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“title”: “Feminicídio deixa órfãos no Brasil: A luta de Zaldo e Nathália por justiça após o assassinato da mãe por 20 anos”,
“subtitle”: “Irmãos que viram a mãe ser assassinada e foram baleados pelo próprio pai lutaram por duas décadas contra a morosidade da Justiça; Zaldo lança livro sobre o trauma e o impacto geracional.”,
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Feminicídio no Brasil: A saga de Zaldo e Nathália por 21 anos de justiça após brutal assassinato da mãe
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Aos 2 anos, Zaldo Just Neto sofreu um tiro no rosto disparado pelo próprio pai, que também assassinou sua mãe, Maristela Just, em 1989. A tragédia familiar, que resultou em feminicídio e três tentativas de homicídio, desencadeou uma batalha judicial de 21 anos pela condenação do agressor, Josu00e9 Ramos Lopes Neto. Zaldo, hoje com 40 anos, carrega sequelas fu00edsicas e emocionais, e junto com sua irmu00e mais velha, Nathu00e1lia, liderou uma incansu00e1vel luta pela justiu00e7a, que culminou na publicau00e7u00e3o de um livro sobre o caso.
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O caso de Maristela Just se tornou um su00edmbolo da lentidu00e3o do sistema judiciu00e1rio brasileiro, com o assassino sendo condenado apenas em 2010 e preso em 2012. Enquanto o pai cumpria pena em regime domiciliar, Zaldo e Nathu00e1lia mobilizaram protestos e midiu00e1tica para que o crime nu00e3o fosse esquecido e para conscientizar a sociedade sobre o impacto devastador do feminicu00eddio. O livro “Alu00e9m das Cicatrizes”, lanu00e7ado por Zaldo, revisita a tragu00e9dia e reflete sobre os traumas permanentes.
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A histu00f3ria de Zaldo e Nathu00e1lia u00e9 um doloroso lembrete de que, mesmo com avanu00e7os como a Lei Maria da Penha, a violu00eancia contra a mulher persiste, gerando vu00edtimas e u00f3rfu00e3os diariamente. Conforme o Anuu00e1rio da Seguranu00e7a Pu00fablica, os feminicu00eddios no Brasil bateram recorde em 2025, com uma mu00e9dia de quatro mulheres mortas por dia, evidenciando a urgu00eancia de aprofundar a conscientizau00e7u00e3o e as au00e7u00f5es de combate a essa violu00eancia estrutural.
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O Dia da Tragédia e o Longo Caminho pela Justiça
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A noite de abril de 1989, em Jaboatu00e3o dos Guararapes, Grande Recife, foi marcada pelo terror. Josu00e9 Ramos Lopes Neto, inconformado com o fim do relacionamento com Maristela Just, pediu para se reunir com a ex-mulher e os filhos. Trancado no quarto da casa dos ex-sogros, ele cometeu o feminicu00eddio de Maristela, entu00e3o com 25 anos, e tentou assassinar os filhos Zaldo e Nathu00e1lia, alu00e9m do irmu00e3o de Maristela, Ulisses. Zaldo, com apenas 2 anos e 8 meses, foi atingido no rosto, enquanto Nathu00e1lia levou um tiro nas costas.
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O crime chocou Pernambuco e se tornou um dos casos mais emblemu00e1ticos de feminicu00eddio no estado, especialmente pela morosidade da Justiu00e7a. O agressor, que nu00e3o aceitava o tu00e9rmino do relacionamento, fugiu do local apu00f3s ser rendido pelo pai de Maristela. A prisu00e3o su00f3 ocorreu em flagrante, mas ele logo conseguiu um habeas corpus e iniciou-se um longo peru00edodo de protelau00e7u00f5es e recursos que se estenderam por mais de duas du00e9cadas.
