Fifa considera expandir a Copa do Mundo para 64 seleções após 2026, buscando maior inclusão global

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) está considerando seriamente a possibilidade de expandir ainda mais a Copa do Mundo masculina, avaliando um formato com 64 seleções. A proposta, que visa aumentar a participação global e dar a mais países a oportunidade de sonhar com o título, ganhou força após o sucesso da primeira edição com 48 equipes. O presidente da entidade, Gianni Infantino, é um dos principais defensores da ideia, argumentando que o torneio deve ser verdadeiramente para o mundo todo.

A discussão sobre a ampliação para 64 seleções deve ganhar contornos mais concretos após a Copa do Mundo de 2026, que já contará com o formato expandido. Infantino tem enfatizado que o aumento no número de participantes tem elevado o nível técnico do futebol em diversas regiões e que dar mais chances a países menores é crucial para o desenvolvimento do esporte globalmente.

No entanto, a ideia não é unanimidade entre as confederações continentais. Enquanto alguns veem a expansão como um passo natural e benéfico, outros expressam preocupações sobre a qualidade do espetáculo, o calendário e a logística. A decisão final caberá ao conselho da Fifa, mas o debate promete ser intenso nos próximos meses, conforme informações divulgadas pelo BBC Sport.

O argumento de Infantino: “Uma Copa do Mundo para o mundo todo”

Gianni Infantino tem sido um fervoroso defensor da expansão da Copa do Mundo, argumentando que o torneio deve refletir a diversidade e o alcance global do futebol. Segundo ele, a intenção é que cada nação tenha a oportunidade de vivenciar a experiência de participar da maior competição de futebol do planeta. “Ao organizar uma Copa do Mundo, é importante organizá-la para o mundo todo – não apenas para a Europa e a América do Sul, mas efetivamente para o mundo inteiro. Todas as nações deveriam ter a oportunidade de sonhar em participar da Copa do Mundo”, declarou Infantino à emissora suíça Blue Sport.

Ele também ressalta que a qualidade do futebol está em ascensão em todo o globo, e que negar a participação a países menores pode desestimular o desenvolvimento e o investimento no esporte. “É possível perceber que a qualidade das equipes é extremamente alta e está aumentando cada vez mais em todo o mundo. Se não dermos aos países menores a chance de participar da Copa do Mundo, eles não terão incentivo para continuar melhorando”, argumentou o presidente da Fifa.

Infantino cita o sucesso da Copa do Mundo de 2026, que será a primeira com 48 seleções, como um indicativo da viabilidade e dos benefícios da expansão. Ele destacou que, na edição anterior, apenas cinco seleções africanas participaram, e que a expectativa é que esse número aumente significativamente com o novo formato, promovendo maior representatividade continental.

A trajetória da expansão: De 32 para 48 e agora o debate sobre 64

A história recente da Copa do Mundo é marcada por um processo gradual de expansão. Em 2017, o conselho da Fifa aprovou a mudança do formato de 32 para 48 seleções, que entrará em vigor a partir da edição de 2026. Essa decisão já representou um aumento significativo no número de participantes, com o objetivo de democratizar o acesso ao torneio.

A proposta de expandir para 64 seleções surgiu formalmente em abril de 2025, apresentada pela Conmebol, a entidade que comanda o futebol sul-americano. Contudo, até o momento, nenhuma decisão concreta foi tomada sobre essa nova ampliação. A possibilidade de um torneio ainda maior tem sido ventilada desde a gestão de Infantino, que em sua primeira eleição em 2016 já defendia um aumento para 40 equipes.

O sucesso da proposta de 48 equipes, que foi aprovada rapidamente após a eleição de Infantino, abriu caminho para novas discussões sobre um formato ainda mais inclusivo. A Fifa, sob a liderança de Infantino, parece determinada a explorar os limites da participação global em suas competições, buscando consolidar o futebol como um esporte verdadeiramente universal.

O cenário da Copa do Mundo de 2030 e a proposta da Conmebol

A Copa do Mundo de 2030, que marcará o centenário da competição, já apresenta um cenário logístico complexo, com sedes distribuídas em múltiplos países. A edição será sediada principalmente por Espanha, Portugal e Marrocos, com a particularidade de três jogos de abertura serem disputados na Argentina, Uruguai e Paraguai. Essa divisão visa homenagear a primeira Copa do Mundo, realizada no Uruguai em 1930.

