Itaú assina contrato milionário para novos escritórios e impulsiona retorno ao presencial em São Paulo
O Itaú Unibanco fechou a maior locação de escritórios já registrada no mercado brasileiro, um movimento estratégico que reforça a aposta do banco no trabalho presencial. A transação envolve as duas torres do complexo Esther Towers, localizado na Avenida Chucri Zaidan, em São Paulo, e representa um marco para o setor imobiliário corporativo.
O contrato, com duração inicial de dez anos e possibilidade de prorrogação por mais cinco, prevê a ocupação de uma área de 91,4 mil metros quadrados, o equivalente a 12 campos de futebol. Este acordo não apenas atende à necessidade de expansão física do banco, mas também sinaliza uma mudança significativa nas dinâmicas de trabalho pós-pandemia, com maior ênfase na presença dos funcionários nos escritórios.
A transação, que movimenta cerca de R$ 1,17 bilhão em receita de locação para a Eztec, incorporadora do empreendimento, foi antecipada pelo Estadão/Broadcast e intermediada pelas consultorias CBRE e Binswanger Brazil. O acordo reflete uma tendência crescente entre grandes corporações financeiras de reavaliar seus modelos de trabalho, buscando um equilíbrio entre flexibilidade e colaboração presencial. Conforme informações divulgadas pela imprensa especializada.
Um Gigante Imobiliário Corporativo em São Paulo
O complexo Esther Towers, pertencente à incorporadora Eztec da família Zarzur, tornou-se palco da maior locação de escritórios da história do Brasil. O contrato assinado na noite de quinta-feira (17) garante ao Itaú Unibanco a ocupação integral de suas duas torres, totalizando impressionantes 91,4 mil metros quadrados. Essa área é dimensionada para acomodar cerca de 9.600 posições de trabalho, um número expressivo que reflete o planejamento do banco para o futuro de suas operações.
A escolha do Esther Towers, localizado em uma zona empresarial estratégica de São Paulo, atende a critérios rigorosos de infraestrutura, operacionais e de atendimento às necessidades futuras do banco. O objetivo é criar ambientes que promovam a colaboração, a troca de conhecimento e a integração entre as equipes, aspectos considerados cruciais para o crescimento e a inovação dentro da instituição.
A construção do complexo Esther Tower foi iniciada pela Eztec em 2019, com a primeira torre já tendo recebido o Habite-se e a segunda com entrega prevista para o terceiro trimestre do próximo ano. O empreendimento, que homenageia Dona Esther Zarzur, esposa do fundador Ernesto Zarzur, representa um investimento significativo da incorporadora, que agora vê seu principal ativo imobiliário corporativo locado em sua totalidade.
A Estratégia do Itaú: Mais Presença, Mais Colaboração
A decisão do Itaú Unibanco de locar um espaço tão amplo está intrinsecamente ligada à sua estratégia de ampliar a área de escritórios para acomodar o crescimento das atividades e, principalmente, a maior frequência do expediente presencial. Após a pandemia, muitas empresas, incluindo o Itaú, adaptaram-se ao home office, devolvendo espaços e reconfigurando suas operações.
No entanto, o banco tem revisto essa dinâmica. Em junho, o Itaú alterou as regras do modelo de trabalho híbrido. A nova política estabelece uma frequência mínima obrigatória de três dias por semana nos escritórios para funcionários administrativos, com vigência a partir do primeiro trimestre de 2028. Para cargos de superintendência, a exigência sobe para quatro dias semanais, a partir de janeiro de 2027, alinhando-se à diretriz já existente para diretores.
Essa mudança de paradigma visa fortalecer a cultura organizacional, estimular a inovação e garantir que as equipes possam colaborar de forma mais eficaz. O Itaú comunicou que a nova locação “integra o plano de investimentos em infraestrutura, que prepara seus polos para a evolução gradual do modelo híbrido”, demonstrando um compromisso de longo prazo com a adaptação e o aprimoramento de seus ambientes de trabalho.
Impacto Financeiro e Estratégico para a Eztec
Para a Eztec, a locação das duas torres do Esther Towers representa um passo fundamental e um sucesso estratégico. O contrato de dez anos, prorrogável por mais cinco, gerará uma receita estimada de R$ 1,17 bilhão para a incorporadora, considerando os preços de fechamento na data da transação. Este valor robusto valida o investimento realizado no complexo e fortalece a posição da empresa no mercado imobiliário.
O contrato prevê correção pelo IPCA e está sujeito a revisões de preço conforme a evolução do mercado, práticas comuns em transações de longo prazo. A Eztec, que desenvolve e constrói empreendimentos para venda, já havia sinalizado que a venda do complexo ocorreria após a locação. Com o acordo fechado em sua totalidade, espera-se que o processo de venda do Esther Towers seja acelerado.
O valor de mercado do Complexo Esther Towers é estimado em torno de R$ 1,5 bilhão. Como inquilino principal, o Itaú Unibanco possui prioridade em uma eventual aquisição do complexo, o que pode representar uma oportunidade futura para o banco consolidar ainda mais sua presença em um imóvel de alta qualidade.
