Eduardo Bolsonaro afirma ter pedido sanção contra Moraes e defende Pix com comparação a sistema americano

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou que solicitou pessoalmente ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a reativação das sanções previstas na Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, Viviane Barci de Moraes. A declaração foi feita em entrevista ao canal TCM News, onde Eduardo também abordou a questão das tarifas impostas pelos EUA ao Brasil e defendeu o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, comparando-o ao Zelle, sistema similar nos Estados Unidos.

Eduardo Bolsonaro negou que ele e seu irmão, Flávio Bolsonaro, tenham solicitado ao governo americano a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo o ex-parlamentar, a estratégia seria a aplicação de punições individuais contra figuras que, em sua visão, agem de forma autoritária. Ele ressaltou que a Lei Magnitsky, que permite sanções contra indivíduos por violações de direitos humanos, foi um dos mecanismos que ele pessoalmente buscou para pressionar autoridades brasileiras.

A inclusão e posterior remoção de Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes da Lei Magnitsky em 2025 foram mencionadas por Eduardo. O ministro do STF é alvo de um julgamento no Supremo Tribunal Federal, marcado para o dia 16, por suposto crime de coação no curso do processo, em um caso que a Procuradoria-Geral da República (PGR) alega ter sido articulado por Eduardo com autoridades americanas para garantir a impunidade de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações são baseadas em declarações de Eduardo Bolsonaro ao TCM News e reportagens anteriores sobre o caso.

O pedido de sanção individual e a Lei Magnitsky

Eduardo Bolsonaro detalhou sua atuação em relação aos Estados Unidos, afirmando que acredita na validade de “punições individuais contra pessoas que estão se comportando como tiranos”. Ele especificou que, em sua visão pessoal, a Lei Magnitsky é um instrumento adequado para tal fim e que, por isso, pediu o retorno de sua aplicação contra Alexandre de Moraes e sua esposa. O ex-deputado fez questão de frisar que falava em seu nome, e não necessariamente em nome de seu irmão, Flávio Bolsonaro.

Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes chegaram a ser incluídos na lista da Lei Magnitsky no final de julho de 2025, mas foram retirados em dezembro do mesmo ano. Essa lei permite que o governo dos Estados Unidos congele bens e restrinja a entrada de pessoas consideradas responsáveis por graves violações de direitos humanos ou corrupção. A ação, embora revertida, demonstra a pressão que o clã Bolsonaro, segundo suas declarações, tem buscado exercer sobre o judiciário brasileiro.

O contexto dessa solicitação se insere nas investigações que miram Eduardo Bolsonaro por suposto crime de coação no curso do processo. A PGR alega que ele teria articulado junto a autoridades americanas a imposição de sanções não apenas contra ministros do STF, mas também contra o próprio Brasil, com o objetivo de assegurar a “impunidade” de Jair Bolsonaro. Essa articulação teria ocorrido, segundo as investigações, após uma reunião de Flávio, Eduardo e o jornalista Paulo Figueiredo com Donald Trump e o Secretário de Estado, Marco Rubio, na semana anterior às declarações de Eduardo.

A reunião com Trump e a classificação do PCC e CV como terroristas

A reunião entre Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, o jornalista Paulo Figueiredo e o ex-presidente Donald Trump, juntamente com o Secretário de Estado Marco Rubio, ocorreu na semana que antecedeu as declarações de Eduardo. Dois dias após este encontro, os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Essa decisão gerou preocupação no governo brasileiro, que avalia que a medida pode abrir brechas para intervenções externas no país.

Flávio Bolsonaro admitiu publicamente ter solicitado a mudança na classificação das facções brasileiras pelas autoridades americanas. Essa ação, somada a outras recomendações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, aumentou a tensão nas relações comerciais entre os dois países. O governo Lula (PT) tem monitorado de perto essas movimentações, consideradas potencialmente prejudiciais à economia nacional.

A justificativa apresentada pelo governo Trump para a adoção de medidas restritivas e tarifárias incluiu decisões contra redes sociais americanas, a utilização do Pix, alegando que o sistema brasileiro poderia prejudicar empresas de pagamentos eletrônicos dos EUA, e a falta de medidas eficazes contra a corrupção e a pirataria no Brasil. Essas razões, segundo a análise do governo brasileiro, parecem estar ligadas a uma agenda política e econômica específica.

O “Fator Flávio” e a negociação de tarifas comerciais

Eduardo Bolsonaro atribuiu a não concretização imediata das tarifas sobre produtos brasileiros ao que ele chamou de “fator Flávio”. Segundo o ex-parlamentar, seu irmão teria prometido a Donald Trump que, caso eleito presidente do Brasil, buscaria um acordo de livre comércio entre Brasil e EUA, em que ambos os países seriam tratados “de igual para igual”. Essa promessa, na visão de Eduardo, seria o principal motivo pelo qual novas tarifas não foram impostas de forma mais incisiva.

“Qual é o fator Flávio que está impedindo neste momento a aplicação de tarifas? É que o Flávio prometeu que, se for eleito presidente, Brasil e EUA vão sentar de igual para igual à mesa e tratar de um acordo de livre comércio para beneficiar ambos os países. Assim novas tarifas não serão necessárias”, explicou Eduardo, durante a entrevista ao TCM News. Essa declaração sugere uma estratégia de negociação política e econômica que busca vincular a cooperação futura à eleição de Flávio Bolsonaro.