É nesse contexto que a Conmebol apresentou sua proposta oficial para que a Copa do Mundo de 2030 já contasse com 64 seleções. A ideia, embora ainda não decidida, reflete o desejo da entidade sul-americana de promover uma maior participação e dar mais visibilidade às seleções de seu continente, além de outras regiões em desenvolvimento.

A proposta de 64 seleções para 2030, caso viesse a ser aprovada, representaria um salto ainda maior em termos de organização e alcance do torneio. A Conmebol, ao apresentar a sugestão, demonstra sua intenção de influenciar as decisões futuras da Fifa e impulsionar um modelo de Copa do Mundo mais abrangente e inclusivo.

Resistência e críticas à expansão para 64 seleções

Apesar do entusiasmo de Gianni Infantino e do apoio de algumas confederações, a proposta de expandir a Copa do Mundo para 64 seleções enfrenta forte resistência de importantes atores do futebol mundial. Aleksander Ceferin, presidente da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), é um dos críticos mais vocais, classificando a ideia como uma “má ideia” tanto para a qualidade do torneio quanto para o processo de qualificação.

Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa, presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), também expressou preocupação, alertando que uma expansão adicional poderia gerar “caos” no calendário e na organização. Victor Montagliani, presidente da Concacaf (confederação de futebol da América do Norte, Central e Caribe), sugere que a proposta “não parece correta” e que poderia prejudicar “o ecossistema do futebol em geral”, indicando que o foco deveria ser em otimizar o formato atual.

Essas críticas levantam pontos importantes sobre a viabilidade e os impactos de um torneio tão ampliado. A logística de sediar 64 seleções, com um número consideravelmente maior de jogos, apresenta desafios logísticos e financeiros significativos para os países anfitriões, além de poder diluir a competitividade e o interesse em fases iniciais do torneio.

Desafios logísticos e o impacto nos países anfitriões

A expansão da Copa do Mundo, especialmente para 64 seleções, impõe desafios logísticos consideráveis aos países ou regiões anfitriãs. Quanto maior o número de equipes, maior a necessidade de infraestrutura, como estádios, centros de treinamento, transporte e acomodações. O torneio de 2026, que será realizado em três países (Estados Unidos, Canadá e México), já demandará uma organização complexa devido à vasta área geográfica.

A edição de 2030, com sua configuração multi-país e multi-continente, exemplifica a crescente complexidade logística. Se a Copa do Mundo de 2034, que será sediada na Arábia Saudita, realmente comportar 64 equipes e seus consequentes 128 jogos, a demanda por infraestrutura e planejamento será imensa. A capacidade de um único país, ou mesmo de uma região, de gerenciar um evento dessa magnitude é um fator crucial a ser considerado.

A análise do BBC Sport aponta que, embora a expansão possa ser um trunfo eleitoral para Infantino, ao permitir a participação de quase um terço dos países filiados à Fifa, o impacto nos anfitriões é um ponto de atenção. A distribuição de receitas e a sustentabilidade do evento em termos de infraestrutura e impacto ambiental também se tornam questões mais complexas com torneios maiores.

A expansão como estratégia política e econômica da Fifa

A proposta de expandir a Copa do Mundo para 64 seleções pode ser vista também como uma estratégia política e econômica da Fifa. Para Gianni Infantino, aumentar o número de participantes é uma forma de consolidar seu poder e sua base de apoio, ao mesmo tempo em que aumenta a receita gerada pelo torneio. Mais equipes significam mais associações membros beneficiadas, o que fortalece a lealdade e o voto em futuras eleições.

Uma Copa do Mundo maior também implica em um aumento substancial nas receitas de direitos de transmissão, patrocínios e licenciamento. Essa maior arrecadação permite à Fifa investir mais em programas de desenvolvimento do futebol ao redor do mundo, além de distribuir fundos às federações nacionais, o que, por sua vez, pode ser revertido em melhorias na infraestrutura e no esporte local.

