivas, as chamadas bets, além de um corte significativo no número de ministérios e a criação de uma secretaria executiva dedicada à Inteligência Artificial e Robótica.

Cury argumentou que a elevação dos impostos sobre as bets, atualmente em 12%, é uma medida “razoável” e essencial para gerar receita e abater a dívida pública. A proposta se insere em um contexto de preocupação com o endividamento do país, que o candidato descreve como “números estratosféricos”. A entrevista, realizada neste sábado (29), foi a última de uma série com candidatos à Presidência promovida pela emissora, servindo como plataforma para Cury expor suas visões sobre temas cruciais como economia, administração pública e tecnologia.

As declarações de Cury abrangem ainda a valorização do salário mínimo, o combate à corrupção e a necessidade de uma maior responsabilidade fiscal. O candidato busca apresentar um pacote de medidas que, segundo ele, podem não apenas melhorar a saúde financeira do governo, mas também impulsionar o desenvolvimento econômico e social do Brasil, conforme informações divulgadas pela própria emissora.

Taxação de 52% nas bets: uma medida para equilibrar as contas públicas

Um dos pontos centrais do plano de Augusto Cury é a proposta de elevar a tributação sobre as empresas de apostas esportivas para 52%. O candidato ressaltou a discrepância entre a alíquota atual das bets (12%) e as de outros setores, como alimentos (18%) e energia elétrica (30% a 33%). Segundo Cury, essa medida, se implementada, poderia gerar uma economia significativa para os cofres públicos, chegando a reduzir a dívida externa em até 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Eu taxaria as bets seriamente. Sabe quanto as bets pagam de imposto? Pagam 12%. Alimento, 18%. E, por incrível que pareça, luz, 30%, 33%. Se nós não taxarmos as bets… E deveríamos taxá-las, tá, é pelo menos com 50%, nós vamos ter uma economia muito grande. Talvez 40% a mais em relação aos 12%, 52% seria uma taxação razoável”, declarou o candidato durante a entrevista.

Além da taxação das apostas, Cury mencionou outras estratégias para fortalecer as finanças públicas. Entre elas, estão o financiamento de 10 milhões de microempresas, a realização de uma auditoria minuciosa na administração pública, a revisão de cerca de 50 mil cargos comissionados e a análise criteriosa de contratos públicos visando o combate à corrupção e a otimização dos gastos. A defesa de uma gestão fiscal mais responsável é um pilar fundamental de sua plataforma, visando criar um ambiente propício para a redução da taxa básica de juros, a Selic.

Corte de ministérios e foco em eficiência administrativa

Augusto Cury também sinalizou uma intenção clara de reduzir o tamanho da máquina pública, propondo a extinção de diversos ministérios. Embora não tenha especificado quais seriam extintos, Cury estima que o número de pastas poderia ser reduzido para algo entre oito e dez. Essa reconfiguração, segundo ele, seria resultado de uma “análise criteriosa”, com o objetivo de fundir estruturas administrativas e buscar maior eficiência nos gastos públicos.

Paralelamente à redução, o candidato afirmou que pretende criar novas estruturas, como um Ministério da Segurança Pública. Cury chegou a mencionar que Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás e também candidato à Presidência, seria convidado para liderar essa nova pasta. Essa articulação demonstra uma estratégia de busca por alianças e a valorização de experiências específicas em áreas estratégicas.

A proposta de modernização da administração pública se estende à criação de uma secretaria executiva de Inteligência Artificial e Robótica. Cury enfatizou a necessidade de o Brasil investir massivamente em tecnologia e capacitação para não ficar para trás em um cenário global cada vez mais digital. A ideia é formar uma nova geração de especialistas em IA, capazes de impulsionar setores como saúde, agricultura e indústria.

Inteligência Artificial como motor de modernização e emprego

A criação de uma secretaria executiva focada em Inteligência Artificial e Robótica é vista por Augusto Cury como um passo crucial para a modernização do Estado brasileiro e para a garantia da competitividade do país. Ele expressou preocupação com a possibilidade de o Brasil ser “atropelado” pela falta de investimento em IA, o que poderia levar a um cenário de “dezenas de milhões de desempregados”.

“Nós precisamos modernizar a máquina pública. Temos que ter pelo menos 10 mil jovens fazendo doutorado em inteligência artificial. Já que não temos recursos para termos uma Anthropic, ter um ChatGPT, um Gemini, nós temos que ter os melhores pilotos. Se não, como nós vamos desenvolver a produção adequada de medicamentos, desenvolver a agricultura 4.0 e uma indústria muito mais produtiva e proativa?”, argumentou Cury, ilustrando a importância da IA para o avanço em diversas áreas produtivas.