O ex-deputado federal defendeu que o governo brasileiro possui “bons argumentos” para negociar com os Estados Unidos, especialmente no que diz respeito ao Pix. Ele mencionou o Zelle, um sistema de pagamentos instantâneos operado por um consórcio de bancos nos EUA, como um equivalente ao Pix brasileiro, chamado por ele de “Pix dos EUA”. Essa comparação visa demonstrar que o Brasil possui tecnologias de pagamento comparáveis e que a ameaça de tarifas sobre o Pix não seria justificável.

Zelle como “Pix dos EUA” e a estratégia de negociação

Ao comparar o Pix ao Zelle, Eduardo Bolsonaro buscou reforçar a ideia de que o sistema de pagamentos brasileiro não é uma anomalia tecnológica ou um risco para os mercados americanos. O Zelle, operado pela Early Warning Services, uma empresa de propriedade de um consórcio de grandes bancos americanos, funciona de maneira semelhante ao Pix, permitindo transferências rápidas e diretas entre contas bancárias. Essa analogia serve como um argumento para desmistificar preocupações levantadas pelos EUA.

“Isso daí… Nós fizemos um pedido aos americanos para que qualquer tipo de tarifa ou retaliação nesse sentido comercial demorasse, que esperasse pelo menos até a eleição desse ano, porque se o Flávio Bolsonaro for eleito teremos outra diretriz de governo federal”, apontou Eduardo. Ele sugeriu que a eleição de seu irmão poderia alterar o cenário das relações comerciais e diplomáticas, abrindo espaço para negociações mais favoráveis ao Brasil, especialmente no que tange a sistemas de pagamento e outros acordos comerciais.

Eduardo também mencionou o interesse dos Estados Unidos em recursos naturais brasileiros, como terras raras e manganês, como um possível ponto de barganha. “Dá para conversar e botar na mesa isso daí e tentar segurar o ímpeto de retaliação contra qualquer meio que a gente utilize de pagamento”, afirmou. Essa estratégia indica uma tentativa de utilizar os interesses econômicos americanos em recursos brasileiros como moeda de troca para evitar sanções comerciais, incluindo aquelas que poderiam afetar o Pix.

Investimento em filme sobre Bolsonaro e a relação com Daniel Vorcaro

Em outro ponto da entrevista, Eduardo Bolsonaro abordou a relação de seu irmão, Flávio Bolsonaro, com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e o financiamento do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória de Jair Bolsonaro. Eduardo garantiu que todo o dinheiro solicitado por Flávio a Vorcaro foi devidamente investido na produção cinematográfica, afastando suspeitas de irregularidades.

A polêmica surgiu após o site The Intercept Brasil revelar, em maio, que o repasse de Vorcaro seria de R$ 134 milhões, mas que o banqueiro teria efetivamente pago cerca de R$ 61 milhões. Flávio Bolsonaro admitiu ter buscado o financiamento e, posteriormente, revelou ter visitado Vorcaro em sua residência em São Paulo, um dia após o empresário ter deixado a prisão. Essa sequência de eventos gerou questionamentos sobre a natureza da relação e a origem dos fundos.

“Não entendo por qual motivo as pessoas partem da desconfiança que nós agimos de má-fé. O dinheiro foi investido no filme”, declarou Eduardo, defendendo a transparência do processo. Ele comparou o orçamento de “Dark Horse” com o de filmes sobre figuras públicas americanas, como o que retrata a ex-primeira-dama Melania Trump, argumentando que o investimento no filme sobre seu pai não seria “gigantesco” em comparação, custando menos da metade do valor estimado para o filme de Melania.

Comparativo de custos e a “boia salva-vidas” para Lula

Eduardo Bolsonaro comparou o custo de produção do filme “Dark Horse” com o de um filme sobre Melania Trump, que teria custado cerca de US$ 40 milhões. Segundo ele, o investimento no filme sobre Jair Bolsonaro “não chega nem à metade disso”, buscando assim relativizar o valor envolvido e afastar a ideia de um patrocínio exorbitante ou irregular. A intenção é demonstrar que os recursos foram utilizados de forma proporcional e condizente com produções do gênero.

Para o ex-deputado, a relação entre seu irmão, Flávio Bolsonaro, e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, é vista por ele como uma “boia salva-vidas” para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Eduardo sugere que a divulgação e a investigação dessa relação têm o objetivo de desgastar a pré-campanha de Flávio, buscando criar narrativas negativas que prejudiquem sua imagem pública e suas aspirações políticas.

Essa perspectiva indica que a família Bolsonaro enxerga as críticas e as investigações sobre o financiamento do filme como parte de uma estratégia política orquestrada por adversários. A defesa de Eduardo busca deslegitimar as desconfianças, apresentando os fatos de forma a reforçar a inocência e a transparência nas ações de Flávio e na produção cinematográfica, além de projetar uma imagem de capacidade de negociação e defesa dos interesses nacionais em âmbito internacional.

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