Um novo panorama energético global está se desenhando, com a China emergindo como uma potência incontestável na produção de eletricidade. O gigante asiático alcançou um nível de geração que supera, e muito, as maiores economias ocidentais combinadas, um feito que demonstra sua crescente influência e autonomia.
Essa disparidade impressionante não apenas solidifica a posição da China como líder mundial em energia, mas também levanta questões importantes sobre as estratégias de desenvolvimento e os desafios enfrentados por outras nações na busca por segurança e sustentabilidade energética.
Os números, que revelam que a China produz 40% a mais de eletricidade do que EUA e UE juntos, foram levantados pelo Energy Institute em colaboração com consultorias renomadas como KPMG e Kearney, além da Universidade de Heriot-Watt.
A Ascensão Chinesa no Setor Elétrico
Em 2024, a infraestrutura chinesa produziu impressionantes 10.086 terawatts-hora (TW/h). Para se ter uma dimensão, essa quantidade é 40% superior à soma da produção dos Estados Unidos, que gerou 4.634 TW/h, e da União Europeia, com 2.794 TW/h, no mesmo período. Essa liderança é resultado de investimentos contínuos e de uma estratégia de diversificação energética.
O crescimento da China no setor elétrico tem sido notável. Entre 2014 e 2024, o país asiático registrou um aumento anual médio de 5,7% em sua produção de eletricidade. No mesmo intervalo, os Estados Unidos tiveram um crescimento bem mais modesto de 0,6% ao ano, enquanto a União Europeia apresentou uma redução anual de 0,2%. A média mundial de crescimento ficou em 2,6%.
Diversificação da Matriz Energética: A Estratégia Chinesa
A diversificação da matriz energética é um fator crucial para entender como a China produz 40% a mais de eletricidade do que EUA e UE juntos. Em 2024, as principais fontes de energia da China incluíam o carvão, com 5.827,6 TW/h, energias renováveis (solar e eólica), que contribuíram com 2.044,6 TW/h, e a hidrelétrica, com 1.354,3 TW/h. A energia nuclear e o gás natural também desempenham papéis significativos.
Em contraste, os Estados Unidos concentraram sua produção no gás natural, com 2.005,2 TW/h, seguido por renováveis e energia nuclear. Já a União Europeia teve as renováveis como sua principal fonte, gerando 946,6 TW/h, à frente da energia nuclear e do gás natural. Essas diferenças estratégicas sublinham as abordagens distintas de cada economia para a segurança e sustentabilidade energética.
Independência e Segurança: Os Pilares dos Investimentos Chineses
Os investimentos massivos da China no setor energético visam à independência e segurança energética do país. Ao reduzir a necessidade de importar eletricidade, a China fortalece sua autonomia econômica, um objetivo estratégico de longo prazo. Essa política não apenas garante o suprimento para seu vasto parque industrial e população, mas também projeta poder no cenário geopolítico.
O compromisso com a energia limpa é evidente nos investimentos chineses. Apenas em 2024, a China investiu a impressionante quantia de US$ 625 bilhões em projetos de energia limpa, conforme dados da agência governamental China 2 Brazil. Este montante reflete a ambição do país em liderar a transição energética global, ao mesmo tempo em que garante sua soberania energética.
Brasil no Cenário Mundial: Um Olhar Comparativo
No contexto mundial, o Brasil também demonstra um crescimento constante em sua produção de eletricidade. Em 2024, o país produziu 745 TW/h. Entre 2014 e 2024, o Brasil apresentou um crescimento anual de 2,4%, um ritmo alinhado com a média global.
A matriz energética brasileira se destaca pela concentração em hidrelétricas, com 413,2 TW/h, e fontes renováveis, que geraram 238,0 TW/h. O gás natural, a energia nuclear e o carvão também compõem a produção, embora em menor escala. Essa forte dependência de fontes limpas posiciona o Brasil de forma favorável em termos de sustentabilidade, ainda que em um volume total menor se comparado às grandes potências energéticas.