Indústria Brasileira Sob Pressão: Custos com Segurança Disparam e Impactam Preços Finais
A indústria brasileira enfrenta um cenário desafiador onde a insegurança, tanto nas estradas quanto no ambiente digital, se tornou um fator determinante no aumento dos custos operacionais. Segundo uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), uma expressiva maioria de 62% das empresas industriais relata que os gastos com segurança no transporte de cargas resultaram em um aumento direto nos seus custos finais.
Este cenário de apreensão é agravado pelo fato de que aproximadamente 20% das indústrias já foram vítimas de roubo ou furto de cargas rodoviárias. Para mitigar esses riscos e proteger seus ativos, as empresas têm sido forçadas a destinar parcelas cada vez maiores de seus orçamentos para medidas de segurança, o que, inevitavelmente, se reflete no preço dos produtos que chegam ao consumidor final.
A pesquisa da CNI, realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, entrevistou 1.003 executivos de empresas industriais de todos os portes e regiões do país, entre março e abril de 2026, pintando um quadro preocupante sobre os desafios de segurança que moldam o ambiente de negócios no Brasil. As informações foram divulgadas pela CNI.
O Peso da Insegurança Patrimonial no Custo Brasil
A percepção da insegurança patrimonial como um componente significativo do chamado “Custo Brasil” é amplamente compartilhada pelos empresários do setor. De acordo com o levantamento da CNI, nada menos que 81% das indústrias concordam que a falta de segurança contribui para o encarecimento da produção e dos negócios no país. Essa constatação sublinha a urgência de se buscar soluções eficazes para combater a criminalidade que afeta o transporte e a produção.
O impacto direto nos custos finais é notório. Além dos 62% que apontam o aumento de custos devido à segurança no transporte, outros 45% das empresas admitem que os investimentos gerais em segurança, abrangendo diversas frentes, também elevam o custo final de seus produtos. Essa realidade impõe uma carga adicional sobre a competitividade da indústria nacional, tanto no mercado interno quanto no externo.
A pesquisa detalha ainda que 20% das indústrias já vivenciaram a experiência traumática de roubo ou furto de suas cargas rodoviárias. Essa estatística, embora possa parecer um percentual isolado, representa um número considerável de empresas que precisam lidar com perdas diretas, custos de reposição, interrupções na cadeia de suprimentos e, claro, a necessidade de reforçar suas estratégias de segurança para evitar reincidências.
Perigos Constantes nas Rodovias: Foco em Roubo de Cargas
As rodovias brasileiras continuam sendo um palco de altos riscos para o transporte de mercadorias. Entre as empresas industriais que já foram vítimas de roubo ou furto de cargas nos últimos cinco anos, um expressivo percentual de 68% relata que as ocorrências aconteceram justamente nas estradas. Este dado reforça a necessidade de atenção especial às rotas de transporte rodoviário, que concentram a maior parte das perdas.
A natureza dos itens mais visados pelos criminosos também oferece um panorama sobre as vulnerabilidades. Liderando a lista de produtos furtados ou roubados, com 60% das ocorrências, estão fios e cabos. Na sequência, aparecem ferramentas, com 31% dos casos, e máquinas e equipamentos de produção, representando 23% das ocorrências. Essa diversidade de itens sugere que nenhuma indústria está imune e que a prevenção deve ser abrangente.
Diante desse cenário, a demanda por ações governamentais eficazes é clara. A maioria dos entrevistados, 54%, considera que o aumento do policiamento em áreas industriais é uma medida prioritária que o governo deveria adotar. Contudo, o otimismo com a melhora da segurança é baixo, com apenas 4% dos entrevistados avaliando que houve progresso no quesito segurança nos últimos cinco anos, indicando uma percepção de estagnação ou piora.
A Ascensão das Ameaças Cibernéticas no Setor Industrial
Para além dos riscos físicos nas estradas, as empresas industriais estão cada vez mais expostas a ameaças no ambiente digital. Incidentes cibernéticos, como vazamentos de dados e ataques de ransomware – também conhecido como sequestro de dados –, tornaram-se uma preocupação crescente. Esses ataques podem paralisar operações, comprometer informações estratégicas e gerar prejuízos financeiros significativos.
O impacto financeiro direto dessas ameaças é sentido por uma parcela considerável das empresas. De acordo com a pesquisa, 30% dos entrevistados registraram perdas financeiras diretas decorrentes de fraudes ou da necessidade de pagar resgates para recuperar dados sequestrados. Esse percentual demonstra que a cibersegurança não é mais uma questão secundária, mas sim um pilar fundamental para a continuidade dos negócios.
A complexidade e a frequência desses ataques cibernéticos forçam as empresas a implementar um conjunto robusto de medidas de proteção. A adoção de estratégias de defesa digital tornou-se tão crucial quanto a segurança física, exigindo investimentos contínuos em tecnologia e em capacitação de pessoal para enfrentar um cenário de ameaças em constante evolução.
Estratégias de Defesa Cibernética Adotadas pela Indústria
Em resposta à crescente onda de ameaças cibernéticas, as empresas industriais têm buscado fortalecer suas defesas digitais com diversas estratégias. A pesquisa da CNI revela um leque de ações que visam proteger informações sensíveis e garantir a integridade das operações em um ambiente cada vez mais digitalizado.
