Irmã Henriqueta, 64, voz incansável pelos direitos humanos no Pará, morre em acidente trágico, deixando um legado contra a exploração infantil no Marajó.

O Pará e o Brasil perderam uma de suas mais importantes vozes na defesa dos direitos humanos. A religiosa Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, conhecida como Irmã Henriqueta, faleceu aos 64 anos em um trágico acidente automobilístico na Paraíba.

Sua morte, ocorrida no último sábado (10), causou profunda comoção em todo o país, especialmente entre aqueles que acompanhavam sua incansável luta contra a exploração sexual infantil e o tráfico humano no arquipélago do Marajó.

A ativista, que dedicou décadas à proteção de crianças, adolescentes e mulheres, deixa um vácuo imenso, mas também um legado de esperança e mobilização que inspirará futuras gerações, conforme noticiado por diversas fontes e autoridades.

Tragédia na Paraíba e o Traslado para o Pará

O acidente que vitimou a Irmã Henriqueta aconteceu na noite de sábado (10), enquanto ela visitava familiares na Paraíba. O veículo em que estava capotou na rodovia BR-230, na curva do Distrito de Galante, em Campina Grande, conforme informações da Polícia Rodoviária Federal.

Quatro pessoas ocupavam o carro, sendo que três ficaram feridas e foram socorridas. Infelizmente, a Irmã Henriqueta ficou presa nas ferragens e não resistiu aos ferimentos, em uma perda irreparável para a causa dos direitos humanos.

Diante da triste notícia, o governo do Pará agiu rapidamente, acionando o Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp) para realizar o traslado do corpo da ativista para Belém. O velório ocorreu no domingo (11), na Assembleia Legislativa do Pará, em um momento de profunda homenagem.

O sepultamento da religiosa está previsto para esta segunda-feira (12), no cemitério da Prelazia do Marajó, no município de Soure. A escolha do local atende a um pedido expresso da própria Irmã Henriqueta, reforçando sua conexão com a região que tanto defendeu.

Legado na Luta por Direitos Humanos no Marajó

A Irmã Henriqueta foi um dos nomes mais atuantes e reconhecidos na luta contra a exploração sexual infantil e o tráfico humano no arquipélago do Marajó. Sua atuação na região, iniciada na década de 1990, rendeu-lhe reconhecimento nacional e internacional por sua dedicação.

Ela trabalhou ao lado de outras importantes lideranças, como o bispo emérito do Marajó, dom José Luis Ascona. Juntos, idealizaram e fundaram o instituto que leva o nome do religioso, uma instituição fundamental no combate à violência contra mulheres, crianças e adolescentes.

A religiosa tinha o costume de visitar diversos municípios da região, levando palestras e alertando a população sobre os riscos da exploração e do tráfico. Sua missão era clara: incentivar a prevenção e articular uma robusta rede de proteção, formando agentes sociais engajados na causa dos direitos humanos.

Desde 2023, a Irmã Henriqueta também integrava o Fórum Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres do Campo, da Floresta e das Águas. Sua participação era vital na construção de políticas públicas que visavam coibir as violências sofridas por essas mulheres, ampliando seu impacto para além do Marajó.

Comoção e Homenagens de Autoridades e Personalidades

A perda da ativista surpreendeu e entristeceu profundamente a sociedade paraense. Rapidamente, autoridades, artistas e outros defensores de direitos humanos manifestaram seu pesar nas redes sociais, lamentando a partida de uma figura tão inspiradora.

O governador do estado, Helder Barbalho (MDB), expressou sua tristeza. “Recebo com profunda tristeza a notícia do falecimento da Irmã Henriqueta, uma das maiores referências na defesa dos direitos de crianças e adolescentes em nosso Estado. Decreto luto oficial de três dias. Manifesto minha solidariedade aos familiares, amigos e a todos que seguem sua missão”, declarou o governador.

A atriz Dira Paes publicou uma foto ao lado da religiosa, lembrando sua dedicação. “Hoje me despeço da minha amiga Irmã Henriqueta, uma heroína que dedicou a sua vida em defesa das crianças e adolescentes”, escreveu a atriz, que foi parcialmente inspirada na religiosa para interpretar uma delegada no filme “Manas”.

Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos do governo Lula (PT) também se referiu à Irmã Henriqueta como uma amiga e uma heroína brasileira, exaltando sua postura determinada e o impacto de sua atuação na vida de inúmeras crianças e famílias.

A jornalista Aline Brelaz, amiga da religiosa e convidada por ela para integrar a rede de proteção contra exploração sexual, comentou: “Ela vai fazer muita falta, mas com certeza deixou sementes que se tornarão árvores e novas lideranças surgirão, a partir do legado de luta que ela deixou”.

Mary Cohen, presidente da Comissão Especial de Combate ao Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas, também exaltou o trabalho da religiosa. “Perder a Irmã Henriqueta é terrível para nós, ainda estamos em choque. Para a população do Marajó fica o legado de fé, de luta, de proteção, de acolhimento e de esperança”, concluiu, reforçando a imensidão da perda.

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