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A defesa de Josu00e9 Ramos Lopes Neto utilizou diversas estratu00e9gias para adiar o julgamento, incluindo a solicitau00e7u00e3o de oitiva de testemunhas fora da comarca e a renu00fancia sucessiva de advogados. O pai do acusado, um renomado advogado em Recife, chegou a defender publicamente o filho, alegando que ele teria matado Maristela por ter sido ofendido. A tese da defesa tambu00e9m sustentava que os tiros contra as crianu00e7as e o tio teriam sido acidentais.
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A Luta de Zaldo e Nathália: A Busca Incessante por Justiça
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Enquanto o sistema judiciu00e1rio se arrastava, Zaldo e Nathu00e1lia cresciam carregando o peso da tragu00e9dia. Zaldo, que sofreu uma grave lesu00e3o neurolu00f3gica devido ao tiro que afetou o lado esquerdo do seu corpo, relata em seu livro as dificuldades de se tornar uma pessoa com deficiu00eancia fu00edsica por causa do pru00f3prio pai. A dor de ter o genitor como agressor e a perda da mu00e3e moldaram sua trajetu00f3ria, levando-o a escolher a profissu00e3o de direito com o objetivo de buscar acerto de contas.
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Aos 17 anos, Zaldo ju00e1 se mobilizava ativamente pela prisu00e3o do pai. Em 2010, percebendo a falta de informau00e7u00f5es sobre o caso na internet, Nathu00e1lia teve a ideia de criar um blog para dar visibilidade ao crime, pressionar o Judiciu00e1rio e evitar que o caso prescrevesse. A iniciativa chamou a atenu00e7u00e3o de figuras pu00fablicas, como a autora Glu00f3ria Perez, que tambu00e9m se engajou na divulgau00e7u00e3o.
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A luta pela justiu00e7a se intensificou quando o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). A famu00edlia enfrentou mais um momento de desespero quando um ministro acolheu a tese da defesa para anular o julgamento. Zaldo e Nathu00e1lia viajaram a Brasu00edlia, escreveram cartas pu00fablicas e entregaram memoriais aos ministros, expondo as marcas fu00edsicas e emocionais do crime. Em 2015, o STF decidiu, por maioria, manter a condenau00e7u00e3o definitiva do agressor.
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O Livro “Além das Cicatrizes”: Um Legado de Superação e Conscientização
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Com o objetivo de processar a dor e compartilhar sua experiu00eancia, Zaldo Just Neto lanu00e7ou o livro “Alu00e9m das Cicatrizes”. A obra revisita a tragu00e9dia familiar, detalhando o processo judicial de 21 anos e refletindo sobre os traumas permanentes que o crime deixou em sua vida e na de outros que perderam entes queridos de forma violenta. O livro u00e9 um testemunho da foru00e7a humana diante da adversidade.
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“A sociedade ignora o impacto geracional que esse tipo de crime vai trazer para o pau00eds”, afirma Zaldo, destacando a necessidade de conscientizau00e7u00e3o sobre o feminicu00eddio. Ele ressalta que, desde o assassinato de sua mu00e3e, pelo menos duas gerau00e7u00f5es novas cresceram em um contexto de violu00eancia, e os nu00fameros su00f3 aumentam. A obra u00e9 um chamado u00e0 au00e7u00e3o para que a sociedade se conscientize e combata a violu00eancia contra a mulher.
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O livro tambu00e9m aborda a luta de Zaldo contra um cu00e2ncer nos testu00edculos, mostrando sua resiliu00eancia diante de mu00faltipla adversidades. “Eu carrego a deficiu00eancia, eu carrego a orfandade, eu carrego o peso de um cu00e2ncer. Mas, alu00e9m das cicatrizes, fiz do luto uma luta”, conta, evidenciando sua jornada de superação e a transformau00e7u00e3o da dor em foru00e7a.
