O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcança uma marca significativa em seu terceiro mandato, com a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) representando a 15ª troca de ministros desde janeiro de 2023. Essa movimentação sublinha a complexidade e os desafios enfrentados pela Esplanada.
Em média, Lula tem realizado uma mudança ministerial a cada dois meses e doze dias, um ritmo que demonstra a constante reavaliação e adaptação da estrutura governamental. As razões para essas substituições são variadas, indo desde pressões políticas até denúncias e realocações estratégicas.
A mais recente alteração, envolvendo o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, traz à tona discussões sobre segurança pública e a articulação interna do governo, conforme informações divulgadas pela Coluna do Estadão.
Os Motivos da Saída de Ricardo Lewandowski e os Desafios da Segurança Pública
Ricardo Lewandowski, que entregou sua carta de demissão ao presidente Lula, deixou o cargo motivado pela dificuldade em emplacar projetos importantes. Entre eles, destacam-se a PEC da Segurança e o chamado PL Antifacção, que enfrentaram resistências e entraves significativos.
O ex-ministro também estava descontente com a, em suas palavras, “irracionalidade” das discussões sobre segurança pública. Ele avaliava que o cenário para esses debates tende a piorar, especialmente em um ano eleitoral, gerando um ambiente de trabalho adverso.
Além disso, Lewandowski enfrentou problemas de articulação com a Casa Civil, que, segundo a Coluna do Estadão, segurou por meses projetos importantes enviados por sua pasta. Essa falta de apoio interno contribuiu para a decisão de deixar o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A Busca por um Novo Perfil e as Possíveis Substituições
Enquanto Lula não define o novo titular da pasta, o secretário-executivo do MJSP, Manoel Carlos de Almeida Neto, assume o cargo interinamente. A expectativa é que o presidente procure um perfil semelhante ao de Flávio Dino, antecessor de Lewandowski e atualmente ministro do STF.
O Partido dos Trabalhadores (PT) já defende um nome para a posição, sugerindo o coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, para assumir o comando do Ministério da Justiça. A escolha será crucial para o andamento das pautas de segurança.
As Outras 14 Trocas Ministeriais: Um Panorama da Esplanada
A gestão Lula tem sido marcada por uma série de trocas de ministros desde o início de 2023, refletindo a dinâmica política e as exigências do governo. Flávio Dino, por exemplo, deixou a Justiça e Segurança Pública em janeiro de 2024 para assumir uma cadeira no STF, sendo substituído por Ricardo Lewandowski.
Em setembro de 2023, houve uma significativa reforma ministerial para acomodar o Centrão. Ana Moser, medalhista olímpica, foi substituída por André Fufuca (PP-MA) no Ministério dos Esportes. No mesmo mês, Márcio França, então em Portos e Aeroportos, cedeu lugar a Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) e foi remanejado para o recém-criado Ministério do Empreendedorismo, Cooperativismo e Economia Criativa.
Ainda sob pressão do Centrão, Daniela Carneiro foi trocada por Celso Sabino no Ministério do Turismo. No entanto, Sabino foi demitido em dezembro de 2025, após ser expulso do União Brasil por desobedecer à ordem de entregar o cargo. Gustavo Feliciano assumiu a vaga, mantendo o partido no comando da pasta.
Denúncias e escândalos também motivaram trocas de ministros. Em abril de 2025, Juscelino Filho (Comunicações) entregou sua demissão após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República por suposto desvio de emendas parlamentares, caso revelado pelo Estadão. Frederico de Siqueira Filho assumiu a pasta.
No mesmo mês, Carlos Lupi (PDT) deixou a Previdência Social, pressionado por denúncias de fraudes no INSS, que deflagraram uma investigação da Polícia Federal e da CGU. Wolney Queiroz, seu número 2, assumiu o posto. Em maio de 2025, Cida Gonçalves (Mulheres) foi demitida após denúncias de assédio moral e xenofobia, sendo substituída por Márcia Lopes.
Silvio Almeida foi demitido do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania em setembro de 2024, após denúncias de assédio sexual. A deputada estadual licenciada Macaé Evaristo (PT-MG) tomou posse em seu lugar. O primeiro ministro a sair do governo Lula foi o General Gonçalves Dias, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), em abril de 2023, após ser visto em imagens dos ataques de 8 de janeiro sem confrontar invasores. O General Marcos Antônio Amaro dos Santos assumiu em maio.
Movimentações estratégicas também ocorreram em 2025. Márcio Macêdo (PT) deixou a Secretaria-Geral da Presidência, sendo substituído pelo deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), que passou a cuidar da interlocução com movimentos sociais, marcando uma guinada à esquerda. Paulo Pimenta (PT) foi substituído por Sidônio Palmeira na Secom em janeiro de 2025, com a missão de reformular a comunicação governamental.
A saúde também teve sua troca de ministros. Nísia Trindade foi demitida do Ministério da Saúde em fevereiro de 2025, após semanas de pressão. Lula buscava um perfil mais político para a pasta e escolheu Alexandre Padilha (PT), então ministro das Relações Institucionais, para o cargo. Com a ida de Padilha para a Saúde, Gleisi Hoffmann (PT) assumiu as Relações Institucionais, completando o ciclo de mudanças.
A Dinâmica da Gestão Lula: Desafios e Movimentações
O elevado número de trocas de ministros no terceiro mandato de Lula reflete a complexa teia de alianças políticas, pressões do Congresso e a necessidade de ajustar o governo. Seja por denúncias, realocações estratégicas ou busca por maior alinhamento político, as mudanças são uma constante.
A frequência dessas substituições, de um ministro a cada dois meses e doze dias, aponta para uma gestão que busca se adaptar rapidamente aos desafios e às demandas. A Esplanada de Lula, portanto, permanece em constante movimento, com um olhar atento para as próximas decisões e os impactos na governabilidade.