O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou ao Senado Federal a indicação de Otto Lobo para assumir a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A decisão, oficializada no Diário Oficial da União (DOU) nesta quarta-feira (7), coloca um nome já familiar à autarquia em posição de destaque.
Desde julho do ano passado, Lobo já comandava a instituição de forma interina, e sua nomeação definitiva agora depende da aprovação dos senadores. A CVM é um órgão vital para a saúde do mercado financeiro brasileiro, fiscalizando um volume expressivo de ativos e garantindo a transparência.
No entanto, a indicação de Otto Lobo não está isenta de controvérsias, com um episódio envolvendo a empresa Ambipar em seu histórico, conforme informações divulgadas pelo jornal O Globo e pela Folha de S. Paulo.
O Caminho de Otto Lobo até a CVM
Otto Lobo possui uma trajetória dentro da CVM, onde atuava como diretor desde 2022. Seu mandato como diretor, contudo, havia terminado em 31 de dezembro do ano passado, o que o levou a assumir a presidência interinamente após a renúncia de João Pedro Nascimento em julho de 2023.
Para ser efetivado no cargo de presidente, Lobo precisará passar por uma sabatina e obter a aprovação da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Caso receba o aval dos senadores, ele cumprirá um mandato completo de cinco anos, estendendo-se até 2027.
O Processo de Aprovação e os Bastidores Políticos
A escolha de Otto Lobo por Lula reflete um cenário político complexo. Segundo apuração do jornal O Globo, o nome de Lobo seria o favorito do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e de parlamentares do Centrão, o que pode facilitar sua aprovação na sabatina.
Por outro lado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, teria demonstrado preferência pelo advogado Ferdinando Lunardi, sócio do E. Munhoz Advogados. Além de Lobo, o presidente Lula também indicou o advogado Igor Muniz, presidente da Comissão de Direito Societário da OAB-RJ, para compor a cúpula da CVM, cujo nome também será analisado pela CAE.
A Relevância da CVM no Mercado Financeiro
A Comissão de Valores Mobiliários, embora vinculada ao Ministério da Fazenda, goza de autonomia administrativa, financeira e orçamentária. Sua função é crucial para o mercado financeiro nacional, fiscalizando cerca de R$ 16,7 trilhões em ativos negociados.
A autarquia desempenha um papel fundamental na proteção dos investidores e na garantia da integridade do mercado de capitais. Atualmente, das cinco vagas de diretores na CVM, apenas duas estão ocupadas, por Marina Copola e João Carlos Accioly, destacando a necessidade de preenchimento dos quadros para a plena atuação do órgão.
O Caso Ambipar: Uma Decisão Controvertida no Histórico de Lobo
Um dos pontos de atenção na trajetória de Otto Lobo é sua participação na decisão sobre a Ambipar em julho do ano passado. Na ocasião, a CVM dispensou a empresa de realizar uma oferta pública de aquisição de ações (OPA), revertendo uma decisão anterior que favorecia os acionistas minoritários.
Durante a votação, Lobo exerceu um voto duplo, tanto como diretor quanto como presidente do colegiado, para liberar a Ambipar da OPA, com o acompanhamento de João Accioly. Curiosamente, a área técnica da CVM havia sugerido a OPA, considerando suspeita uma valorização de mais de 800% nas ações da Ambipar entre maio e agosto de 2024.
Em dezembro do ano passado, a Folha de S. Paulo revelou que a área técnica da CVM investiga a suposta manipulação na alta dos papéis, que poderia envolver fundos e operações ligadas ao Banco Master, ao empresário Nelson Tanure e ao controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Junior. Todos os envolvidos negaram qualquer irregularidade.