A afirmação de que uma Copa do Mundo maior “dá a mais países a oportunidade de jogar” e que “quase um terço dos 211 países filiados à Fifa se classificariam” com 64 seleções, ressalta o apelo democrático da proposta. No entanto, a viabilidade financeira e a organização logística para acomodar um número tão expressivo de seleções, mantendo a qualidade e a atratividade do evento, são pontos que continuam em debate.

O futuro da Copa do Mundo: Quais os próximos passos?

A decisão sobre a expansão da Copa do Mundo para 64 seleções não é iminente. A Fifa tem adotado uma postura de que discutirá ideias de expansão com todas as partes interessadas e que tem a obrigação de considerar todas as propostas apresentadas pelos membros do conselho. O conselho da Fifa é o órgão responsável por tomar a decisão final sobre o formato do torneio.

Enquanto isso, os preparativos para a Copa do Mundo de 2026, com 48 equipes, continuam. A experiência deste torneio será crucial para avaliar os impactos de um formato expandido e fornecer dados concretos para as futuras discussões sobre a possibilidade de mais uma ampliação. A análise do desempenho das equipes, a logística de sediamento e a recepção do público serão fatores determinantes.

A possibilidade de os Estados Unidos se candidatarem para sediar a Copa do Mundo de 2038, mesmo com 64 equipes, como sugerido por Andrew Giuliani, diretor executivo da força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, indica que há interesse em explorar essa nova configuração. No entanto, a posição oficial da Fifa é de que o processo de decisão envolverá consultas e análises aprofundadas, sem pressa para uma definição.

Repercussão e opiniões divididas entre as confederações

A discussão sobre a expansão da Copa do Mundo para 64 seleções evidencia a divisão de opiniões entre as diferentes confederações continentais. Enquanto a Conmebol apresentou a proposta e Gianni Infantino defende a ideia com veemência, outras entidades demonstram ceticismo e preocupação.

A Uefa e a AFC, por exemplo, expressaram claramente suas objeções, argumentando que um torneio maior pode comprometer a qualidade e a experiência do futebol. A preocupação com o calendário apertado, a qualificação de seleções menos competitivas e o impacto na saúde dos jogadores são pontos levantados por essas confederações. A Uefa, em particular, tem sido uma forte defensora da manutenção de um formato que priorize a competitividade e a excelência esportiva.

Por outro lado, a Ásia e a África, continentes que se beneficiariam significativamente com mais vagas, tendem a apoiar a expansão. O sucesso da primeira Copa com 48 equipes, que permitiu a classificação de um número recorde de seleções africanas para as fases eliminatórias, reforça o argumento de que mais participação significa mais desenvolvimento e oportunidades. A Fifa, ao considerar a proposta, precisa ponderar os interesses e as visões de todas as suas 211 federações membros.

O impacto na qualidade do jogo e no ecossistema do futebol

Um dos principais argumentos contra a expansão para 64 seleções reside na potencial diluição da qualidade do jogo. Críticos como Aleksander Ceferin, da Uefa, temem que a inclusão de um número muito maior de equipes possa levar à participação de seleções com nível técnico inferior, resultando em partidas menos atraentes e competitivas nas fases iniciais do torneio.

A expansão de 32 para 48 equipes já gerou debates sobre a necessidade de ajustes no formato para garantir que a fase de grupos e as fases eliminatórias mantenham um alto nível de espetáculo. Com 64 seleções, o número de jogos saltaria para 128, exigindo uma revisão ainda mais profunda do formato e do calendário. A preocupação é que o torneio se torne excessivamente longo, com muitas partidas de menor interesse.

Além disso, há o receio de que uma Copa do Mundo tão extensa possa desestabilizar o “ecossistema do futebol em geral”, como mencionou Victor Montagliani, da Concacaf. Isso pode se referir à pressão sobre os calendários das ligas nacionais e continentais, à fadiga dos jogadores e à própria percepção de prestígio do torneio. A Fifa, ao discutir a expansão, terá que equilibrar o desejo de inclusão com a necessidade de manter a Copa do Mundo como o ápice do futebol mundial em termos de qualidade e emoção.

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