Novo oficializa Eduardo Girão como vice de Romeu Zema e promete combate a abusos de poder

A oficialização do senador Eduardo Girão (Novo-CE) como candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema representa um movimento estratégico da oposição na corrida presidencial. A decisão, segundo o presidente nacional do Partido Novo, Eduardo Ribeiro, reforça o compromisso da legenda com a defesa das liberdades individuais, o enfrentamento a supostos abusos de poder e a aproximação entre o Poder Executivo e o Senado.

Em entrevista exclusiva, Ribeiro explicou as razões por trás da escolha de Girão, destacando sua atuação firme em defesa da liberdade de expressão e seu histórico de críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). A composição, afirma o dirigente, fortalece o projeto político do Novo e visa construir um diálogo mais efetivo com o Congresso Nacional.

Além da chapa presidencial, o presidente do Novo comentou outras frentes de atuação do partido, incluindo uma ação movida contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por propaganda eleitoral antecipada, a defesa das candidaturas de Ricardo Salles e Deltan Dallagnol, e críticas à atuação do STF. As declarações foram divulgadas em entrevista ao portal Entrelinhas.

Girão: Um nome alinhado com a defesa das liberdades e o combate a abusos institucionais

A escolha do senador Eduardo Girão para compor a chapa presidencial ao lado de Romeu Zema foi motivada, segundo Eduardo Ribeiro, por sua trajetória consolidada na defesa das liberdades, especialmente a liberdade de expressão, e por sua postura combativa contra o que o partido considera abusos de poder. Ribeiro ressaltou que Girão possui uma reputação ilibada e independência para criticar e propor mudanças quando necessário, características essenciais para o projeto do Novo.

“O senador Eduardo Girão construiu, ao longo dos últimos oito anos, uma atuação muito firme na defesa da liberdade de expressão e no enfrentamento aos abusos de poder, especialmente aqueles praticados por ministros do Supremo Tribunal Federal. É uma pessoa de reputação ilibada, sem rabo preso, que sempre teve independência para fazer críticas e cobrar mudanças quando considerou necessário”, afirmou Ribeiro.

A indicação de um senador como vice também visa fortalecer a relação entre o Poder Executivo e o Senado. Girão, com seu profundo conhecimento do funcionamento da Casa, pode facilitar a construção de um diálogo produtivo para pautas consideradas fundamentais pelo Novo, como a discussão sobre a responsabilidade de ministros do STF. Essa composição é vista como um reforço significativo para o projeto político do partido.

Ação contra Lula: Novo cobra respeito à legislação eleitoral e igualdade nas regras

O Partido Novo ajuizou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT e aliados, alegando propaganda eleitoral antecipada. Eduardo Ribeiro explicou que a ação se baseia em um pedido explícito de voto, o que é proibido pela legislação eleitoral brasileira. Ele destacou que o próprio Lula, em declarações posteriores, teria admitido a possibilidade de ser multado por ter pedido votos, o que, segundo Ribeiro, evidencia o rigor da lei.

“Nós entramos com essa ação porque houve um pedido explícito de voto, o que é proibido pela legislação eleitoral. Isso ficou bastante claro. O próprio Lula, depois, em outro evento, acabou assumindo: ‘Ah, vou ser multado porque pedi voto’. Isso, na verdade, fala mais sobre a nossa legislação eleitoral do que qualquer outra coisa. A legislação é extremamente rigorosa”, declarou o presidente do Novo.

Ribeiro enfatizou que, independentemente de concordâncias com as regras eleitorais, é fundamental que elas sejam aplicadas de forma igualitária a todos os atores políticos. Como oposição, o partido se sente na obrigação moral de cobrar o cumprimento das normas. “Não faz sentido o Novo cumprir a legislação enquanto outros fazem o que querem. Como oposição ao presidente Lula, temos a obrigação moral de cobrar do PT e do próprio presidente o mínimo de respeito às regras eleitorais. Sempre que houver irregularidade, vamos recorrer à Justiça”, assegurou.