Entre as medidas mais comuns, destaca-se a realização de backups regulares dos dados, adotada por 75% das empresas. Essa prática é fundamental para a recuperação de informações em caso de perda ou ataque. Em seguida, 67% dos entrevistados investem em softwares de segurança, como antivírus e firewalls, para criar barreiras contra acessos não autorizados e malwares.
Outras ações importantes incluem a implementação de políticas de acesso e senhas robustas, seguida por 45% das empresas, que buscam controlar quem acessa quais informações e garantir que as senhas sejam fortes o suficiente para evitar quebras. O investimento em treinamento de funcionários para conscientização sobre riscos cibernéticos é realizado por 38% das empresas, reconhecendo que o fator humano é muitas vezes o elo mais fraco na cadeia de segurança.
Por fim, 34% das empresas optam por contratar equipes especializadas em cibersegurança, seja internamente ou por meio de serviços terceirizados, para lidar com a complexidade técnica e a constante evolução das ameaças digitais. Essa diversidade de abordagens reflete a seriedade com que a indústria tem encarado os riscos cibernéticos.
O Impacto do Custo da Segurança no Preço Final ao Consumidor
O aumento dos gastos com segurança, tanto para proteção de cargas quanto para a cibersegurança, tem um efeito cascata direto no custo final dos produtos oferecidos pela indústria. A pesquisa da CNI evidencia que essa realidade não é uma percepção isolada, mas um fato concreto para uma parcela significativa das empresas.
Como mencionado anteriormente, 62% das indústrias relatam um aumento nos custos finais devido às despesas com segurança no transporte. Esse percentual é alarmante, pois indica que a criminalidade nas estradas está diretamente contribuindo para a inflação percebida pelo consumidor. Cada roubo de carga ou incidente que exige maior investimento em escolta, rastreamento ou seguros, se traduz em um preço mais elevado na prateleira.
Adicionalmente, os investimentos em segurança cibernética, embora essenciais para a proteção de dados e a continuidade operacional, também representam um custo que precisa ser absorvido. Seja pela aquisição de softwares, contratação de especialistas ou implementação de novas tecnologias, esses gastos se somam aos demais custos de produção e, consequentemente, influenciam o preço final.
A pesquisa aponta que 45% das empresas admitem que os investimentos gerais em segurança encarecem o custo final de seus produtos. Essa cifra reforça a ideia de que a segurança, embora seja um fator primordial para a operação, se torna um componente de custo que afeta a competitividade e o poder de compra do consumidor. A busca por um equilíbrio entre a segurança e a acessibilidade de preços é um dos grandes desafios da indústria brasileira.
A Necessidade de Ações Governamentais e a Percepção de Melhora
Diante do cenário de insegurança e dos custos elevados que ele acarreta, as indústrias clamam por ações mais efetivas por parte do governo. A pesquisa da CNI revela que a percepção sobre a melhoria da segurança no país é baixa, o que intensifica a demanda por intervenções governamentais mais contundentes.
Um dos pedidos mais frequentes é o aumento do policiamento em áreas industriais. Essa solicitação, feita por 54% dos entrevistados, demonstra a crença de que uma presença policial mais ostensiva pode dissuadir a ação de criminosos e criar um ambiente mais seguro para as empresas e seus colaboradores. A ideia é que a segurança pública seja fortalecida para reduzir a necessidade de investimentos privados em segurança.
Entretanto, a sensação de estagnação ou retrocesso é predominante. Apenas 4% dos entrevistados acreditam que houve uma melhora no cenário de segurança nos últimos cinco anos. Essa estatística é um indicativo claro de que as medidas atuais não têm sido suficientes para reverter o quadro de insegurança que afeta o setor industrial. A falta de confiança na evolução positiva do cenário de segurança é um sinal de alerta para as autoridades.
A pesquisa, ao coletar dados entre 12 de março e 7 de abril de 2026, reflete um retrato atualizado dos desafios enfrentados pela indústria. A CNI, ao divulgar esses resultados, cumpre seu papel de dar voz aos empresários e de subsidiar o debate público sobre a necessidade de políticas eficazes que reduzam o Custo Brasil e promovam um ambiente de negócios mais seguro e competitivo.
Desafios Futuros e a Busca por Soluções Integradas
O panorama apresentado pela pesquisa da CNI delineia um futuro repleto de desafios para a indústria brasileira, mas também aponta para a necessidade de soluções integradas. A coexistência de riscos físicos e digitais exige uma abordagem multifacetada para a segurança, que vá além das medidas reativas.
A longo prazo, a redução do Custo Brasil passa necessariamente pela diminuição da criminalidade e pela implementação de políticas públicas eficazes que garantam a segurança patrimonial e cibernética. Isso pode envolver investimentos em infraestrutura de segurança nas rodovias, aprimoramento da inteligência policial, e o desenvolvimento de estratégias nacionais de cibersegurança.
As próprias empresas precisarão continuar a inovar em suas estratégias de segurança, buscando tecnologias mais avançadas e processos mais eficientes. A colaboração entre os setores público e privado será fundamental para identificar vulnerabilidades, compartilhar informações e desenvolver soluções conjuntas que possam mitigar os riscos e reduzir os custos associados à insegurança.
Em última análise, a indústria brasileira está em uma encruzilhada, onde a capacidade de adaptação e a resiliência serão cruciais. Enfrentar os desafios da segurança de forma proativa e estratégica não é apenas uma questão de proteger ativos, mas de garantir a sustentabilidade e a competitividade do setor em um cenário global cada vez mais complexo e interconectado.