Datafolha: Maioria suspeita de envolvimento de ministros do STF com Banco Master, gerando crise de confiança
Uma nova pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada nesta segunda-feira (13) pelo jornal Folha de S. Paulo, aponta um cenário de profunda desconfiança em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o levantamento, 55% dos brasileiros acreditam que ministros da Corte podem estar envolvidos em irregularidades relacionadas ao caso do Banco Master. A investigação sobre o banco de Daniel Vorcaro tem abalado a imagem da instituição e gerado questionamentos sobre a conduta de seus integrantes.
O estudo revela que 70% dos entrevistados tomaram conhecimento de suspeitas que recaem sobre membros do STF. Deste grupo, uma parcela significativa, 4%, não acredita na participação de ministros, enquanto 10% se declaram indecisos quanto a essa questão. Paralelamente, 30% da população afirma não ter conhecimento sobre o caso, o que demonstra uma divisão na percepção pública sobre as controvérsias que cercam o Supremo.
A crise institucional se intensifica com as investigações em curso, que já levaram à saída do ministro Dias Toffoli da relatoria de um inquérito após menções a ele serem encontradas no celular de Vorcaro. Além disso, o escritório da família do ministro Alexandre de Moraes firmou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Ambos os ministros negam irregularidades, mas as circunstâncias levaram o presidente da Corte, Edson Fachin, a anunciar a criação de um Código de Ética para aprimorar a regulamentação da conduta dos magistrados.
O Caso Banco Master e as Suspeitas que Atingem o STF
O caso que coloca em xeque a credibilidade do STF gira em torno de investigações sobre o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro, que se encontra preso em Brasília. As suspeitas de irregularidades financeiras e possíveis conexões com figuras públicas de alto escalão deram origem a um inquérito que, inicialmente, contava com a relatoria do ministro Dias Toffoli. A descoberta de menções a Toffoli no celular de Vorcaro precipitou seu afastamento do caso, marcando um ponto de inflexão nas apurações.
Em paralelo, a relação contratual entre o escritório de advocacia da família do ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master, no valor de R$ 129 milhões por três anos, também gerou controvérsia. Embora Moraes e Toffoli tenham reiterado suas negativas quanto a qualquer conduta imprópria, a mera existência dessas conexões alimentou o debate público e a desconfiança sobre a integridade dos ministros. A situação é considerada grave o suficiente para que o presidente do STF, Edson Fachin, tenha anunciado a iniciativa de criar um Código de Ética.
Com a saída de Dias Toffoli, a condução do caso foi assumida pelo ministro André Mendonça. A expectativa é que Vorcaro colabore com as investigações, preparando uma proposta de delação premiada, o que pode trazer novos desdobramentos para o caso. A repercussão dessas denúncias e investigações é um dos fatores que contribuem para a baixa avaliação e a desconfiança que a pesquisa Datafolha revela em relação à Corte.
Avaliação dos Ministros: Mendonça e Cármen Lúcia Lideram, Moraes e Toffoli em Baixa
A pesquisa Datafolha também mergulhou na avaliação individual dos ministros do STF, com base em um “índice de avaliação” calculado pela diferença entre as taxas de aprovação (“ótimo/bom”) e reprovação (“ruim/pessimo”) entre aqueles que conhecem o magistrado. Neste quesito, o ministro André Mendonça se destaca positivamente, liderando com um índice de 26 pontos. Ele obteve 39% de avaliações “ótimo/bom” contra apenas 13% de “ruim/pessimo”.
A ministra Cármen Lúcia ocupa a segunda posição no ranking de avaliação, com um índice de 17 pontos. Ela também registra a maior aprovação individual, com 42% de “ótimo/bom”. O ministro Luiz Fux, por sua vez, mantém um saldo positivo, apresentando um índice de 7 pontos. Esses resultados sugerem uma percepção pública mais favorável em relação a esses membros da Corte, em contraste com outros nomes mais afetados pelas recentes controvérsias.
Por outro lado, o ministro Alexandre de Moraes, apesar de ser o mais conhecido entre os integrantes do STF, apresenta um índice de avaliação negativo de -8. Esse resultado é reflexo de uma alta taxa de reprovação, com 41% de avaliações “ruim/pessimo”, enquanto 33% o consideram “ótimo/bom”. Dias Toffoli figura com o menor índice da lista, -16, e 35% de reprovação. Gilmar Mendes, decano da Corte, registra um índice de -12. Ministros como Cristiano Zanin, Nunes Marques e Flávio Dino alcançaram um índice de -4. O presidente do STF, Edson Fachin, obteve um índice de avaliação zero, com 24% de aprovação e 24% de reprovação.
