Brasil impõe força no judô contra a Alemanha e ergue troféu em evento que marca retomada de tradição
A seleção brasileira de judô celebrou um retorno glorioso ao Desafio Internacional, conquistando o título após oito anos de ausência do calendário da Confederação Brasileira da modalidade (CBJ). Em uma noite de domínio e técnica apurada, o Brasil superou a forte equipe da Alemanha pelo placar expressivo de 5 a 1, em Blumenau, Santa Catarina. A vitória não apenas garantiu o troféu, mas também quebrou um jejum de três anos sem triunfos sobre os alemães em competições mistas, gerando um clima de revanche e otimismo para os próximos desafios.
Os judocas brasileiros que subiram ao pódio e garantiram a vitória foram Shirlen Nascimento, Daniel Cargnin, Rafael Silva, Rafael Macedo e Leonardo Gonçalves. A performance coletiva demonstrou a evolução e o preparo da equipe, que agora volta suas atenções para o Campeonato Mundial em Baku, no Azerbaijão, a partir de 4 de outubro. O resultado em Blumenau serve como um importante impulso moral e técnico, reafirmando o Brasil como uma potência no cenário mundial do judô.
O Desafio Internacional de Judô, que teve sua última edição há oito anos, foi palco de confrontos intensos e emocionantes. A retomada do evento pela CBJ reforça o compromisso com o desenvolvimento e a promoção da modalidade no país, oferecendo aos atletas brasileiros a oportunidade de competir em alto nível contra adversários de tradição. Conforme informações divulgadas pela Confederação Brasileira de Judô.
Shirlen Nascimento abre caminho com ippon decisivo
A primeira a demonstrar a superioridade brasileira foi a atual campeã mundial, Shirlen Nascimento. Na categoria até 57 quilos, ela enfrentou Seja Ballhaus e, em um momento crucial no início do golden score (tempo extra), aplicou um ippon impecável, garantindo a primeira vitória para o Brasil. O golpe decisivo mostrou a força e a precisão da atleta, que já chega como uma das favoritas para os próximos compromissos internacionais.
Daniel Cargnin amplia vantagem com técnica e determinação
Na luta seguinte, o gaúcho Daniel Cargnin, na categoria até 73 quilos, deu continuidade ao ímpeto brasileiro. Ele enfrentou Kevin Abeltshauser e, com uma atuação sólida, acumulou um yuko e, em seguida, um ippon por imobilização, ampliando a vantagem brasileira para 2 a 0. A combinação de golpes demonstrou a versatilidade e o bom momento do judoca.
Em entrevista, Cargnin ressaltou o equilíbrio histórico dos confrontos contra a Alemanha: “As disputas contra a Alemanha sempre são decididas nos detalhes, porque são duas equipes muito equilibradas. Agora, o foco é aproveitar o período de preparação para chegar ao Mundial ainda mais forte e buscar essa medalha por equipes que tanto queremos, contando também com a união do grupo, que é um dos nossos maiores diferenciais”. A declaração evidencia a ambição e o espírito de equipe da seleção brasileira, que mira altos voos no Mundial de Baku.
Rafaela Silva protagoniza virada épica contra adversária conhecida
A medalhista olímpica Rafaela Silva protagonizou um dos momentos mais marcantes da noite. Na categoria até 70 quilos, categoria acima da sua usual, ela enfrentou Mirian Butkereit, uma oponente que já havia lhe causado derrotas no Mundial de Budapeste no ano anterior. Rafaela demonstrou grande resiliência e habilidade ao reverter uma tentativa de golpe da adversária, marcando um waza-ari. Em seguida, com uma atuação de gala, executou um ippon, selando a terceira vitória consecutiva do Brasil e uma importante revanche pessoal.
Visivelmente emocionada, Rafaela Silva compartilhou sua satisfação em competir em casa: “É sempre um privilégio lutar no Brasil, ainda mais em uma competição internacional com atletas de alto nível e medalhistas mundiais e olímpicos. Poder competir em casa, com o apoio da torcida, é muito especial e nos motiva a dar o nosso melhor para inspirar as novas gerações. Essa vitória também teve um gosto especial porque consegui corrigir os erros da derrota que sofri para essa adversária no ano passado, colocando em prática tudo o que venho treinando. Quando a gente luta no Brasil, quer retribuir o carinho de quem faz esforço para estar na arquibancada, então o nosso compromisso é entregar o melhor judô possível dentro do tatame”. Suas palavras destacam a importância do apoio da torcida e a força de vontade em superar desafios.
Rafael Macedo e Leonardo Gonçalves fecham a conta com vitórias contundentes
O paulista Rafael Macedo, na categoria até 90 quilos, também contribuiu para o placar elástico. Ele enfrentou Paul Friedrichs e finalizou a disputa com uma chave de braço, ampliando a vantagem brasileira para 4 a 0 e demonstrando sua expertise em técnicas de finalização.
O ponto de honra da Alemanha veio na luta da categoria acima dos 70 quilos, com Alina Boehm superando a brasileira Beatriz Freitas por waza-ari, diminuindo a desvantagem para 4 a 1. No entanto, a noite era verde e amarela. O judoca paulista Leonardo Gonçalves selou a vitória definitiva do Brasil por 5 a 1 na categoria até 90 quilos contra Louis Mai. Especialista em luta de solo, Gonçalves garantiu o triunfo com mais uma chave de braço, coroando a performance avassaladora da equipe.
Histórico e próximos passos: o caminho para os Jogos Olímpicos
Apesar da expressiva vitória no Desafio Internacional, o Brasil ainda busca equilibrar o histórico de confrontos diretos contra a Alemanha. Em 10 encontros desde 2013 na classe sênior, a equipe europeia soma seis vitórias contra quatro da seleção brasileira. Este resultado, contudo, representa um passo significativo para diminuir essa diferença e consolidar o Brasil como um adversário ainda mais temido.
O próximo compromisso da seleção brasileira será o Grand Prix de Lima, no Peru. A competição é crucial, pois conta pontos para o ranking de classificação olímpica para os Jogos de Los Angeles 2028. A equipe buscará manter o embalo e acumular o máximo de pontos possível, fortalecendo sua posição na corrida olímpica e demonstrando que o judô brasileiro segue em ascensão e preparado para os maiores desafios globais.