Candidatura de Ricardo Salles: Novo descarta riscos e atribui questionamentos a exageros

A candidatura de Ricardo Salles ao Senado pelo estado de São Paulo também foi tema da entrevista. Questionado sobre a ausência de algumas certidões em seu pedido de registro, o que gerou questionamentos, Eduardo Ribeiro minimizou os riscos, classificando a situação como um processo relacionado às “motociatas” de 2022 e atribuindo a falha a um problema burocrático.

“Não existe nenhum risco. Trata-se de um processo relacionado às motociatas de 2022. Como houve mudança de competência da Justiça Federal para a Estadual, o próprio cartório acabou não disponibilizando corretamente a documentação necessária. Nossos advogados já providenciaram tudo e protocolaram os documentos que faltavam. Isso não representa qualquer problema para o registro da candidatura”, explicou Ribeiro.

O dirigente do Novo criticou a atuação do Ministério Público no caso, considerando que houve um “exagero”. A expectativa é que a candidatura de Salles seja consolidada sem maiores impedimentos, permitindo que ele concorra ao Senado e represente as pautas do partido.

Ação de Gilmar Mendes contra Zema: Novo classifica como absurda e sem fundamento

A ação movida pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, em razão de uma série de sátiras intitulada “Os Intocáveis”, foi classificada pelo presidente do Novo como “completamente absurda”. Zema é alvo de uma notícia-crime que pede sua inclusão no inquérito das fake news, sob a alegação de que o conteúdo produzido com fantoches poderia configurar deepfakes.

“É uma situação completamente absurda. O ministro Gilmar Mendes apresentou uma notícia-crime pedindo que o Zema fosse incluído no inquérito das fake news por causa de uma sátira produzida com fantoches, alegando inclusive que seriam deepfakes”, disse Ribeiro.

O processo, que ficou parado por um tempo, foi encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) devido ao fato de o vídeo ter sido publicado enquanto Zema ainda exercia o cargo de governador. Apesar de considerar a ação sem fundamento, Ribeiro destacou que a situação reflete um cenário onde, felizmente, ainda existem magistrados que aplicam o direito de forma técnica e imparcial, mesmo em casos de repercussão política.

Elegibilidade de Deltan Dallagnol: Novo busca segurança jurídica para a candidatura

O Partido Novo também entrou com um pedido no TSE para que a elegibilidade de Deltan Dallagnol seja previamente reconhecida, visando garantir segurança jurídica para sua candidatura. Ribeiro explicou que Dallagnol já foi vítima do sistema eleitoral em 2022, quando sua inelegibilidade foi decretada com base em um entendimento do TSE sobre a possibilidade de denúncias se transformarem em processos administrativos, mesmo que estas tivessem sido arquivadas.

“O Deltan já foi vítima desse sistema em 2022. A legislação dizia claramente que ele não poderia pedir exoneração apenas se houvesse processo administrativo em andamento. Não havia nenhum. Mesmo assim, o TSE criou um entendimento segundo o qual denúncias poderiam vir a se transformar em processos administrativos. Isso nunca aconteceu. Todas essas denúncias foram arquivadas”, explicou o dirigente.

A estratégia do Novo é apresentar uma ação declaratória de elegibilidade para que Dallagnol possa disputar as eleições com total segurança jurídica. O partido aposta no potencial de Dallagnol, que lidera as pesquisas no Paraná, para se tornar um importante senador. “Por isso, agora entramos com uma ação declaratória de elegibilidade para que ele dispute a eleição com segurança jurídica. O Deltan lidera as pesquisas no Paraná e acreditamos que será um dos grandes líderes do Senado”, concluiu Ribeiro.

Sebastião Coelho: Novo aposta em perfil combativo para o Senado pelo DF

O advogado Sebastião Coelho é o candidato do Novo ao Senado pelo Distrito Federal. Eduardo Ribeiro destacou a projeção nacional de Coelho, impulsionada por sua coragem em expressar opiniões sobre o que o partido considera abusos do STF. O Novo convidou Coelho para integrar seus quadros antes mesmo da definição de outras candidaturas, reconhecendo seu perfil combativo, alinhado com o fortalecimento da legenda no Senado.

