Coreia do Sul: Líder da Igreja da Unificação condenada por crimes de corrupção e suborno em decisão judicial
A líder da Igreja da Unificação, Han Hak-ja, foi condenada a dois anos de prisão por um tribunal sul-coreano nesta segunda-feira (31). A sentença abrange crimes relacionados a financiamento político ilegal e suborno, em um caso que aponta para esforços em busca de influência no governo do ex-presidente Yoon Suk Yeol.
Han, de 83 anos, foi considerada culpada de fornecer dinheiro a políticos e artigos de luxo, incluindo bolsas da Chanel e um colar de diamantes, à ex-primeira-dama Kim Keon Hee. A decisão foi proferida pelo Tribunal Distrital Central de Seul, que investigou as acusações desde outubro de 2025.
O caso se insere em um contexto de investigações mais amplas que surgiram após o afastamento de Yoon Suk Yeol do cargo, consequência de sua declaração de lei marcial em dezembro de 2024. As informações detalhadas sobre a condenação e os motivos apresentados pelo tribunal foram divulgadas com base em reportagens sobre o julgamento.
Detalhes da Condenação: Financiamento Político e Presentes Luxuosos
A condenação de Han Hak-ja se desdobra em duas frentes principais. Inicialmente, ela recebeu uma pena de um ano de prisão por violar a Lei de Fundos Políticos. Essa acusação se refere, especificamente, ao fornecimento de 100 milhões de wones (aproximadamente US$ 72.934) a um deputado do partido governista antes da eleição presidencial de 2022. O objetivo, segundo o tribunal, era influenciar o processo eleitoral em favor de um candidato alinhado aos interesses da igreja.
Em um segundo componente da sentença, Han foi condenada a mais um ano de prisão por seu envolvimento no fornecimento de artigos de luxo à ex-primeira-dama Kim Keon Hee. A entrega dos presentes, que incluíam itens de grife como bolsas da Chanel e um colar de diamantes, teria ocorrido por meio de um intermediário, conforme detalhado na decisão judicial.
Motivação por Trás dos Crimes: Ampliação da Influência da Igreja
O juiz responsável pelo caso explicou que os crimes foram motivados pela intenção de utilizar o poder financeiro da Igreja da Unificação para apoiar um candidato favorável na 20ª eleição presidencial. A igreja via essa eleição como uma oportunidade crucial para expandir sua influência política. Após a eleição do candidato, o objetivo seria obter apoio para as políticas da igreja e garantir a manutenção dessa influência no cenário governamental.
A estratégia, conforme apontado pela corte, visava estabelecer uma conexão direta entre os recursos da igreja e os círculos de poder, buscando legitimar e promover os interesses da organização através de meios ilícitos. A decisão judicial enfatizou a gravidade de tais práticas para a integridade da democracia representativa.
Defesa e Recurso: Negativa das Acusações e Contestação Judicial
Han Hak-ja, por sua vez, negou veementemente ter cometido qualquer irregularidade. Durante o processo, ela argumentou não ter interesse em política e que as ações questionadas foram realizadas por subordinados sem seu conhecimento ou autorização. Sua defesa sustentou que os contatos com políticos e o fornecimento de dinheiro e presentes foram iniciativas individuais de um ex-funcionário da igreja, motivado por ambições próprias.
A Federação das Famílias para a Paz e Unificação Mundial, conhecida amplamente como Igreja da Unificação, afirmou que irá recorrer da decisão. Em comunicado oficial, a igreja declarou ser impossível aceitar a conclusão do tribunal de que a presidente Han Hak-ja ordenou os atos ou aprovou seu propósito ilegal. A entidade contestará as descobertas judiciais, buscando reverter a condenação em instâncias superiores.
Figuras Envolvidas: Han Hak-ja e a Ex-Primeira-Dama
Han Hak-ja, que chegou ao tribunal em uma cadeira de rodas, é uma figura central na Igreja da Unificação, sendo conhecida por seus seguidores como “Verdadeira Mãe” ou “Mãe da Paz”. Sua saúde precária levou à obtenção de uma suspensão temporária de sua prisão até quarta-feira, permitindo que responda ao processo em liberdade por ora.
A ex-primeira-dama Kim Keon Hee também se viu envolvida no caso. Ela reconheceu ter recebido bolsas da Chanel por meio de um intermediário, mas negou qualquer ligação com os supostos esforços de lobby da Igreja da Unificação ou com acordos de troca de favores. Sua posição contrasta com as alegações que a conectam ao recebimento de presentes com potencial intuito de influência política.
Contexto Político: Investigação Pós-Governo Yoon Suk Yeol
O caso contra Han Hak-ja faz parte de uma série de investigações que ganharam força após o afastamento do ex-presidente Yoon Suk Yeol do cargo. A declaração de lei marcial em dezembro de 2024 por Yoon desencadeou um escrutínio intensificado sobre diversas alegações, incluindo aquelas que envolviam o casal presidencial e suas relações com grupos de influência.
Em julho, os promotores haviam solicitado uma pena total de 13 anos de prisão para Han, classificando a conduta supostamente praticada como uma aliança ilegal entre religião e política, prejudicial à democracia representativa. A promotoria argumentou que tais práticas corroem a confiança pública nas instituições e distorcem o processo democrático.
A Igreja da Unificação e sua Atuação
A Igreja da Unificação, oficialmente conhecida como Federação das Famílias para a Paz e Unificação Mundial, foi fundada por Sun Myung Moon em 1954. A organização é conhecida por suas cerimônias de casamento em massa e por sua forte atuação em diversas áreas, incluindo negócios, educação e ativismo político. Ao longo de sua história, a igreja tem sido objeto de controvérsias e escrutínio público.
A influência da igreja se estende globalmente, com milhões de seguidores em diversos países. Na Coreia do Sul, a organização desempenha um papel significativo na sociedade, o que levanta questões sobre a linha tênue entre atividade religiosa e interferência política. A condenação de sua líder levanta debates sobre a relação entre instituições religiosas e o poder estatal.
O Futuro da Igreja e o Legado de Han Hak-ja
A decisão judicial representa um golpe significativo para a liderança e a imagem da Igreja da Unificação. O recurso anunciado pela defesa indica que a batalha legal ainda não terminou, e o desfecho final poderá ter implicações duradouras para a organização e seus seguidores.
O caso também lança luz sobre as complexas dinâmicas de poder e influência na Coreia do Sul, onde a religião e a política frequentemente se entrelaçam. A condenação de Han Hak-ja pode servir como um marco na discussão sobre a necessidade de maior transparência e regulamentação nas interações entre líderes religiosos e o governo, visando preservar a integridade democrática do país.
Repercussão e Implicações para a Democracia Sul-Coreana
A decisão judicial de condenar Han Hak-ja por crimes de corrupção e suborno tem profundas implicações para a democracia sul-coreana. Ao expor uma suposta tentativa de usar recursos financeiros para influenciar o processo político e obter favores governamentais, o caso reforça a importância da vigilância contra a corrupção e o abuso de poder.
A atuação da Igreja da Unificação, conforme descrita no processo, levanta preocupações sobre a potencial distorção da vontade popular e a erosão da confiança nas instituições democráticas. A sentença, portanto, pode ser vista como um passo na direção de fortalecer os mecanismos de controle e responsabilização no país, garantindo que o poder político seja exercido de forma ética e transparente.