O julgamento de Nicolás Maduro e Cilia Flores nos EUA começa com declarações de inocência. Conheça os envolvidos, as acusações e o que virá a seguir.
O ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, compareceram nesta segunda-feira, 5 de fevereiro, perante o juiz Alvin Kenneth Hellerstein, no Tribunal Distrital do Distrito Sul de Nova York. Eles foram formalmente acusados pela Justiça dos Estados Unidos por crimes graves, como narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado.
Em uma audiência que marca o início de um processo de grande repercussão, o casal se declarou inocente de todas as acusações. A gravidade dos delitos imputados aponta para uma complexa teia de crime organizado transnacional, que teria instrumentalizado o Estado venezuelano.
Acompanhe os detalhes sobre os principais personagens deste julgamento de Nicolás Maduro e Cilia Flores, as estratégias de defesa e os desdobramentos esperados para o caso, conforme informações divulgadas pela imprensa americana.
A Corte e o Juiz do Caso
O Tribunal Distrital do Distrito Sul de Nova York é uma das cortes federais mais importantes dos Estados Unidos. Ele é reconhecido por sua atuação em casos que envolvem crime organizado transnacional e ameaças à segurança nacional, o que sublinha a seriedade das acusações contra Maduro e Flores.
A audiência inicial foi conduzida pelo juiz federal Alvin Kenneth Hellerstein, de 92 anos. Nomeado em 1998 pelo então presidente Bill Clinton, Hellerstein é conhecido por sua vasta experiência e por ter atuado em casos de grande repercussão, como ações civis relacionadas aos atentados de 11 de setembro de 2001.
Segundo a imprensa americana, o juiz Hellerstein adota um perfil técnico e uma condução rigorosa dos processos sob sua responsabilidade. Ele será o encarregado de guiar todo o julgamento de Nicolás Maduro, desde as fases preliminares até a decisão final.
A Promotoria e as Graves Acusações
A acusação contra Nicolás Maduro e Cilia Flores é liderada pelo procurador federal Jay Clayton, que chefia o escritório da Procuradoria Federal dos EUA para o Distrito Sul de Nova York. Clayton, indicado pelo presidente Donald Trump, assumiu o cargo em abril do ano passado, sendo designado formalmente por juízes da própria corte.
A promotoria apresentou uma acusação ampliada, tornando-a pública no sábado, 3 de fevereiro. O documento aponta Maduro, sua esposa, aliados políticos e integrantes de organizações criminosas transnacionais como líderes de uma conspiração que durou mais de duas décadas.
Essa rede criminosa, segundo a denúncia, teria usado estruturas do Estado venezuelano para facilitar o envio de grandes carregamentos de drogas aos Estados Unidos. A acusação formal associa o casal a grupos classificados como terroristas, como o Tren de Aragua, FARC, ELN, Cartel de Sinaloa e Zetas.
Maduro, entre outros crimes, responde por conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para o uso desses armamentos. Cilia Flores é acusada de participação em conspiração para importação de cocaína e crimes relacionados a armas de guerra.
As Estratégias de Defesa de Maduro e Cilia Flores
Nicolás Maduro é representado pelo advogado americano Barry Pollack, especialista em casos complexos de segurança nacional e disputas políticas, como o do jornalista Julian Assange. Durante a audiência, Pollack informou ao juiz que não solicitará a liberdade provisória de Maduro.
A defesa de Maduro pretende apresentar recursos baseados em alegações de imunidade e prerrogativas de chefe de Estado, buscando contestar a validade do processo. Esta é uma estratégia comum em casos envolvendo líderes políticos de outros países.
Cilia Flores, por sua vez, é defendida pelo advogado Mark Donnelly, ex-procurador do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A defesa informou que Flores sofreu ferimentos durante a operação de captura, incluindo contusões visíveis, e solicitou que ela fosse submetida a uma avaliação médica adequada enquanto sob custódia federal.
Ao ser questionada sobre sua identidade, Cilia Flores afirmou ser “a primeira-dama da Venezuela”, dispensou a leitura integral da acusação e se declarou inocente de todas as imputações. Ambos permanecerão sob custódia federal no Metropolitan Detention Center (MDC), no Brooklyn, já que as defesas não pediram fiança ou liberdade provisória nesta fase.
O Que Acontece Agora no Processo Judicial
Com a declaração de inocência de Nicolás Maduro e Cilia Flores, o processo entra na chamada fase pré-processual. Os próximos passos, de acordo com o procedimento padrão da Justiça federal dos EUA, incluem a troca formal de provas entre acusação e defesa.
Também serão analisados pedidos preliminares, que podem abordar temas como a competência da corte, as alegações de imunidade, a legalidade da captura do casal e a admissibilidade das provas reunidas pela promotoria federal. Moções para a exclusão de elementos do processo também podem ser apresentadas.
A próxima audiência de Maduro e Cilia já está marcada para o dia 17 de março. Nesta data, o juiz Hellerstein deverá avaliar o andamento dessas petições iniciais e definir os próximos prazos do caso, que promete ser longo e detalhado. Segundo Elie Honig, analista jurídico sênior da CNN, a complexidade e o período de 25 anos abrangido pelas acusações indicam que o julgamento de Nicolás Maduro não será rápido, com a fase inicial tendendo a ser extensa.