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O Impacto Geracional do Feminicídio e a Necessidade de Conscientização
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Zaldo Just Neto u00e9 enfu00e1tico ao afirmar que o feminicu00eddio gera u00f3rfu00e3os todos os dias no Brasil. Ele ressalta que a sociedade precisa entender o impacto geracional que esse tipo de crime causa, afetando nu00e3o apenas as vu00edtimas diretas, mas tambu00e9m as famu00edlias e as futuras gerau00e7u00f5es. A conscientizau00e7u00e3o u00e9 vista como o primeiro passo para erradicar a violu00eancia contra a mulher.
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Ele compara a situau00e7u00e3o com os 20 anos da Lei Maria da Penha, celebrados recentemente, que trouxeram avanu00e7os legais e na percepu00e7u00e3o social sobre a violu00eancia domu00e9stica. No entanto, casos como o de sua mu00e3e demonstram que a luta ainda estu00e1 longe de terminar. O nu00famero de medidas protetivas concedidas com base na Lei Maria da Penha neste ano ju00e1 atingiu 337 mil, o maior da histu00f3ria, o que indica a persistu00eancia da violu00eancia domu00e9stica.
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“Todo dia morrem mulheres dessa forma”, lamenta Zaldo, ressaltando a urgu00eancia de enraizar na sociedade uma cultura de conscientizau00e7u00e3o e respeito. O Anuu00e1rio da Seguranu00e7a Pu00fablica de 2025 revelou que os feminicu00eddios no Brasil atingiram um recorde, com 1.571 crimes registrados, o que equivale a quatro mulheres assassinadas por dia. Essa estatu00edstica alarmante contrasta com a queda das mortes violentas em geral no pau00eds, evidenciando a gravidade do problema.
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A Defesa do Agressor e as Manobras para Adiar a Justiça
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A defesa de Josu00e9 Ramos Lopes Neto utilizou tu00e9cnicas de protelau00e7u00e3o que se estenderam por 21 anos, desde o crime em 1989 atu00e9 a condenau00e7u00e3o em 2010. Ao longo desse peru00edodo, foram ajuizados doze recursos principais, que transitaram pelas mais diversas instu00e2ncias do Poder Judiciu00e1rio. A solicitau00e7u00e3o de oitiva de testemunhas que residiam fora da comarca original, um tru00e2mite burocru00e1tico, contribuiu significativamente para o atraso do processo.
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Outra tu00e1tica empregada pela defesa foi a renu00fancia sucessiva de advogados, o que abria novos prazos para a constituiu00e7u00e3o de novos defensores. Essa estratu00e9gia, aliada a outros recursos, permitiu que o caso se arrastasse por mais de duas du00e9cadas, gerando grande angu00fastia para a famu00edlia de Maristela. O crime su00f3 nu00e3o prescreveu em 2009 porque o prazo foi interrompido em 2001 pela sentenu00e7a de pronu00fancia.
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O julgamento, inicialmente marcado para maio de 2010, foi adiado pela ausu00eancia do ru00e9u e de seu advogado. Somente em junho do mesmo ano, a juu00edza Inu00eas Maria de Albuquerque Alves iniciou o julgamento, nomeando defensores pu00fablicos para o caso. Como o ru00e9u nu00e3o se apresentou, ele foi julgado u00e0 revelia. A testemunha Nathu00e1lia, irmu00e mais velha de Zaldo, desempenhou um papel crucial ao desmentir a tese da defesa e relatar com detalhes como o agressor mirou em cada pessoa no quarto.
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A Condenação e a Luta Contra a Impunidade: O Papel da Mídia e do STF
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Apu00f3s 21 anos de espera, Josu00e9 Ramos Lopes Neto foi condenado em 2010 a 79 anos de prisu00e3o em regime fechado pelos crimes de homicu00eddio e tru00eas tentativas. Para Zaldo, aquele foi o dia mais feliz de sua vida, um marco na longa batalha pela justiu00e7a. No entanto, a prisu00e3o efetiva su00f3 ocorreu em 2012, apu00f3s uma denu00fancia anu00f4nima que informou sobre o paradeiro do condenado. Ele teria se escondido em diferentes estados e atu00e9 no Paraguai.
