O Poder das Cidades Pêndulo na Balança Eleitoral Brasileira
O cenário político brasileiro para 2026 começa a ser desenhado com base em um conceito fundamental para a compreensão de resultados eleitorais: as cidades pêndulo. Inspiradas nos “swing states” dos Estados Unidos, essas localidades não possuem um alinhamento político estável e tendem a oscilar entre candidatos de espectros opostos em eleições presidenciais. Um estudo do instituto ReDem, ligado à UFPR, revela que um grupo de pouco mais de mil cidades, concentrando 34 milhões de eleitores, tem a capacidade de definir o rumo da disputa.
Essas cidades são aquelas que, desde 2002, votaram majoritariamente em candidatos de campos políticos distintos em pelo menos duas eleições presidenciais no segundo turno. Um exemplo clássico seria um município que votou em Dilma Rousseff em 2014, migrou para Jair Bolsonaro em 2018 e retornou a Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. O peso eleitoral desses municípios é significativo, superando o total de eleitores em cidades onde o PT venceu todos os segundos turnos desde 2002 e equivalendo a quatro vezes o número de eleitores em locais onde a direita foi dominante.
A análise, que contou com a participação de cientistas políticos como Fábio Vasconcellos, professor da UFRJ e PUC-Rio, e Caio Junqueira, analista de Política da CNN, destaca que, embora a maioria das cidades pêndulo sejam pequenas (com menos de 20 mil habitantes), o impacto eleitoral se concentra em cerca de 65 municípios maiores. Estes concentram mais de 75% dos votos desse grupo, tornando-os alvos estratégicos para as campanhas presidenciais. As informações foram divulgadas com base em estudos e análises de comportamento eleitoral, conforme divulgado pela CNN Brasil.
São Paulo: O Epicentro da Disputa Eleitoral
O estado de São Paulo emerge como um dos principais focos de atenção quando se trata de cidades pêndulo. Aproximadamente 40% dos eleitores residentes nesses municípios estratégicos estão localizados em São Paulo, com ênfase especial para a capital e cidades da região metropolitana, como São Bernardo do Campo e Osasco. A importância dessas localidades foi evidenciada por um teste contrafactual apresentado por Vasconcellos: caso Lula não tivesse obtido os mesmos resultados em São Paulo em 2022, mas tivesse perdido nas cidades pêndulo do estado, Bolsonaro teria sido reeleito com uma margem superior a 400 mil votos.
Essa constatação reforça a ideia de que essas cidades têm um papel fundamental na decisão eleitoral, e sua influência tende a se manter nas próximas disputas. A região metropolitana de São Paulo, por si só, abarca 18 cidades pêndulo que, individualmente, já exercem uma influência considerável. Em eleições acirradas, como a de 2022, a relevância desses municípios se torna ainda mais pronunciada, exigindo que as campanhas dediquem atenção especial a essas regiões, tornando sua abordagem nessas localidades um ponto essencial de suas estratégias.
Minas Gerais: Mudança de Papel no Cenário Eleitoral?
Historicamente, Minas Gerais é conhecido por ser um estado espelho do Brasil, onde o candidato vencedor em Minas Gerais frequentemente replicava o resultado nacional. No entanto, essa característica pode estar em transformação. Fábio Vasconcellos observa que a diferença percentual entre os candidatos vencedores e perdedores em Minas tem diminuído a cada eleição. Em 2022, pela primeira vez, essa margem em Minas Gerais ficou abaixo da média nacional, sugerindo uma inclinação mais acentuada à direita no estado em comparação com o restante do país.
Essa tendência levanta a hipótese de que, pela primeira vez, o vencedor em Minas Gerais pode não ser o vencedor no Brasil, ou vice-versa. Vasconcellos identificou que diversas regiões mineiras apresentaram uma inclinação mais forte para a direita em 2022, mesmo em locais onde o PT historicamente obtinha um desempenho razoável. Essa