Percepção de Poder Excessivo e o Papel Essencial do STF na Democracia
Apesar das críticas e da desconfiança gerada pelo caso Banco Master e outros escândalos, a pesquisa Datafolha também revela uma dualidade na percepção do público em relação ao STF. Um expressivo contingente de 75% dos brasileiros acredita que os ministros da Corte possuem poder demais. Essa percepção de excesso de poder é uma crítica recorrente e que se intensifica em momentos de crise institucional.
Contudo, simultaneamente, 71% dos entrevistados consideram o STF “essencial para proteger a democracia”. Este dado sublinha a importância que a sociedade brasileira atribui à Corte como guardiã das instituições e da ordem democrática, mesmo diante das falhas e controvérsias. Essa ambivalência reflete um dilema: a necessidade de um poder judiciário forte e independente para salvaguardar a democracia, em contrapartida à preocupação com a concentração e o uso desse poder.
A diferença na percepção é notável quando se segmenta por eleitores de diferentes espectros políticos. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 84% veem o STF como vital para a democracia, embora 64% admitam que os ministros têm poder excessivo. Já entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, apenas 60% consideram a Corte essencial para a democracia, enquanto a crítica ao excesso de poder atinge um pico de 88%. Essa polarização na visão sobre o STF demonstra como as divisões políticas se refletem na avaliação das instituições.
Desconfiança Crescente e a Busca por Transparência no Supremo
Um dos indicadores mais preocupantes apresentados pela pesquisa é que 75% dos entrevistados afirmam que a confiança no STF diminuiu atualmente em comparação com o passado. Embora esta seja a primeira vez que o Datafolha aplica essas perguntas específicas, o resultado sugere uma erosão significativa na confiança pública na instituição. Essa queda na confiança é um reflexo direto das crises de credibilidade que o Supremo tem enfrentado, especialmente em virtude de escândalos como o que envolve o Banco Master.
A crise institucional que o STF atravessa não é apenas um reflexo das investigações em curso, mas também da percepção de falta de transparência e de possíveis conflitos de interesse entre seus membros. As ações recentes, como a criação de um Código de Ética, buscam endereçar essa demanda por maior clareza e rigor na conduta dos magistrados, visando restaurar a confiança da sociedade.
A necessidade de regulamentar a conduta dos ministros torna-se ainda mais premente diante da alta porcentagem da população que percebe um excesso de poder na Corte. O desafio para o STF é equilibrar sua atuação como poder independente e essencial para a democracia com a garantia de que seus membros ajam com a máxima ética e transparência, dissipando as nuvens de desconfiança que pairam sobre a instituição.
Metodologia da Pesquisa Datafolha
O levantamento do Instituto Datafolha, responsável por trazer à tona esses importantes dados sobre a percepção pública do STF, foi conduzido de forma presencial entre os dias 7 e 9 de abril de 2026. A pesquisa abrangeu um universo de 2.004 pessoas com idade igual ou superior a 16 anos, distribuídas em 137 municípios brasileiros. Essa abrangência geográfica e demográfica confere ao estudo uma representatividade significativa do cenário nacional.
A pesquisa está devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o número BR-03770/2026, o que garante sua validade e conformidade com as normas eleitorais. A margem de erro geral da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que significa que os resultados apresentados têm um grau de precisão estatística considerável, permitindo conclusões robustas sobre as opiniões e percepções da população brasileira.
A metodologia adotada pelo Datafolha é reconhecida por sua rigorosidade e pela capacidade de captar nuances importantes da opinião pública. Os resultados sobre a percepção do envolvimento de ministros do STF com o caso Banco Master, a avaliação individual dos magistrados e a visão sobre o poder da Corte e seu papel na democracia oferecem um panorama detalhado e preocupante sobre o estado atual da confiança pública nas instituições democráticas brasileiras.
O Futuro do STF em Meio à Crise de Confiança e Demandas por Ética
O cenário desenhado pela pesquisa Datafolha aponta para um futuro desafiador para o Supremo Tribunal Federal. A expressiva parcela da população que acredita no envolvimento de ministros com o caso Banco Master, somada à percepção generalizada de excesso de poder, exige respostas concretas e efetivas por parte da Corte.
A criação do Código de Ética, anunciada pelo presidente Edson Fachin, é um passo na direção correta, mas sua eficácia dependerá da forma como será implementado e fiscalizado. A transparência nas investigações, a clareza nas decisões e a demonstração inequívoca de imparcialidade são fundamentais para a reconstrução da confiança pública.
O STF, como guardião da Constituição e pilar da democracia, enfrenta agora o desafio de superar essa crise de credibilidade. A forma como lidará com as suspeitas, as investigações e as demandas por maior ética definirá seu papel e sua relevância na sociedade brasileira nos próximos anos. A opinião pública, expressa pela pesquisa Datafolha, deixa claro que a instituição precisa de uma profunda reflexão e de ações contundentes para reafirmar seu compromisso com a justiça e a probidade.