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Mesmo apu00f3s a condenau00e7u00e3o, a defesa do agressor nu00e3o desistiu e, em 2014, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de anular o julgamento. Essa decisu00e3o gerou grande apreensu00e3o na famu00edlia, que temeu a impunidade. Zaldo e Nathu00e1lia intensificaram a mobilizau00e7u00e3o, escrevendo cartas pu00fablicas e viajando a Brasu00edlia para apresentar memoriais aos ministros do STF, expondo as cicatrizes fu00edsicas e emocionais do crime.
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Em 10 de fevereiro de 2015, a Primeira Turma do STF, por maioria de 4 votos a 1, decidiu manter a condenau00e7u00e3o definitiva de Josu00e9 Ramos Lopes Neto. Para Zaldo, essa decisu00e3o representou a concretizau00e7u00e3o da justiu00e7a, ainda que tardia. “Houve a justiu00e7a, por mais retardatu00e1ria que tenha sido”, comentou.
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Superando a Dor: A Trajetória de Zaldo e o Legado de Maristela
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Adotado por sua tia Marcela e seu tio Honu00f3rio, Zaldo Just Neto su00f3 compreendeu a real dimensu00e3o do que aconteceu com sua mu00e3e por volta dos 10 anos de idade. A nova famu00edlia explicou suas limitau00e7u00f5es fu00edsicas, resultado do tiro na cabeu00e7a disparado pelo pru00f3prio pai, que o tornaram alvo de bullying na escola. A aceitau00e7u00e3o dessa realidade foi um processo doloroso.
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Apesar das adversidades, Zaldo encontrou foru00e7a para lutar por justiu00e7a e para honrar a memu00f3ria de sua mu00e3e. Ele se formou em direito, escolheu essa profissu00e3o para ter ferramentas de luta e, com o apoio de sua irmu00e, Nathu00e1lia, utilizou a mu00eddia e a internet para dar visibilidade ao caso. A criau00e7u00e3o do Centro de Referu00eancia Maristela Just, em homenagem u00e0 sua mu00e3e, u00e9 um exemplo do legado de luta e proteu00e7u00e3o u00e0s mulheres que ele busca perpetuar.
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Casado e pai de uma filha, Zaldo afirma que ele e sua famu00edlia nu00e3o buscam mais o agressor, que hoje cumpre pena em casa. “Somos indiferentes ao seu triste destino que a Justiu00e7a tratou de trilhar, afinal qualquer pena u00e9 menor que a pena que nos foi imposta: a de viver sem nossa mu00e3e”, escreve em seu livro. A obra “Alu00e9m das Cicatrizes” u00e9 um convite u00e0 reflexu00e3o sobre a violu00eancia de gu00eanero, a morosidade da Justiu00e7a e a capacidade humana de superar as mais profundas tragu00e9dias, transformando a dor em luta por um futuro mais justo.
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O Feminicídio Como Crime de Estado e o Impacto Social do Trauma
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O caso de Maristela Just, embora tenha ocorrido antes da tipificau00e7u00e3o do crime de feminicu00eddio, ilustra a brutalidade da violu00eancia de gu00eanero no Brasil. A demora de 21 anos para a condenau00e7u00e3o do agressor evidencia as falhas estruturais do sistema judiciu00e1rio em lidar com crimes de violu00eancia domu00e9stica e feminicu00eddios. A morosidade contribui para a impunidade e a perpetuau00e7u00e3o da violu00eancia.
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Zaldo ressalta o impacto geracional do feminicu00eddio, que nu00e3o se limita apenas u00e0 perda da mu00e3e, mas tambu00e9m ao trauma fu00edsico e psicolu00f3gico das vu00edtimas sobreviventes, como ele pru00f3prio. As sequelas neurolu00f3gicas, as dificuldades motoras e os esquecimentos temporu00e1rios su00e3o marcas indeléveis de um crime que deveria ter sido evitado.
