Ex-comandante da FAB detalha crise militar e plano de golpe em livro às vésperas de eleições
O brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, que liderou a Força Aérea Brasileira (FAB) no final do governo de Jair Bolsonaro, está prestes a lançar um livro que promete revelar detalhes sobre os planos de golpe articulados no Palácio do Planalto em 2022. A obra, intitulada “Eu disse não! uma trincheira antigolpista”, tem lançamento previsto para setembro, a menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais, adicionando um peso significativo ao contexto político atual.
No livro, Baptista Júnior relata as pressões e os movimentos de figuras proeminentes do meio militar que, segundo ele, apoiavam a tentativa de subverter o resultado eleitoral. Sua narrativa se alinha com o depoimento prestado como testemunha no processo que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe contra o resultado das eleições de 2022.
A publicação surge em um momento crucial, onde a memória dos eventos que antecederam e sucederam o pleito de 2022 ainda ressoa na sociedade. A participação de Baptista Júnior como testemunha em processos judiciais relevantes, somada às suas revelações em entrevistas, reforça a importância de sua perspectiva sobre a crise institucional vivenciada. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.
Livro revela bastidores de articulações golpistas e resistência militar
No cerne do livro “Eu disse não! uma trincheira antigolpista”, o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior descreve o ambiente de tensão e articulação política que marcou o final do governo Bolsonaro. Ele detalha como planos de golpe, com o objetivo de impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, ganhavam corpo no Palácio do Planalto, contando com o endosso de alguns militares de alta patente. A obra promete jogar luz sobre as complexas dinâmicas internas das Forças Armadas diante de um cenário de ruptura democrática iminente.
Baptista Júnior, que chefiava a FAB entre 2021 e 2022, posicionou-se publicamente contra os movimentos golpistas, o que o levou a prestar depoimento como testemunha em investigações sobre o caso. Sua posição é comparada à do general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, que também atuou como testemunha no processo que condenou Bolsonaro por tentativa de golpe. A atuação de ambos os generais é vista como um fator crucial para a manutenção da ordem democrática.
A gravidade das acusações e a participação de figuras de relevo no processo judicial, como o então comandante da Marinha, Almir Garnier, e os ex-ministros Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, sublinham a profundidade da crise. O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu que Garnier foi o único comandante a colocar sua força à disposição para medidas de exceção, evidenciando a divisão e a tensão dentro das cúpocas militares.
Relatório das urnas e a relutância de Bolsonaro em aceitar a verdade
Um dos pontos centrais abordados por Baptista Júnior em suas entrevistas, e que deve ser aprofundado no livro, diz respeito à questão da confiabilidade das urnas eletrônicas. Ele revelou que Jair Bolsonaro demonstrava grande relutância em aceitar as conclusões de um relatório encomendado em julho de 2022 e publicado após o segundo turno, em novembro, que não encontrou evidências de fraudes no sistema de votação.
Essa resistência em aceitar os resultados, baseada em alegações infundadas de fraude, foi um dos pilares da narrativa golpista. O brigadeiro Baptista Júnior, ao compartilhar sua experiência, expõe como a negação da realidade e a busca por justificativas para um resultado indesejado alimentaram as tensões institucionais e a desconfiança no processo eleitoral democrático.
A publicação do relatório, que deveria trazer tranquilidade e confirmar a lisura do processo eleitoral, acabou por acirrar os ânimos de setores que já trabalhavam em um plano para contestar a vitória de Lula. A postura de Bolsonaro em ignorar ou desqualificar evidências científicas e técnicas reforça o caráter ideológico e a falta de base factual das alegações de fraude.
O diálogo pós-8 de janeiro e a carga sobre os militares
Em outra revelação significativa, Baptista Júnior contou ter conversado com Bolsonaro cerca de dez dias após os atos de 8 de janeiro de 2023. Nessa conversa, o brigadeiro compartilhou uma declaração de Valdemar Costa Neto, líder do PL, que atribuía muitos dos erros de Bolsonaro durante o governo à influência ou à atuação dos militares. Essa fala, segundo Baptista Júnior, serviu para ilustrar o peso que as Forças Armadas estariam