O candidato também defendeu a implementação de indicadores de desempenho para os servidores públicos, argumentando que a eficiência deve ser uma meta clara para todos os funcionários. Aqueles que não atingirem os resultados esperados, segundo Cury, deverão passar por treinamentos e receber o devido suporte para aprimorar suas capacidades. Essa medida visa a criar uma cultura de responsabilidade e entrega de resultados no serviço público, aliada ao uso estratégico da tecnologia.

Valorização do salário mínimo com ganho real anual

No que diz respeito à política salarial, Augusto Cury apresentou uma proposta para a valorização do salário mínimo que busca garantir um ganho real anual de 1% acima da inflação, além da reposição integral das perdas inflacionárias. Segundo o candidato, a manutenção dessa política ao longo de um mandato presidencial poderia resultar em um aumento acumulado de 50% a 60% no poder de compra do salário mínimo.

“Se controlarmos as contas públicas e formos mais responsáveis, certamente vai haver espaço para você ter, pelo menos, 1% ao ano a mais do que a inflação”, declarou Cury, associando a possibilidade de reajustes acima da inflação ao controle fiscal e à responsabilidade na gestão dos recursos públicos. Ele acredita que o aumento do poder de compra da população, especialmente da classe média, é fundamental para o aquecimento do comércio e para a dinamização da economia.

Em uma perspectiva de longo prazo, Cury projetou que, em um período de oito a dez anos, o salário mínimo brasileiro poderia atingir a marca de US$ 300. Essa meta ambiciosa reflete o desejo do candidato de promover uma melhoria significativa na qualidade de vida dos trabalhadores e reduzir as desigualdades sociais no país, impulsionando o consumo e a geração de riqueza.

Arcabouço fiscal e a cautela do candidato

Questionado sobre o atual arcabouço fiscal, Augusto Cury demonstrou cautela, afirmando que ainda estava analisando possíveis ajustes e evitando apresentar propostas definitivas. Ele classificou como “ingênuo” e “eleitoreiro” a antecipação de medidas sem um estudo aprofundado, buscando transmitir uma imagem de prudência e responsabilidade.

“Eu não posso me antecipar. Seria ingênuo e até eleitoreiro, seria populista falar de uma mudança”, disse o candidato. No entanto, Cury reiterou seu compromisso com o controle das despesas públicas e com a responsabilidade fiscal, elementos que, em sua visão, são indispensáveis para criar as condições necessárias para a redução da taxa Selic. Essa redução, por sua vez, teria um efeito cascata positivo na economia, diminuindo o custo do crédito e estimulando o investimento.

As medidas propostas, como a maior tributação das bets e a digitalização da administração pública via inteligência artificial sem a necessidade de novas contratações, são estimadas por Cury como capazes de gerar uma economia que varia entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões. Esse montante seria fundamental para a sustentabilidade das finanças públicas e para a viabilização de outras políticas de desenvolvimento social e econômico.

Entrevista marca o encerramento da série com candidatos à Presidência

A entrevista com Augusto Cury foi a sexta e última de uma série promovida pela TV Globo com os candidatos à Presidência da República mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto. A série teve início na segunda-feira, 24 de agosto, com Romeu Zema (Novo), seguida pelas entrevistas com Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A ordem dos encontros foi definida por sorteio, com a participação de representantes dos partidos.

A participação de Cury na série de entrevistas representou uma oportunidade para o candidato apresentar suas propostas a um público amplo e diversificado, em um momento crucial da campanha eleitoral. Os temas abordados, que vão desde a política econômica e fiscal até a inovação tecnológica e a gestão pública, refletem os principais desafios e as visões do candidato para o futuro do Brasil.

A série de entrevistas buscou oferecer aos eleitores um panorama das plataformas dos principais candidatos, permitindo uma comparação direta de suas ideias e projetos. O encerramento com Augusto Cury fecha um ciclo de debates importantes, antecedendo os momentos decisivos da disputa presidencial e aprofundando a discussão sobre os caminhos que o país poderá seguir.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

Lula terá maior tempo de TV em 2026, mas histórico eleitoral adverte: Vantagem não garante vitória

Propaganda eleitoral de 2026: Lula lidera tempo de TV, mas o que…

Moraes Impõe Condição Rígida: Visitas a Filipe Martins, Ex-Assessor de Bolsonaro, na Prisão em Ponta Grossa Dependem de Autorização Prévia do STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), impôs uma…

Desenrola 2.0: Governo Lula Lança Nova Versão de Renegociação de Dívidas em Meio a Críticas e Inadimplência Recorde

Desenrola 2.0: Governo Lula Lança Nova Versão de Renegociação de Dívidas em…

Vorcaro nega corrupção de servidores do BC e diz estar à disposição para colaborar com a PF na Operação Compliance Zero

Ex-banqueiro Daniel Vorcaro nega ter corrompido servidores do Banco Central em investigação…