“O Sebastião Coelho ganhou projeção nacional por ter tido coragem de dizer aquilo que muitos brasileiros pensavam sobre os abusos cometidos pelo Supremo Tribunal Federal. Nós o convidamos para o Novo muito antes da definição das demais candidaturas porque enxergamos nele esse perfil combativo que queremos fortalecer no Senado”, disse Ribeiro.

Embora reconheça que definições importantes no cenário político do Distrito Federal possam influenciar a disputa, Ribeiro expressou total confiança no projeto de Coelho. A independência, a coragem e o respeito que o candidato demonstra são vistos como características fundamentais para o atual momento político do Brasil.

Expansão do Novo: Partido aposta em maior número de candidatos e superação da cláusula de barreira

O Partido Novo ampliou significativamente o número de candidatos para as eleições atuais, saindo de cerca de 450 em 2018 e 2022 para quase 1.300 em todo o Brasil. Eduardo Ribeiro acredita que essa expansão marca a superação definitiva do risco relacionado à cláusula de barreira, que exige um percentual mínimo de votos para que os partidos recebam recursos do fundo partidário e eleitoral.

“Sem dúvida. Em 2018 e em 2022 tivemos cerca de 450 candidatos. Agora são quase 1.300 candidatos em todo o Brasil. Temos chapas muito fortes em estados como Paraná, São Paulo, Pernambuco e Pará, além de uma expansão importante para o Norte e o Nordeste”, comemorou o presidente do partido.

Além do aumento no número de candidaturas, o Novo passou a utilizar os recursos do fundo eleitoral e partidário, algo que não ocorria em eleições anteriores. Essa mudança é considerada crucial para disputar em condições minimamente competitivas. Ribeiro projeta que o Novo será o partido que mais crescerá nesta eleição e que atrairá parlamentares de outras legendas afinados com seu projeto político, consolidando-se como a principal casa da direita no Brasil.

Projeções para 2026: Novo mira crescimento e consolidação como principal força da direita

Olhando para o futuro, Eduardo Ribeiro projeta um crescimento expressivo para o Partido Novo, com vistas às eleições de 2026. A meta é consolidar a legenda como a principal força política da direita no Brasil, atraindo novos filiados e parlamentares de outras siglas que compartilham de seus ideais.

A estratégia passa pelo fortalecimento das bases eleitorais em estados-chave e pela expansão para regiões onde o partido ainda tem pouca representatividade. A utilização dos fundos partidário e eleitoral, antes evitada, agora é vista como um elemento fundamental para competir em igualdade de condições e para dar visibilidade às suas propostas.

Ribeiro demonstra convicção de que o Novo está no caminho certo para se tornar um player político relevante em nível nacional, capaz de influenciar o debate público e apresentar alternativas consistentes para o país. A defesa intransigente das liberdades, o combate à corrupção e a busca por uma gestão pública eficiente são os pilares que o partido pretende sustentar em sua trajetória.

Críticas ao STF e a busca por reformas institucionais

Um dos temas recorrentes nas falas de Eduardo Ribeiro é a crítica à atuação do Supremo Tribunal Federal. O partido vê com preocupação o que considera ser um ativismo judicial excessivo e uma interferência indevida em outros poderes. A escolha de Eduardo Girão, com seu histórico de questionamentos ao STF, é vista como um sinal claro do posicionamento do Novo.

O Novo defende reformas institucionais que visem restabelecer o equilíbrio entre os poderes e garantir a segurança jurídica no país. A discussão sobre a responsabilidade de ministros do STF e a limitação de seus poderes são pautas que o partido pretende impulsionar, caso eleito.

A aproximação com o Senado, facilitada pela presença de um senador na chapa presidencial, é vista como um caminho para avançar nessas reformas. O partido acredita que o diálogo com o Legislativo será fundamental para promover as mudanças institucionais que considera necessárias para o fortalecimento da democracia brasileira.

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