Moraes nega revisão imediata de pena para Débora do Batom; entenda o PL da Dosimetria
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta segunda-feira (4) que a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom, não será beneficiada imediatamente pelo Projeto de Lei (PL) da Dosimetria. O pedido de sua defesa para a revisão de pena, antes mesmo da promulgação da lei, foi negado por Moraes, que considerou o pleito prejudicado.
A decisão surge após o Congresso Nacional ter derrubado, na semana passada, o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PL da Dosimetria. Este projeto de lei visa beneficiar condenados pelos atos golpistas ocorridos em 8 de janeiro de 2023. A defesa de Débora havia protocolado o pedido de redução de pena na sexta-feira (1º), um dia após a votação no Congresso.
Débora do Batom foi condenada a 14 anos de prisão por sua participação nos atos antidemocráticos, incluindo a pichação da frase “Perdeu, mané” na estátua A Justiça, em frente ao STF, utilizando batom. Atualmente, ela cumpre pena em regime domiciliar, pois possui filhos menores de idade. Conforme informado por seus advogados, Débora já cumpriu três anos de reclusão e estaria apta a progredir para o regime semiaberto. As informações foram divulgadas pelo portal G1.
O que é o PL da Dosimetria e por que ele é importante?
O Projeto de Lei da Dosimetria, também conhecido como PL 2.162/2023, trata de alterações nas regras de aplicação da pena no sistema judicial brasileiro. A principal mudança proposta e que gerou grande debate foi a possibilidade de os condenados por crimes em geral poderem ter suas penas revistas com base em novas interpretações ou progressões de regime mais favoráveis. No contexto dos atos de 8 de janeiro, o PL da Dosimetria, ao ter o veto derrubado, abre a possibilidade de revisão das penas aplicadas aos envolvidos, incluindo aqueles condenados por crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de}}$.
A aprovação e subsequente derrubada do veto ao PL da Dosimetria representam um marco importante na interpretação e aplicação da lei penal no Brasil. A legislação busca uniformizar e, em alguns casos, flexibilizar a forma como as penas são calculadas e executadas, o que pode impactar diretamente a situação de milhares de condenados. A intenção, segundo defensores do projeto, é garantir maior justiça e proporcionalidade nas sentenças, evitando excessos e assegurando o cumprimento da finalidade ressocializadora da pena.
A situação de Débora do Batom e o pedido negado por Alexandre de Moraes
Débora Rodrigues dos Santos, a “Débora do Batom”, tornou-se uma figura conhecida por sua participação nos atos de vandalismo contra o patrimônio público. A cabeleireira foi condenada a 14 anos de prisão por crimes como tentativa de golpe de Estado e dano qualificado. Sua pena foi estabelecida em um patamar considerado elevado por sua defesa, que argumenta que a aplicação da lei penal comum, com as novas diretrizes do PL da Dosimetria, poderia resultar em uma redução significativa do tempo de prisão.
O pedido da defesa de Débora visava antecipar os efeitos do PL da Dosimetria, solicitando ao STF que a pena fosse revisada antes mesmo da promulgação oficial do projeto. A argumentação baseava-se na premissa de que a vontade do legislador, expressa pela derrubada do veto, já indicava uma nova diretriz que deveria ser aplicada imediatamente. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, entendeu que o processo legal precisa ser seguido rigorosamente.
Justificativa de Moraes: PL da Dosimetria ainda não está em vigor
Alexandre de Moraes fundamentou sua decisão na ausência de promulgação e publicação do PL da Dosimetria. Em sua decisão, o ministro ressaltou que, embora o Congresso Nacional tenha derrubado o veto presidencial ao projeto em 30 de abril de 2026, a norma ainda não foi formalmente convertida em lei. “Não tendo ocorrido, até o momento, nem a promulgação, tampouco a publicação do diploma normativo, que, portanto, não está em vigor”, declarou Moraes, explicando o motivo pelo qual o pedido da defesa foi considerado prejudicado.
Essa interpretação segue o rito legal estabelecido. Um projeto de lei, mesmo após aprovação e derrubada de veto, precisa passar por etapas formais de promulgação e publicação no Diário Oficial da União para que suas disposições possam produzir efeitos legais. Somente após esses trâmites a lei entra em vigor e pode ser aplicada pelos tribunais. A decisão de Moraes reforça a importância do cumprimento estrito dos procedimentos legislativos.
O que acontece agora com o PL da Dosimetria e os condenados
Com a decisão de Moraes, a situação dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, como Débora do Batom, permanece inalterada até que o PL da Dosimetria seja devidamente promulgado e publicado. Após essas etapas, a defesa de Débora e de outros réus poderá, sim, solicitar a revisão de suas penas com base nas novas regras estabelecidas pela lei.
O trâmite após a derrubada do veto presidencial geralmente envolve o encaminhamento do texto para promulgação. De acordo com a Constituição, o presidente da República tem até 48 horas para promulgar o projeto. Caso ele não o faça, a tarefa recai sobre o presidente do Senado. A expectativa é que o PL da Dosimetria seja promulgado e publicado nos próximos dias, abrindo caminho para as reavaliações de pena.
Regime domiciliar de Débora do Batom e as restrições impostas
Atualmente, Débora do Batom cumpre pena em regime domiciliar em sua residência em Paulínia (SP), desde março do ano passado. Essa medida foi concedida em razão de ela ter filhos menores de idade, uma prerrogativa legal para mães em determinadas situações. Apesar de estar em casa, Débora está sujeita a rigorosas condições.
Ela é monitorada por tornozeleira eletrônica, o que garante o acompanhamento de seus deslocamentos. Além disso, tem a proibição expressa de utilizar redes sociais e de manter contato com outros investigados ou condenados nos mesmos processos. O descumprimento de qualquer uma dessas determinações pode resultar no retorno imediato ao regime de prisão fechada.
O impacto da decisão do STF na jurisprudência e nos casos futuros
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, ao negar o pedido de revisão antecipada de pena, reforça a postura do STF em relação ao cumprimento estrito dos trâmites legais. Embora a derrubada do veto pelo Congresso sinalize uma clara intenção legislativa, a aplicação prática da lei depende de sua formalização.
Este caso estabelece um precedente importante sobre como pedidos baseados em projetos de lei pendentes de promulgação serão tratados pela Corte. A mensagem é clara: a segurança jurídica exige que as leis estejam em vigor para que possam ser aplicadas, mesmo que haja uma expectativa de benefício para os acusados ou condenados. Isso evita interpretações arbitrárias e garante que todos os processos sigam um rito previsível.
Próximos passos: promulgação e o futuro dos réus do 8 de janeiro
A expectativa agora se volta para a promulgação do PL da Dosimetria. Uma vez que a lei esteja em pleno vigor, as defesas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro poderão apresentar novos pedidos de revisão de pena. A análise desses pedidos dependerá da interpretação dos tribunais sobre como as novas regras de dosimetria se aplicam aos crimes cometidos, considerando as especificidades de cada caso.
Para Débora do Batom, a possibilidade de progressão de regime ou redução de pena se tornará concreta apenas após a promulgação da lei e a subsequente análise de seu caso à luz das novas disposições. A jornada legal ainda reserva capítulos importantes, e a comunidade jurídica acompanhará de perto os desdobramentos dessa e de outras situações semelhantes, que podem redefinir o panorama da execução penal no Brasil.