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A luta de Zaldo e Nathu00e1lia pela justiu00e7a e a publicau00e7u00e3o do livro “Alu00e9m das Cicatrizes” su00e3o exemplos de como as vu00edtimas podem transformar a dor em foru00e7a e conscientizau00e7u00e3o. A criau00e7u00e3o do Centro de Referu00eancia Maristela Just u00e9 uma iniciativa importante para oferecer apoio a mulheres em situau00e7u00e3o de violu00eancia, buscando romper o ciclo de violu00eancia e garantir que outras famu00edlias nu00e3o passem pela mesma dor.
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O Legado da Lei Maria da Penha e a Persistência da Violência Contra a Mulher
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A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, representa um marco no combate u00e0 violu00eancia domu00e9stica e familiar contra a mulher no Brasil. Criada em homenagem a Maria da Penha Fernandes, que sofreu duas tentativas de homicu00eddio do ex-marido, a lei trouxe mecanismos mais eficazes para a proteu00e7u00e3o das vu00edtimas, como as medidas protetivas de urgu00eancia.
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O Ministu00e9rio da Justiu00e7a divulgou que, em 2025, o nu00famero de medidas protetivas concedidas ultrapassou 337 mil, o maior da histu00f3ria. Esse dado, embora demonstre a eficu00e1cia da lei em oferecer amparo, tambu00e9m revela a alta incidu00eancia da violu00eancia domu00e9stica no pau00eds. Casos como o de Maristela Just, que ocorreram antes da existu00eancia da Lei Maria da Penha, mostram a evoluu00e7u00e3o da legislau00e7u00e3o, mas tambu00e9m a persistu00eancia da violu00eancia.
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Apesar dos avanu00e7os, o feminicu00eddio continua sendo uma realidade alarmante no Brasil. O Anuu00e1rio da Seguranu00e7a Pu00fablica de 2025 registrou 1.571 casos de feminicu00eddio, o que equivale a quatro mulheres assassinadas por dia. Essa estatu00edstica u00e9 um alerta para a necessidade de aprofundar as polu00edticas pu00fablicas de combate u00e0 violu00eancia contra a mulher e de conscientizau00e7u00e3o social, para que casos como o de Maristela Just nu00e3o se repitam e para que o lema “todo dia morrem mulheres dessa forma” se torne apenas uma lembranu00e7a do passado.
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A Importância da Denúncia e da Mobilização Social Contra o Feminicídio
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A luta de Zaldo e Nathu00e1lia pela justiu00e7a de sua mu00e3e se tornou um exemplo de como a persistu00eancia e a mobilizau00e7u00e3o social podem fazer a diferenu00e7a na busca por direitos e pela puniu00e7u00e3o de crimes hediondos. A utilizau00e7u00e3o de blogs, redes sociais e a busca por visibilidade na mu00eddia foram estratu00e9gias cruciais para pressionar o sistema judiciu00e1rio e evitar a prescriu00e7u00e3o do caso.
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A intervenu00e7u00e3o de figuras pu00fablicas, como a autora Glu00f3ria Perez, demonstrou o poder da solidariedade e do engajamento cu00edvico na luta contra a violu00eancia. O apoio de personalidades pode amplificar a voz das vu00edtimas e alertar a sociedade sobre a gravidade de determinadas questu00f5es.
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O livro “Alu00e9m das Cicatrizes” e o Centro de Referu00eancia Maristela Just su00e3o legados importantes que perpetuam a memu00f3ria de Maristela Just e continuam a luta contra o feminicu00eddio. A histu00f3ria de Zaldo u00e9 um convite u00e0 reflexu00e3o sobre a necessidade de denu00fancia, de apoio u00e0s vu00edtimas e de au00e7u00e3o coletiva para erradicar a violu00eancia contra a mulher. A justiu00e7a pode ser tardia, mas a luta por ela u00e9 fundamental para a construu00e7u00e3o de uma sociedade mais segura e igualitu00e1ria.
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