Um Movimento que Sinaliza Mudanças no Setor
A decisão do Itaú Unibanco de expandir seus escritórios e aumentar a exigência de trabalho presencial não é um caso isolado, mas sim parte de um movimento mais amplo no setor financeiro. Diversas instituições estão reavaliando os modelos de trabalho adotados durante a pandemia, buscando um novo equilíbrio que combine a flexibilidade do home office com os benefícios da interação presencial.
Um exemplo notório é o Nubank, que também anunciou a redução do sistema de home office e alugou uma série de prédios para acomodar suas equipes. Essa reorientação reflete a percepção de que a colaboração espontânea, o desenvolvimento de novas ideias e o fortalecimento da cultura corporativa são intensificados quando há interação física regular.
O Itaú, com mais de 80 mil funcionários no Brasil, vê cerca de 40% de seu quadro atuando presencialmente em funções que exigem contato direto com o público ou suporte físico. Os outros 60% estão no modelo híbrido, com a obrigatoriedade de comparecer aos escritórios em um número mínimo de dias. A nova locação e as políticas de trabalho revisadas visam otimizar a experiência desses funcionários e a eficiência das operações.
Detalhes da Locação e o Futuro do Complexo
A locação do Esther Towers pelo Itaú Unibanco contempla uma área de 91,4 mil metros quadrados, um espaço colossal que exigiu negociações detalhadas. O valor de aluguel pedido inicialmente situava-se na faixa de R$ 120 a R$ 125 por metro quadrado. Após descontada a carência concedida pela Eztec, que pode variar de 6 a 12 meses sem pagamento de aluguel, o valor líquido ficou próximo de R$ 106 por metro quadrado, uma prática comum para viabilizar contratos de longo prazo.
A Eztec, em comunicado oficial, declarou que a operação “faz parte da avaliação contínua de alternativas estratégicas para seus ativos”. A venda do complexo, que representa o próximo passo para a incorporadora após a locação, tende a ser acelerada, permitindo à empresa capitalizar sobre o investimento e buscar novos projetos.
Para o Itaú, a aquisição futura do complexo não seria inédita em sua estratégia de infraestrutura. A principal sede administrativa do banco é o CEIC (Centro Empresarial Itaú Unibanco), no Jabaquara, zona sul de São Paulo, e o Itaú BBA opera no Edifício FL 3500, na Avenida Faria Lima, ambos imóveis próprios. A locação do Esther Towers, portanto, complementa e expande sua presença física na capital paulista, sinalizando um futuro onde o trabalho presencial ganha mais protagonismo.
O Que os Números Revelam sobre a Transação
A transação entre Itaú Unibanco e Eztec é significativa não apenas pelo volume de espaço locado, mas também pelos valores envolvidos e pelas implicações econômicas. A receita de locação de R$ 1,17 bilhão em dez anos para a Eztec é um indicativo da magnitude do acordo e do valor percebido do empreendimento. Esse montante deve ter um impacto positivo direto nos resultados financeiros da incorporadora.
A área locada, 91,4 mil m², é comparável a 12 campos de futebol, dimensionando a escala da operação. O valor do aluguel, após a carência, em torno de R$ 106/m², está alinhado com os valores praticados no mercado para imóveis corporativos de alto padrão em localizações estratégicas, como a Avenida Chucri Zaidan.
A Eztec, ao conceder um período de carência de 6 a 12 meses, demonstra flexibilidade e alinhamento com as práticas de mercado para garantir a atração de inquilinos de grande porte. Essa estratégia visa assegurar a ocupação e a geração de receita a longo prazo, além de facilitar a subsequente venda do ativo, que é avaliado em cerca de R$ 1,5 bilhão.
O Futuro do Trabalho e a Nova Sede do Itaú
A locação histórica pelo Itaú Unibanco para o Esther Towers é um forte sinal de que o debate sobre o modelo de trabalho ideal está em andamento e que o retorno a um maior contato presencial é uma realidade para muitas empresas. A instituição financeira, ao investir em infraestrutura física de ponta, reforça seu compromisso com a colaboração, a cultura e o desenvolvimento de seus colaboradores em um ambiente de trabalho mais integrado.
As novas diretrizes de trabalho híbrido, com exigência de dias mínimos nos escritórios, preparam o terreno para que os 9.600 novos postos de trabalho sejam utilizados de forma eficaz. O objetivo é criar um ambiente que favoreça a sinergia entre as equipes, estimule a criatividade e impulsione os resultados do banco, sem abrir mão dos benefícios de flexibilidade que foram aprendidos durante os últimos anos.
A expansão e a consolidação em polos como o Esther Towers indicam que o Itaú está se preparando para um futuro onde a coexistência de modelos de trabalho, com uma forte ênfase na interação presencial, será a norma. Este movimento estratégico não só beneficia o banco em termos de operações e cultura, mas também impulsiona o mercado imobiliário corporativo, sinalizando um novo capítulo para os escritórios no Brasil.